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Carlos Eduardo Pereira faz balanço do mandato e projeta 2017

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Para a eleição de 2017, CEP não garantiu ser candidato. Ele admite ainda que criar expectativa sobre muitos estrangeiros e demorar a contratar um centroavante foi uma falha em 2016.

Qual o balanço do mandato?
Positivo no conjunto. É claro que tem muito o que fazer. Resgate da parte técnica, da qualidade. Clube de futebol é muito dinâmico, mas temos muitas conquistas. A primeira delas foi fazer o clube voltar a funcionar dentro do mercado. Recebemos o clube quebrado, com contas bloqueadas, penhoras de todos os tipos e salários atrasados. Aos poucos fomos resgatando, voltamos para o Ato Trabalhista, aderimos ao Profut, montamos uma equipe modesta, conquistamos a Taça Guanabara, a Série B e passamos bem de 2015 para 2016, que foi um ano muito positivo. Mesmo com a perda do treinador, que fazia um trabalho de um ano no clube, conseguimos superar a turbulência e levar o time à Libertadores quando todos apostavam que brigaríamos contra o rebaixamento. Isso resgata um pouco da autoestima, que é um objetivo nosso, e coloca o Botafogo no lugar dele. Tem história, tradição, camisa e torcida, o que é fundamental para quem quer brigar no topo. O Botafogo está caminhando. Temos um longo caminho a percorrer.

Qual o principal objetivo do mandato liderado pelo senhor?
É o resgate da autoestima. E tínhamos duas opções. Era o caminho esportivo, que é sempre o mais curto, ou o administrativo. Optamos pelo primeiro, com uma equipe competitiva na Série B. Desde o começo estabelecemos como o objetivo do ano. Nunca disse que queria voltar em quarto, terceiro, mas, sim, como campeão, com folga, para reafirmar o lugar do Botafogo na Série A. Levamos o time para a final do Carioca, apagando um pouco a vergonha de 2014, que foi a pior campanha do time na história dos Brasileiro. Em 2016, novamente finais do Carioca, bem no Brasileiro, ganhamos o Brasileiro Sub-20. Nos outros esportes também tivemos um bom desempenho, com o tetracampeonato de remo, vitórias importantes no pólo aquático, basquete, vôlei, enfim… Os esportes amadores foram bem. A base do futebol voltou à outra final e mostra que tem uma garotada muito boa, um trabalho consistente. Você resgatando, criando um clima favorável, permitindo que a torcida volte a comemorar, é sinal de que a retaguarda vai bem. Clube de futebol é diferente de fábrica de cerveja. Uma quer o lucro, o outro, as vitórias e fazer o torcedor feliz.

Qual o principal objetivo para 2017?
Continuar subindo esses degraus. Cada degrau que subimos torna as coisas mais complicadas. Temos que fazer um bom Campeonato Carioca, contratar alguns reforços pontuais, torcer para o sorteio ser bom na Pré-Libertadores e chegar na fase de grupos. Temos a Copa do Brasil, em que devemos uma participação melhor para o torcedor, e vamos continuar subindo. Mesmo sabendo que ano eleitoral é um ano turbulento, com denúncias e tudo, mas tenho certeza de que está tudo bem encaminhado.

O senhor será candidato à reeleição, no ano que vem?
É muito cedo. Sempre evito falar. Quanto mais cedo o candidato se apresenta, mais ele se torna alvo de ataques. Politicamente, não é o momento de falar em eleição. Não pensei nisso em nenhum momento. É uma decisão do grupo “Mais Botafogo”. Eu também dependo de uma questão familiar, de como minha esposa estará de saúde. Isso influencia muito.

O senhor entende teve havido algum erro?
A gente teve um final de 2015 bom. O Navarro foi bem como atacante, um reforço do mercado sul-americano, e isso nos sinalizou uma alternativa para 2016. Fizemos um trabalho de levantamento e percebemos que não daria para focar o trabalho somente nessas contratações via América do Sul. Não podemos calçar o trabalho neles porque tem todo um processo de adaptação, que envolve família. Trouxemos o Carli, que foi um sucesso fantástico, uma grande contratação. O Lizio, o Salgueiro e o Nuñez não deram certo. Três que ocupariam posições-chave no time não deram certo. E isso deixou o clube com recursos comprometidos e pouco espaço para novas contratações. Faltou um centroavante de peso, já que estávamos com o orçamento apertado. Sabíamos que deixar tudo nas costas dos garotos era difícil, mas foi o que conseguimos. No fim, o Jair Ventura tentou o Rodrigo Pimpão e foi um complemento. Mas foi uma falha não termos conseguido um centroavante. Felizmente, não repercutiu no resultado do campeonato.

