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Autuori não abre mão do estilo crítico, mas diz: “Me preocupo, porque estou prejudicando o Botafogo”

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Com 64 anos, Paulo Autuori tem estilo crítico e contestador por natureza, sem se omitir ou se calar para questões que considera importantes. No Botafogo, o treinador já manifestou opiniões fortes sobre Ferj, CBF, retorno do futebol brasileiro em meio à pandemia do novo coronavírus e outros assuntos.

Ele chegou a ser julgado no TJD e no STJD por declarações que concedeu. Na última, foi apenas advertido por críticas à arbitragem e ao futebol brasileiro após o empate em 1 a 1 com o Flamengo. O treinador não pretende mudar o temperamento, mas admite que pode respingar no Botafogo.

– Me preocupo, porque estou prejudicando o Botafogo. Não tenho dúvida disso. Nos espaços pequenos e informais existem ameaças e chantagens. Não vou nunca me calar em relação a essa situação. Muitos dirigentes de clubes já tocaram nesse assunto. Não vou ser ameaçado jamais, não me permito. Tento ter uma vida profissional e pessoal, todo dia é um grande desafio para ter equilíbrio, vejo coisas que muita gente tem dificuldade de falar – afirmou Autuori ao programa “Pequeno Grande Círculo”, do “SporTV”.

– Desafio a qualquer um, na entrevista após o jogo com o Flamengo, elogiei o (Leandro) Vuaden, é só pegar o arquivo. Falei dos critérios, mas estou a falar o que muitas pessoas que têm responsabilidade também podem falar. Precisamos de mudança no rumo do futebol brasileiro. Eu posso sair do país e ir onde quiser, como muitos brasileiros, mas só damos visibilidade às coisas difíceis. Para mim, é uma vergonha um ex-presidente de confederação ser preso ou não poder sair do país e não fazermos nada – criticou.

Leia outras respostas de Autuori:

Pandemia

– Momento complicado para toda humanidade, nenhum de nós esperávamos passar por algo dessa natureza. Diferente dos momentos de guerra, em que alguns estão envolvidos e outros diplomaticamente, mas a maior parte dos povos estava a viver sua vida normal. Esse foi um momento que todo mundo passou a sofrer muito, uns mais, outros menos, uns se preparando, com liderança. Mais um momento que a humanidade sairá, em termos gerais, mais forte.

Consequências no futebol

– Me perguntaram se as pessoas sairiam diferentes, eu questionei, principalmente no futebol. Um exemplo é a volta do futebol, do Campeonato Brasileiro, do Campeonato Carioca, depois um mês parado. O momento ainda é difícil, em relação ao próprio futebol, a maior parte das equipes está a sofrer bastante. Não vejo nenhuma equipe se destacar em termos coletivos, algumas individualidades sim. Certamente, haverá oscilação. Gostaria de ver no fim da temporada um estudo claro no que concerne em relação ao número de lesões.

Futebol brasileiro

– É muito estranho sim. Somos um país pentacampeão do mundo. No momento que decidi sair do Brasil para trabalhar, minha preocupação nunca foi ir para lugar top, ser o melhor, foi buscar condições de viver entre o sim e o não, alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, o bem e o mal. Meu objetivo foi crescer nos aspectos pessoal e profissional. Poderia fazer imersão em países diferentes, viver costumes, hábitos, estar envolvido em idiossincrasias distintas. Agregaria no pessoal e no profissional, sem abrir mão do que é inegociável, que são princípios e valores morais, que têm a ver com educação. Jamais me permiti abrir mão disso para vencer na minha carreira profissional.

– Aqui no Brasil quando você fala conceitualmente e diverge da conjuntura, vira inimigo pessoal. Para mim, é um grande absurdo. É normal haver discordâncias. É a vida, o contraditório está sempre presente. Não posso esquecer que em 2013 coloquei que deveríamos, técnicos, estar atentos a que estávamos defasados em relação ao mundo todo. Não posso falar de outras coisas sem cortar na própria carne. Posso dizer que o futebol brasileiro é muito estranho, porque os problemas se mantém e não há preocupação em dar ouvido às pessoas intervenientes do fenômeno futebol. Por isso, tiro o chapéu para o que o Mauro Silva faz na Federação Paulista. Meu sonho é vê-lo na presidência da CBF. Gostaria que o presidente da CBF pudesse ser reverenciado onde chegasse, vejo profissionais com qualidade e competência para isso.

Fonte: Redação FogãoNET e SporTV / Foto de Capa: Vitor Silva / Botafogo


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