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Caio “Talismã” relembra Carioca de 2010 pelo Botafogo: “O Joel nos levou ao título”

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Atualmente nos Emirados Árabes, atacante relembra conquista estadual pelo Alvinegro, que completa uma década neste sábado e destaca presença do treinador

Imagine o cenário: um jogador da base, aos 19 anos, é chamado para integrar o time principal, a realização de um sonho. No profissional, vê a equipe ser derrotada em casa por 6 a 0 para um dos maiores rivais. Com a chegada de um novo treinador é acolhido e se transforma em uma arma letal para um título importante. Este é o caso de Caio Canedo, ou “Talismã”, pelo Botafogo.

O atacante foi uma das peças chaves para a conquista do Campeonato Carioca de 2010, que completa dez anos neste sábado. Ao lado de Joel Santana, construiu uma relação de confiança logo no seu primeiro ano como jogador profissional. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, Caio, atualmente nos Emirados Árabes, comenta sobre aquela conquista.

– Para mim foi tudo muito surreal. Estava bem na base e subi já fazendo a pré-temporada com a equipe principal. Não tinha muita ideia da responsabilidade que era jogar um clássico, da grandeza deste tipo de partida. Na época, o Campeonato Carioca era mais valorizado do que hoje. Nosso time tinha Herrera, Loco Abreu e outros jogadores experientes. Estava ali para aprender, muito animado – relembrou.

– Lembro que o ponto chave foi quando perdemos para o Vasco por 6 a 0 e chegou o Joel. A partir dali, houve uma virada. Ele chegou com aquele jeito dele muito carismático, é um cara que abraçava o grupo. A chegada dele deu novo ânimo, aumentou nossa confiança. Mesmo eu estando no banco na maioria dos jogos, pude ajudar bastante. Para mim, foi muito bom como um jogador que estava começando ter essa experiência, enfrentar jogadores como Adriano (Flamengo), Fred (Fluminense). Foi um campeonato que me marcou muito. Tenho na minha mente como lembranças mais marcantes a chegada do Joel, com certeza, foi o que nos levou ao título – completou.

O Botafogo superou a derrota de 6 a 0 para o Vasco e logo engatou uma sequência de vitórias. Parecia até uma outra equipe. A torcida, é claro, sentiu isso. Xodó, Caio caiu nas graças. Um funk que não saía da cabeça dos botafoguenses na época, do MC Bellot, dizia “O Caio é talismã, quando é cruel, tão dizendo por aí que é o filho do Papai Joel”. O atacante lembra do episódio com alegria.

– Escuto esse funk até hoje lá em casa. Meu pai coloca sempre para tocar. O apelido de talismã acho que surgiu de uma coletiva de imprensa do Joel, que se referiu a mim dessa forma. Depois disso, pegou, surgiu o funk. Eu gostei do apelido, achei carinhoso. A torcida também adotou e até hoje tem esse carinho comigo. Amigos meus que torcem para outros clubes, também me chamam assim. Foi um apelido que só gerou felicidade – contou.

Contato com Loco Abreu e Herrera
Recém-promovido, Caio não foi titular em boa parte da campanha, mas tinha a importância de um. Mesmo não iniciando as partidas no onze inicial, o Talismã era uma presença certa no segundo tempo das partidas. A intenção de Joel Santana era aproveitar a velocidade do atacante em cima das cansadas defesas. Deu resultado: o atacante marcou sete gols no estadual.

– O Loco Abreu e o Herrera estavam muito bem. Eu ainda não tinha o porte físico ideal, era mais franzino, levava desvantagem no corpo a corpo algumas vezes. Ainda tinha alguma dificuldade de ganhar massa muscular. Sabia respeitar isso e esperar o meu momento. O Joel sabia a hora certa de me colocar e passou a dar certo. O Edno e o Renato Cajá também entravam bem. Foi tudo perfeito. Não havia vaidade dentro do grupo – destacou.

​Ainda jovem, Caio trabalhou com o “Ataque Mercosul”, experiência que ele trata como positiva. A chegada de Joel Santana, na visão do atacante, foi importante também pela união da equipe, que passou a se encontrar além dos compromissos dentro de campo.

– Os dois (Loco Abreu e Herrera) foram fundamentais com um espírito aguerrido dos argentinos e uruguaios. Fabio Ferreira e Antônio Carlos também foram muito importantes. Eles foram a melhor dupla de zaga do Brasil naquele ano. O grupo era muito unido, fazíamos churrasco, almoçávamos juntos. Depois que o Joel chegou, criamos uma família. Um defendia o outro nas entrevistas. Se alguém estava mal, outro puxava. Nos treinos, todos davam a vida em busca de espaço – afirmou.