De quanto foi o aumento no orçamento pra 2017?
O orçamento é sempre uma grande previsão. Você imagina alguns números, mas como o vice-presidente de finanças, Luiz Felipe Novis, disse com muita felicidade: ele pode virar pó a partir do momento que surgir alguma cobrança gigantesca. Trabalhamos com um crescimento de 20% no futebol, com uma política de controle muito rigorosa. Temos que administrar com as torneiras fechadas, com a máquina de calcular do lado para garantir que cheguemos com a questão financeira, no final do ano, igual a deste ano.

Qual a expectativa em termos de desempenho do time profissional pra 2017?
É muito boa, muito boa. Teremos que fazer uma boa pré-temporada, que é fundamental. Tivemos muitos problemas por contusões no começo do Brasileiro, mas hoje a comissão técnica tem um histórico mais completo desse elenco, então sabe como exigir mais ou menos. Terão que conhecer um pouco mais sobre os que estão chegando. O Canales é uma interrogação, mas esperamos que ele se apresente bem para a pré-temporada, pois é um jogador experiente, o que, em Libertadores, nos dá confiança. Estou confiante em um bom Carioca, que servirá de laboratório para incorporar os garotos campeões do Brasileiro Sub-20. A expectativa com o Jair é essa: o Pachu, Matheus Fernandes, o Yuri, o Gustavo (Bochecha), o Renan Gorne, o Marcelo e o Martinho estão bem entrosados com o elenco principal.

Muitos contratos do elenco principal estão vencendo no ano do fim do mandato. É uma opção? Não é arriscado?

É sempre difícil você concentrar muitos vencimentos em uma data única. Mas ao longo do ano pretendemos renegociar alguns contratos e dividir alguns para 2018, outros para 2019. Mas isso é uma faca de dois gumes. Pessoas podem nos acusar de pretender favorecer A, B, ou C ao deixar um contrato para outra gestão, o que não seria favorável para outro presidente.

As dívidas estão todas mapeadas?
É um problema muito sério. Tem o passível visível e o que está maquiado. O passível cível é muito cheio de surpresas. Porque tem ações tramitando há muito tempo e as pessoas já consideravam que essas ações viraram pó. Assim que o Botafogo voltou a ter postura no mercado, pagando salários em dia, as pessoas aparecem na porta do clube , cobrando. Sem falar da herança deixada pela gestão passada e o elenco de 2014, que foi caro, produziu pouco e não recebeu. Há outros que deixaram de receber direitos de imagem e agora estão aparecendo. Tem causas na FIFA… Ganhamos, recentemente, o direito de receber o pagamento de US$ 323 mil pelo Fellype Gabriel. Estamos disputando contra Loco Abreu, Zeballos, Arévalo Rios. Tem coisas impressionantes. Além do departamento financeiro, o jurídico é de extrema importância. As pessoas, quando mencionam o jurídico, falam de Willian Arão. Ele é um grão de areia no trabalho.

Mas as dívidas estão equacionadas?
Agora conseguimos, com os descontos do Profut, reduzir em quase R$ 100 milhões e seguimos trabalhando. Vamos aguardar o fechamento do balanço, mas não deve ter dado para diminuir muito. Para pagar a dívida, tem que gerar dinheiro novo. E estamos vivendo uma crise complicada no país. Tivemos um 2016 sem o Nilton Santos disponível, e esse anos será o primeiro que o trabalharemos para ter receita. Tivemos a parceria com a Caixa para atuar no ano que vem. A Libertadores foi um fator importante. Mas aí vem a dificuldade: ou você reforça a equipe para essas questões ou paga a dívida. Vai que você paga as dívidas e perde tudo que ganhou no campo… da parte trabalhistas e todas as ações nós temos uma quantia elevada. Eu digo sem medo de errar: se não tivéssemos que pagar o Ato Trabalhista, teríamos uma situação financeira muito melhor. Para janeiro, vamos pagar R$ 1,7 milhões por mês de Ato. E vai aumentando ano a ano, em dez anos. Retiramos dinheiro da receita corrente do clube. Bota aí mais R$ 600 mil de Profut, o que dá R$ 2,3 milhões, uma quantia significativa. Se pudesse levar esse valor para o futebol, seria importante. Eram 10 anos, agora são só oito anos para a divida trabalhista. A fiscal, com o Profut, dura 20 anos. Mas é um caminho que todos os clubes devem seguir, trouxe benefícios. A responsabilização dos dirigentes por má gestão, pelos atos nos clubes, é um caminho interessante. Sempre podemos melhorar, em tudo. Em alguns pontos podemos trazer pessoas, principalmente na área comercial do clube. Neste segmento, num ano em que a economia está difícil, fazer um investimento.

