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Alberto Valentim projeta 2020 do Botafogo: “Agora o time terá a minha cara”

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Em Teresópolis, treinador alvinegro participa do curso de técnicos da CBF. Na tarde desta quinta, recebeu o GloboEsporte.com para uma conversa que durou cerca de 30 minutos

O sorriso no rosto de Alberto Valentim não esconde a preocupação do técnico com o planejamento do Botafogo para 2020. Feliz por ter voltado ao time com o qual foi campeão carioca em 2018, o comandante enfrenta momento de mudanças políticas no clube de General Severiano. Em um ano tudo pode ser diferente, e o mineiro de 44 anos espera participar da reestruturação, que exigirá paciência do torcedor.

– A gente sabe que o Botafogo vive momento complicado financeiramente e temos que deixar isso transparente. Mas tem que ter cobrança, sim, por resultado vivendo a realidade que o clube também vive. Eu vou me entregar ao máximo, a diretoria não vai medir esforços para trazer jogadores importantes dentro dessa realidade para que o Botafogo viva um 2020 melhor.

Foram 13 jogos no Campeonato Brasileiro de 2019, com oito derrotas, um empate e apenas quatro vitórias. A segunda passagem de Valentim pelo Botafogo não teve um início como o treinador projetava, mas terá continuidade em 2020. O técnico garante que será melhor agora que ele terá tempo para trabalhar e montará o elenco de acordo com o que pensa para a equipe.

– Eu sempre falei: “Me cobrem depois, que o time terá minha cara a partir do ano que vem, com o começo do zero”.

Na Granja Comary, em Teresópolis, Valentim participa do curso de técnicos da CBF. Na tarde desta quinta-feira, o treinador alvinegro recebeu a equipe do GloboEsporte.com para uma conversa que durou cerca de 30 minutos. Falou sobre os erros e acertos, comentou o sucesso de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro e projetou a próxima temporada.

Confira abaixo a entrevista com Alberto Valentim:

GloboEsporte.com: O fim de Campeonato Brasileiro do Botafogo não foi bom. Além de lutar contra o rebaixamento, a equipe ainda não conseguiu a vaga na Sul-Americana. Qual lição fica para 2020?

Alberto Valentim: Fica mais difícil assumir um time depois que você vem de resultados que não esperava. O que tiro de lição é procurar não deixar que as coisas fiquem mais para o final do campeonato. Você acaba perdendo a qualidade maior do jogador, porque quando envolve muito o lado emocional, com o risco de queda, você não consegue tirar o máximo do potencial técnico e tático do atleta, até o físico também. Fica a lição para que consigamos fazer um campeonato melhor, fazer um time mais forte para não passar esses apertos.

Falou-se algumas vezes que o futebol jogado pelo Botafogo estaria entre os piores da Série A. Por que você acha que foi tão ruim?

Não quero que sirva de desculpa, mas é bom falar das ausências que eu tive também. Chego e perco Gilson, não tinha ainda disponível o Alex Santana, que era um dos principais jogadores. Infelizmente, não tinha o Diego Souza na melhor forma que a gente sabe que ele pode render. Ainda perco o Marcinho depois. Aí vamos jogando com outras alternativas. Botafogo já não tinha um elenco muito forte e ainda perdemos peças importantes, isso enfraqueceu. Tive que usar garotos. Se somar os salários dos três jogadores que jogaram contra o Ceará não vai ser muito.

Foram 13 jogos no comando do Botafogo nessa reta final do Brasileirão. Qual você considera o melhor e qual o pior?

O melhor foi contra o Flamengo, foi um pecado que o Luiz Fernando tenha sido expulso. Acredito que tenha sido o jogo que o Flamengo mais teve dificuldade de atacar, tiveram menos chances claras mesmo com um a mais. Um empate seria justo e, se imaginarmos um pouco como seria com o Luiz Fernando em campo, talvez teríamos criado mais problemas ofensivos.

Não gostei contra o Santos, Athletico-PR e até o Corinthians, que nós ganhamos. Talvez tenham sido os jogos que eu mostrei mais no vídeo cobrando o que poderíamos ter feito melhor. E tiveram jogos que jogamos melhor e não ganhamos, como contra o Cruzeiro.

