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Bicho em derrota, avião lotado e desconfiança com o “português”: histórias do Botafogo de 95

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Presidente do clube naquela conquista, o dirigente lembra bastidores do título brasileiro 25 anos depois

Presidente do clube naquele ano, Carlos Augusto Montenegro foi o convocado para relembrar momentos e bastidores daquela conquista, que fará 25 anos em 2020.

No próximo domingo, às 16h (de Brasília), a Globo reprisará o jogo do título, a final contra o Santos, no Pacaembu.

Montenegro, que rodou o Brasil ao lado dos jogadores e do técnico Paulo Autuori, lembrou histórias que marcaram a campanha. A começar pela desconfiança da torcida e da própria diretoria com o treinador, que terminou aquele ano com status de ídolo.

“Arranjou esse português onde?”

Paulo Autuori já ganhou títulos brasileiro, da Libertadores e Mundial, mas antes de tudo isso, ele chegou ao Botafogo em agosto de 1995. Desconhecido após fazer carreira em Portugal, o treinador de 39 anos despertou desconfiança não só dos torcedores como também da diretoria. Montenegro conta que fez a aposta com receio, mas pressionado pelo orçamento apertado.

– Fiquei desconfiado. No primeiro treino que a gente fez no Caio Martins, a torcida estava lá e começaram a pegar no meu pé: “Arranjou esse português onde?”. Me xingaram um pouco. Eu falei que não conhecia mesmo, mas era quem dava para trazer – disse o ex-presidente.

– Quando ele foi apresentado a gente começou a conversar, já percebi que era um cara diferente de todos que eu tinha conhecido. Implantou a filosofia de que tínhamos que ser campões não só dentro de campo, mas fora também. Era uma mistura de comandante tático com paizão, psicólogo e ele é assim até hoje – completou.

Bicho em derrota e avião superlotado

Aquele ano rendeu muitas histórias que são contadas até hoje em General Severiano. Alguns bastidores ajudam a explicar a campanha, como o “bicho” pago ao elenco após uma derrota. Apesar dos 5 a 3 para o Cruzeiro, ainda no fim do primeiro turno, a diretoria resolveu premiar os jogadores pelo bom futebol apresentado. A aposta deu certo e a reação veio na segunda fase.

– A gente conviveu o ano todo com salários atrasados. Lembro que teve um jogo fantástico com o Cruzeiro em Minas, o Botafogo jogou muito, mas perdeu por 5 a 3. No vestiário, eu chamei todos os jogadores e falei: “Hoje, vocês jogaram como campeões e eu vou pagar um bicho pra vocês”. Peguei o malote de dinheiro e dividi com eles no vestiário, ninguém entendeu muito bem o que estava acontecendo, receber bicho depois de derrota. Foi para premiar a grande atuação e aliviar um pouco a questão dos salários – contou Montenegro.

Outros momentos marcaram aqueles meses: as declarações bombásticas de Túlio, o jogo de cintura para contornar os salários atrasados e as muitas provocações que antecederam a grande final contra o Santos, em 17 de dezembro. Até chegar a festa, que parou o aeroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

– Foi uma loucura. Tive que pedir para o comandante do avião para deixar entrar 50 pessoas a mais, de 100 para 150. Expliquei que não tinha bagagem, que a única coisa pesada era a taça. Em troca de algumas camisas, ele aceitou. Eu estava muito feliz, distribuí as medalhas dentro do avião. Era música, samba… Onde sentava três, tinha quatro ou cinco. Gente em pé, equipe de televisão no vôo. Já tinham 9 ou 10 mil pessoas no aeroporto e o comandante disse que teria que descer no Galeão. Isso eram 2h e já tinha gente lá desde às 21h. Tive que convencer o comandante de novo e foi só a gente descer que começou a festa – lembrou.

– Foi um misto de competência, boas escolhas e, principalmente, sorte… Nós tínhamos um grande time, mas não tínhamos elenco. Falo que tivemos uma dose de sorte, porque ninguém teve uma contusão séria ao longo do campeonato, a gente não teria como repor. Estava escrito que aquele ano era do Botafogo – resumiu o dirigente.

Em 2020, quando o Botafogo volta?

No fim da entrevista, Montenegro terminou a viagem no tempo para falar do Botafogo do presente. Membro do comitê executivo de futebol, o dirigente participa do planejamento para a retomada da temporada, interrompida por quase dois meses por conta da pandemia do novo coronavírus. Ele acredita que a bola pode voltar a rolar ainda nesse mês.

– Acho que a curva está começando a achatar, vai começar a cair um pouco. Vamos fazer testes nos jogadores e espero que possamos retomar o campeonato seguindo os protocolos. Acho que é normal começar no fim do mês, início de julho… Tem uma hora que você tem que voltar à vida normal. Eu era contra voltar no pico, aí, não tinha razão. O Campeonato Brasileiro está previsto, mas sem data definida, para agosto. Então, os Estaduais devem acabar em julho.

Há novidades sobre o projeto clube-empresa?

– Não posso dar detalhes, mas está na reta final.

Há previsão de pagamento dos salários atrasados?

– A gente está se virando. Estamos tentando conseguir alguma coisa. Só vai arrumar quando virar empresa. Estamos tentando algumas vendas de jogadores também.

Montenegro vai voltar a ser “só” torcedor?

– Sim. Espero que em breve, assim que sair a S/A. Falta pouco. Espero voltar para o camarote, que comprei para os meus filhos e os meus amigos ou para a arquibancada, que é onde eu me sinto melhor.

Fonte: Globoesporte.com / Foto de Capa: Vitor Silva / Botafogo


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