Pelas respostas anteriores, o senhor considera o Botafogo, hoje, um clube viável, rentável?
Se fosse uma empresa, eu te diria que não. Mas é um clube, tem um tratamento de empresa sem fins lucrativos. A nossa busca não é a mesma da empresa que fabrica cerveja. E os consumidores tem um potencial grande, que são os torcedores. Confiamos e contamos muito com eles. Quando se tem um ano com perspectiva, como o de 2017, com estádio disponível e uma equipe que vem de boa colocação, é o momento de ouvir a resposta por meio dos planos de sócio-torcedor, com as idas ao estádio. É um clube viável, mas que demanda cuidados na gestão. Equilíbrio é a palavra mais importante. Entre apresentar bons resultados no campo esportivo e honrar seus compromissos.

Após superar equipes de orçamento maior, o Botafogo se manterá neste patamar técnico e financeiro?
Um amigo meu, conversando sobre esse ano, disse que sou um cara de sorte porque as coisas estão acontecendo no momento certo. Em 2014, o grande desafio era como pagar o Refis (Programa de refinanciamento de dívidas) com contas bloqueadas, cheio de ameaças, a questão do Elkeson (dívida junto ao Vitória que poderia resultar em perda de pontos na Série B) e 22 jogadores indo embora. Passamos um bocado, aí veio o Profut. Aderimos ao Ato Trabalhista e caminhamos bem no Campeonato Brasileiro. Aí a Conmebol aumenta o número de vagas. Estávamos no lugar certo e na hora certa. Acho que tem que contar com uma conjunção de fatores. Nada é isolado. Vamos enfrentar um 2017 desafiador, e vamos buscar nos organizar da melhor maneira possível, com pré-temporada, trazendo os reforços que consideramos importantes e vamos contar com a nossa qualidade e estrela para estarmos no lugar certo na hora certa. Tem muitos clubes com uma capacidade financeira maior que o Botafogo, e por isso perdemos algumas disputas por jogadores, mas o que a torcida pode ter certeza é de que vamos seguir o trabalho montado e tentaremos repor as peças que vamos perder da melhor maneira possível. E se os mais ricos bobearem… porque sabemos que só dinheiro não resolve. Eu mesmo sempre falava que o Atlético-MG era o grande time para 2016, e eles ficaram só três pontos na frente da gente. Um belíssimo resultado para nós, comparado com o que eles investiram.

A Cercred renovou?
Sim. A Cercred estará presente nas mesmas posições, renovou. Vai continuar fazendo também o nosso call center e estamos felizes com isso. Renovamos para 2017, e valor nós não comentamos, porque tem cláusula de confidencialidade.

É possível prever uma parceria de longo prazo com a Caixa?
O contrato acaba agora. Eu não via questões políticas nas negociações com a Caixa. A equipe executiva deles é muito técnica. Todo o trabalho de imagem e visibilidade está ligado à questão técnica. Nós tivemos que contratar empresas especializadas para oferecer retorno à Caixa, comprovando que, em mídia, seria importante para eles. Haverá uma reunião do Conselho da Caixa para a renovação do patrocínio. Claro que é bom contarmos com botafoguenses na política, como o Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados) e o Renan Calheiros (do Senado), mas a questão da Caixa foi toda técnica. Aguardamos a reunião com a certeza de que estamos bem colocados. Até pela visibilidade, todas as prévias do marketing foram positivas. A Caixa recebeu muito mais em imagens do que se tivesse comprado espaços.