E qual seu maior acerto e o grande erro?

Erros cometi alguns. São tomadas de decisões muito rápidas. Vi uma declaração do Rogério Ceni muito interessante dando exemplo da época em que era jogador, que alguns pênaltis e faltas ele errava, e as tomadas de decisões dos treinadores são assim. Algumas a gente espera que aconteça de uma forma e acaba não acontecendo ou, às vezes, as coisas acontecem melhor do que a gente imagina. Treinador erra toda hora.

– O maior acerto foi ter voltado para o Botafogo, clube pelo qual tenho muito carinho. Estou muito feliz, é diferente quando se tem uma identificação.

Os salários atrasados foi outra dificuldade que você precisou driblar quando chegou…

Tudo pesa. É bom lembrar que eles foram muito profissionais, e o Barroca já tinha me falado que o grupo era muito firme para treinar, se dedicar e comprar a ideia da comissão técnica. Mas os salários influenciam com certeza, não dá para esconder. Tinha uma preocupação muito grande com os funcionários também, que estão sempre nos ajudando e apoiando.

Você já falou sobre isso, mas os áudios do ex-presidente Carlos Augusto Montenegro também bagunçaram o ambiente naquele momento da sua chegada…

Os jogadores estavam muito focados, tiveram reuniões entre eles e disseram que tirariam o Botafogo o quanto antes daquela situação difícil. Fizeram isso dentro das limitações. A gente esqueceu rápido os áudios, colocamos uma pedra em cima logo depois.

Terminado o Campeonato Brasileiro, você ingressou em seguida nesse curso para tirar a licença da CBF. Fica na Granja Comary até o dia 20 de dezembro. Mesmo assim, não tem como se desligar do Botafogo, né? É um momento de planejamento.

Estou no telefone o tempo todo, a gente fica trabalhando, até mesmo durante as aulas. Impossível esquecer, o telefone fica no bolso ali pronto para resolver qualquer coisa.

O que conversou com a diretoria sobre reforços?

Tivemos uma conversa um dia após o jogo contra o Ceará com o presidente Montenegro, o presidente Nelson, ainda estava presente o nosso querido Anderson (Barros, ex-gerente de futebol) para definirmos algumas coisas: contratos que estão terminando, jogadores que queremos que continuem e as possíveis contratações.

– Alguns nomes já foram falados, não podemos perder tempo. Temos menos de um mês para a reapresentação.

Vamos precisar de laterais, meio-campistas, atacantes, zagueiros. São quase todos os setores. Vamos precisar de um camisa 9, de jogadores de beirada, com características que eu gosto. Temos que fortalecer o elenco, até porque alguns jogadores vão sair.

O Comitê do Futebol já adiantou que Cícero e Diego Souza não devem permanecer. Como vai ser repensar o elenco sem esses medalhões?

Nós vamos buscar jogadores que se encaixem dentro das características que eu quero que o time jogue no ano que vem, dentro da realidade financeira do clube. Vamos buscar jogadores de qualidade, mas dentro de uma realidade em que o Botafogo consiga depois cumprir seus compromissos.

O número de contratações depende de quem vai sair ainda. O João Paulo pode ser negociado, seria uma perda que a gente não gostaria. Vamos precisar ver o que vai acontecer com esses atletas que não queremos que saiam.

O Gabriel também pode sair. E aí a gente vai contratar. Zagueiro e goleiro são posições perigosas, porque em um estalar de dedos você perder dois e o outro não estar pronto. Então estaremos cobertos, olho muito para zagueiro porque é uma posição que você improvisa pouco.

Com quantos jogadores você pretende trabalhar no elenco?

– A gente precisa definir ainda quais jogadores não ficarão, mas acredito que trabalhar em torno de 30 atletas vai me dar uma boa condição, puxando depois alguns jogadores da base no decorrer do ano.

Planos em relação à base

Eu sempre trabalhei com a base. No Vasco, o Marrony estreou comigo. Usei Rhuan, Luis Henrique no Botafogo. Tenho essa preocupação, eu os puxo muito para treinar com o profissional. Aqueles que se destacam, estão prontos ou quase prontos, já vão fazer parte do profissional.

