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Botafogo terá de negociar valor da rescisão de Carli e ficará com 42,5% dos direitos de Bochecha

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O acordo pela rescisão contratual com o zagueiro Joel Carli é o episódio mais recente da tentativa do Botafogo de se livrar de contas com as quais já não conseguia arcar antes mesmo da pandemia. No mesmo dia em que anunciou a saída do defensor de 33 anos, o clube quitou os salários de março dos jogadores, evitando que os atrasos atingissem três meses.

Com o adeus do argentino, que chegou ao clube no início de 2016, o Botafogo estima uma redução de custo mensal na casa dos R$ 400 mil, considerando salários e encargos. O alvinegro ainda negocia com o jogador o valor final da compensação pela rescisão.

Carli fazia parte de uma parcela remanescente de jogadores com salários elevados para os padrões alvinegros. A diretoria entendeu que ele se tornou dispensável e relativamente caro por não ser mais titular absoluto, pela mesma lógica do custo e da idade que Diego Souza saiu do clube. O Botafogo, inclusive, negocia para se livrar de mais gente.

O zagueiro já não estava no Boletim Informativo de Registro de Atletas (Bira) da Ferj por conta de questões burocráticas. Em 2018, ele renovou por dois anos, mas o contrato tinha um gatilho que ampliava a vigência até 31 de janeiro de 2022, caso a meta de jogos fosse alcançada. Foi o que aconteceu em 2019.

Fim do ciclo de Carli

A negociação entre as partes durou mais de dois meses. Quem participou dela diz que houve um misto de paciência com uma lentidão em razão da pandemia. O argentino deixa o Botafogo com 154 jogos e seis gols. O mais importante deles foi nos acréscimos da final do Carioca de 2018, que levou a decisão contra o Vasco para os pênaltis. Então, o Botafogo foi campeão.

“Gostaria de agradecer o apoio incondicional da torcida, de companheiros, ex-companheiros e de todos os funcionários do Botafogo nesse período de transição. Não me deram outra opção. Tentei de tudo, mas encerro um ciclo de quase cinco anos, no qual me dediquei ao máximo”, disse Joel Carli em vídeo no Instagram.

Jovens também na mira

Mas o alvinegro não tem se livrado apenas dos experientes com faixa salarial elevada. O volante Gustavo Bochecha, de 23 anos, também acertou a saída. O destino foi o Juventude.

Também há o viés financeiro: o clube estima redução de custo na casa de R$ 1 milhão por ano, mas o Botafogo, até pela idade, considera que há uma chance de retorno do investimento no meio-campista ao longo dos anos. Tanto que, na transação, 15% dos direitos econômicos ficaram com o jogador. Os clubes dividiram o resto: 42,5% para cada um.

Bochecha estava no ostracismo, fora dos planos do técnico Paulo Autuori e já não tinha sido muito aproveitado por antecessores. Uma proposta mais vantajosa jamais apareceu.

O Botafogo viu no interesse do Juventude a oportunidade de dar visibilidade à cria da casa. Se ele for bem e gerar negociação, o alvinegro terá sua parcela. Ao mesmo tempo, o Botafogo deixa de arcar com salários.

O processo de enxugamento do elenco pode envolver outros jovens pouco aproveitados e que, após oito, nove anos de clube, não estouraram. O atacante Vinícius Tanque foi negociado em definitivo com o Cartagena, da Espanha. Também no ataque, Igor Cássio tem vínculo até setembro.

Por outro lado, o Botafogo renovou contratos ao longo da pandemia de jogadores que considera promissores e importantes. É o caso dos zagueiros Marcelo Benevenuto e Kanu, além do volante Caio Alexandre.

Pendência salarial

A crise financeira botafoguense antecede a paralisação do futebol. O clube fechou 2019 com um déficit de R$ 20,8 milhões, tem dificuldade de geração de receitas e, por consequência, cumprimento das obrigações salariais.

A quitação do mês de março envolve todos os jogadores. Assim, o clube se afasta do risco de debandada via processos judiciais.

Para concretizar o pagamento, o Botafogo precisou recorrer a empréstimos com pessoas físicas. O clube virou o ano com R$ 125 milhões em empréstimos a pagar. O fluxo de caixa do clube é limitado e o crédito em instituições financeiras é muito baixo. Parte do pouco de recurso que entra é via sócio-torcedor e aluguéis.

Até por isso, junho é o mês considerado decisivo para as pretensões de transformação do clube em empresa e busca de investidores.

Fonte: O Globo Online / Foto de Capa: Vítor Silva / Botafogo


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