A caminhada até a decisão foi longa e com muitos percalços, mas Caio considera que o Botafogo chegou confiante para a partida contra o Flamengo, no dia 18 de abril de 2010. As mudanças internas, de acordo com ele, foram fundamentais para a conquista do título.

– Tudo era novo para mim. Não tinha muita noção do que era tudo aquilo. Só queria treinar, aprender com os mais experientes e me divertir jogando futebol. Quando fomos avançando e vimos que o Flamengo foi quem cruzou com a gente, a pressão de não poder perder aumentou. Chegamos para aquela final muito mais animados, com muito mais força. Foi uma reviravolta muito grande gerada pela derrota por 6 a 0 para o Vasco e a chegada do Joel. Engatamos uma sequência de vitórias que nos deu confiança. A cobrança e a pressão existiam, mas sinto que chegamos mais fortes pelas mudanças internas – finalizou.

MAIS DECLARAÇÕES DE CAIO TALISMÃ

A preleção da final
– Foi tranquilo. Estávamos confiantes, porque havíamos sido campeões da Taça Guanabara. A concentração estava com um clima descontraído, de muitas brincadeiras. Às vezes, os torcedores pensam que ficamos tensos, mas nem sempre isso acontece. Foi justamente o oposto, graças ao Joel, que nos injetou confiança e gerou esse ambiente. Nos sentíamos preparados e prontos para sermos campeões.

Momento da cavadinha
– Já estava em campo. Me posicionei atrás do gol. Na hora que vi a bola batendo na trave pensei que ia sair, mas ela entrou. Meu coração explodiu naquele momento. O Loco Abreu faz jus ao apelido. Ele estava acostumado a fazer aquilo, treinava muito e cobrou assim até na Copa do Mundo daquele ano. Fazer isso em uma decisão, quando estava 1 a 1, com o Maracanã lotado, realmente é pra se respeitar o Loco Abreu. É um excelente atleta.

Defesa do Jefferson no pênalti de Adriano
– O Jefferson tinha muito a nossa confiança. Nos treinamentos víamos o quanto ele se dedicava. Era surreal. Nossa expectativa era sempre acreditar nele. Ele fez aquela defesa difícil, no chão. Foi um momento muito marcante. Meu coração explodiu de novo ali. Depois daquilo, me veio a sensação de que não perderíamos mais aquele jogo.

Comemorações
– Foi uma loucura. Ainda estávamos tomando banho e já havia muita gente no vestiário, algumas celebridades. Eu com 18 anos estava vivendo um verdadeiro sonho. Fizemos muita festa, depois fomos para uma churrascaria. Depois teve uma comemoração na frente de General Severiano. Cantei o meu funk e todo mundo cantou junto comigo. Nunca vou esquecer aquela cena. Vou sempre lembrar com muito carinho desse título. Foi muito marcante na minha vida. Até hoje, lembro de todos os detalhes.

Relação com o Botafogo
– O carinho continua imenso. Sempre que estou de férias no Rio ou em Volta Redonda, os botafoguenses me param, pedem para tirar foto. Nas redes sociais também acontece o mesmo. Pela diferença do fuso horário, fica difícil ver os jogos, mas a minha torcida é sempre para que o Botafogo possa melhorar e fazer Campeonatos Brasileiros melhores.

Pensa em voltar?
– Nunca fecho as portas em nenhum lugar, mas ainda tenho mais quatro anos de contrato aqui (Al-Ain, dos Emirados Árabes). Estou com 29 anos e pretendo cumprir o meu contrato. Hoje minha ideia não é sair dos Emirados, mas vou vivendo passo a passo. O carinho com o Botafogo vai sempre existir. Hoje, o lado financeiro ainda pesa mais para mim, porque tenho muitas responsabilidades com a minha família. Muita gente depende de mim.

O que mudou no Caio Talismã
– Estou mais maduro e mais profissional. Naquela época era ainda um garoto, recém-promovido aos profissionais. Além disso, também mudei a minha posição dentro de campo. Hoje, jogo mais como centroavante, na função de camisa 9, Tem dado certo, tenho feito muitos gols aqui nos Emirados. Fisicamente, fiquei mais forte, fiz um trabalho especial de condicionamento. Tudo isso foi fundamental no meu crescimento como jogador.

Fonte: Lance


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