A pré-temporada do Botafogo será no Nilton Santos mesmo?

A gente está estudando alguns lugares, devemos fechar até o fim da semana. Quero começar no dia 6 de janeiro.

Anderson Barros tinha uma relação muito próxima com você e com os jogadores. A saída dele é um problema?

Ele tinha a confiança de todos. Os jogadores gostavam e confiavam muito no Anderson, que é um cara transparente, correto, ótimo profissional, que se multiplicava dentro do Botafogo até com funções que não cabiam a ele. É uma perda grande, fico triste por não estar trabalhando ao lado dele, mas muito feliz ao mesmo tempo porque ele merece muito, está indo para o Palmeiras em uma condição muito melhor.

O Botafogo passa hoje por mudanças políticas com a transição para o clube-empresa. De alguma forma isso te preocupa com relação à continuidade do trabalho?

Não me preocupa nem um pouco. A gente sabe que no futebol são os dirigentes e as pessoas no comando do clube que vão decidir depois se o treinador vai cumprir o contrato ou não. A gente sabe que o Botafogo vive momento complicado financeiramente, e temos que deixar isso transparente. Mas tem que ter cobrança sim por resultado vivendo a realidade que o clube também vive.

– Eu vou me entregar o máximo, a diretoria não vai medir esforços para trazer jogadores importantes dentro dessa realidade para que o Botafogo viva um 2020 melhor.

O Carioca é uma espécie de pressão ao seu trabalho?

O Carioca e depois o Brasileiro também. Eu fui demitido do Vasco depois de chegar em três finais no Campeonato Carioca. Fui campeão invicto da Taça Guanabara com 100% de aproveitamento e, mesmo assim, acabei saindo. É uma cultura do futebol brasileiro, aqui a gente vive muito em função de vencer jogos.

Como você vê o processo de mudança no trabalho do técnico brasileiro, com treinadores estrangeiros ganhando espaço e tendo sucesso aqui?

O intercâmbio é importantíssimo. Saiu que eu falei algo do Jorge Jesus naquela partida contra o Flamengo. Pelo contrário, não teve nada. Eu joguei oito anos e meio fora, depois fiquei três anos na Itália me preparando para ser técnico. Essa troca de ideias e cultura é importantíssima. Tive o prazer de trabalhar com o Gareca no Palmeiras, as coisas não vão mudar porque dois estrangeiros tiveram sucesso esse ano. Abrir portas para os treinadores de fora agrega sempre.

Uma coisa que gosto muito e sempre tentei colocar nas minhas equipes, o Jesus, o que ele fez de muito importante, ele sugou o máximo da qualidade individual de cada jogador. Não deixava abaixar a guarda. Fez com que o coletivo viesse muito forte. Vimos um Flamengo intenso, organizado, mas sempre com muita fome. Acredito que a cobrança de nível de atenção seja altíssima. O comportamento de Jesus fora de campo também.

– Jesus ficando no Brasil, ele vai passar períodos difíceis também, não vai ganhar sempre como aconteceu esse ano. Mas buscar o máximo do atleta é um grande trabalho que o treinador precisa. Ele conseguiu transformar o time em equipe.

Transformar o Botafogo em equipe é um dos seus maiores desafios para 2020?

Muito grande. A gente sabe das condições financeiras, já falamos com a diretoria para tentar deixar os salários em dia. Para sugar o máximo dos jogadores, as coisas precisam funcionar em cima também. E a diretoria está buscando esses recursos.

Com esse elenco enxuto e o corte de gastos, dá para competir no Carioca?

Dá. É lógico que a gente vai depender de finalizar essas contratações. Ano passado eu estava aqui (Granja Comary) e falei que o Vasco ia disputar títulos. O Carioca te dá essa possibilidade, porque jogos mata-mata, mesmo que uma equipe seja inferior de investimento, você consegue surpreender em um jogo.

– No Carioca vamos entrar para disputar o título, sendo realistas que tem um time muito forte do outro lado, que é o Flamengo com um investimento muito superior.

Fonte: Globoesporte.com


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