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Botafogo segue exemplo do Bahia na luta contra assédio e apoio a causas sociais

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O Nilton Santos recebe nesta quarta-feira, às 21h30, o confronto entre Botafogo e Bahia, dois clubes que vem trabalhando para combater as raízes preconceituosas do futebol. Atualmente na zona de rebaixamento, ambos estão no topo quando se trata de apoiar causas sociais.

O Bahia tem sido protagonista no combate ao assédio, racismo e LGBTfobia, com ações estruturadas que vão além do posicionamento nas redes sociais. A gestão atual do clube tenta democratizar cada vez mais o acesso ao futebol.

— A gente se reconhece como um clube popular e democrático inserido no Nordeste e existem algumas responsabilidades sociais ao se gerir um clube assim — afirma Tiago Cesar, coordenador do Núcleo de Ações Afirmativas e assessor de planejamento do Bahia.

Trabalhando em diversas frentes na defesa de minorias, as contas do clube mostram que inclusão e lucro podem andar juntos. A receita de produtos relacionados a ações afirmativas ultrapassam R$ 500 mil e o retorno midiático para os patrocinadores quadriplicou no último ano, segundo dados do Ibope.

Incentivo aos clubes

Ao abrir o diálogo e estabelecer estratégias de defesa a grupos oprimidos, o Bahia passou a atrair adeptos e incentivou o engajamento em outros times. É o caso do movimento “BotaFOGO no Assédio”, criado por torcedoras alvinegras para chamar a atenção do clube para a segurança das mulheres que frequentam estádios de futebol.

O grupo formado por sete mulheres foi criado no início deste ano, antes dos portões serem fechados por causa da pandemia, para oferecer apoio a torcedoras alvinegras vítimas de assédio, após um botafoguense ser flagrado fazendo filmagens de teor sexual na arquibancada do Nilton Santos.

— A gente tem ideias e é difícil vê-las se concretizarem. Ao ver que o Bahia tem sucesso nisso, percebemos que é possível ter essa voz em todos os clubes. São ações necessárias e que não geram tantos gastos — conta Ana Gabrielle Carvalho, de 21 anos, uma das criadoras do movimento.

Após receber inúmeras denúncias de assédio contra um membro de organizada, o grupo foi procurado diretamente pelo Botafogo para entender o ocorrido e saber como o time poderia agir. Sem um departamento específico para lidar com o assunto, as torcedoras acreditam que o clube poderia fazer mais para prevenir casos.

— A gente sente aproximação do clube agora por causa dos últimos acontecimentos, mas o que importa de fato é que essas ações comecem a ser concretizadas — diz Mayra Baptista, de 28 anos.

Mayra cita medidas efetivas aplicadas pelo Bahia, como a utilização de tecnologia para detectar assédio na Arena Fonte Nova e a criação de aplicativo que possibilita que mulheres denunciem em tempo real episódios de abuso durante jogos do time no estádio.

O Botafogo apoia e compartilha o trabalho produzido pelo movimento nas redes sociais e através da assessoria de imprensa, disse que “jamais vai admitir qualquer tipo de assédio e exige respeito às mulheres. O Botafogo tem realizado campanhas e apoiado ações de motivação própria da torcida. É um assunto sério e prioritário”.

Neste ano, o clube se destacou entre os cariocas no apoio ao movimento antirracismo “Black Lives Matter”, homenageando ídolos negros que fizeram história em General Severiano. No final de junho, os jogadores alvinegros foram à campo vestindo camisas com a frase “Vidas Negras Importam” e fizeram protesto contra o retorno do Campeonato Carioca em meio à pandemia de coronavírus.

Fonte: O Globo Online / Foto de Capa: Reprodução / Instagram


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