Tem plano B, se a Caixa não permanecer?
No futebol, temos que ter plano B, C e D. Mas ainda estamos trabalhando, podemos ter outros patrocinadores na camisa, desde que não sejam concorrentes da Caixa, de menor expressão mercadológica. Um dos esforços do deparamento comercial é procurar os empresários e falar: “Olha, não é um sonho você poder ter um espaço na camisa do Botafogo. É uma realidade.”

Houve recentemente uma polêmica sobre o que teria sido a antecipação de receitas de outros mandatos. O senhor antecipou tais receitas?
Claro que não. Primeiro porque nós somos regidos pela lei do Profut. Você não pode avançar sobre recursos dos outros mandatos. Foram duas negociações distintas: um momento de negociação com a televisão, que nos procurou. E a televisão fez uma adiantamento do contrato, que foi aprovado pelo Conselho Fiscal, pelo Deliberativo, e nós já estamos pagando desde já. Não deixei para outra gestão. E o segundo ponto é um legado importantíssimo que os presidentes assinaram a negociação de 2019-2024, que encerra o ciclo da negociação individual. Hoje é um sistema em que as receitas são distribuídas de forma igualitária. Uma parte vai para sua posição no campeonato e a fica relativa à visibilidade dos seus jogos na televisão. Se tiver um desempenho bom em campo, você deve ter um ganho positivo. Para assinar esse contrato, você recebe uma luva, e foi isso. É algo político, e é melhor que eu assuma e lide com isso. Mas foi tudo discutido dentro do clube, até porque foi pré-requisito da televisão passar pelo Conselho.

Há propostas estatutárias em discussão no Conselho Deliberativo. O sócio-torcedor terá direito a voto?
Entreguei a proposta na última reunião do Conselho Deliberativo. Uma comissão trabalhou nessa proposta e a diretoria revisou. O Jorge Aurélio, presidente do conselho, nomeou uma comissão para trabalhar nessa proposta. Um dos itens é o sócio-torcedor com direito a voto. Eu não vejo essa ansiedade do Sócio-Torcedor fora das possibilidades de hoje. O clube tem o sócio-contribuinte, que paga uma joia e tem todo o direito de andar no clube e pode votar. O Sócio-Torcedor é mais ou menos isso. Agora, ele tem que ter fidelidade ao clube. A partir do momento que quer participar do processo eleitoral, ele tem que participar do clube ao longo de um tempo. Até para que ele possa avaliar corretamente na hora de votar. Um bom candidato não é o que ganha todos os campeonatos, tem que olhá-lo como um todo. É bom que o sócio conheça o clube, os problemas internos… em termos políticos, o conselho vai fazer um trabalho importante e esse será um grande legado. Até porque está entrelaçado com melhorias nos campos administrativo e financeiro.

E quando isso será votado no Conselho Deliberativo?

O novo estatuto será votado em blocos. Espero que até o final deste ano, e que isso já seja um legado para a próxima gestão. A ideia é que afete essa próxima eleição (a eleição para a presidência do Botafogo será no final de 2017).

O Estádio Nilton Santos era viável? Se não, passa a ser em 2017?

Nós nunca contamos com o Nilton Santos em sua plenitude. Fizemos algumas partidas da Série B, mas sempre com as as arquibancadas superiores sendo impossibilitadas, além daquela dúvida causada com resto da obra. O estádio estava sob suspeita antes, depois cedido em 2016 para os Jogos Olímpicos… só vamos contar com ele em 2017. A experiência que temos vem desde 2015, e o legado olímpico ainda será testado, principalmente na questão de iluminação, em que se tem dois segmentos da iluminação em relação a pista de atletismo e ao campo de jogo. Acho que a customização vai fazer a torcida do Botafogo abraçar o estádio. E isso é o segundo passo desde que conseguimos, em 2015, fazer a prefeitura chamar o estádio de Nilton Santos. Não existe ninguém mais botafoguense do que ele para simbolizar tudo de apaixonado pelo Botafogo. Customizando o estádio e deixando de ser o “azulão” para ser o estádio do Botafogo, daremos mais um passo importante. Criamos um Setor Norte, extremamente popular, que dá para pagar R$ 200 no ano e assistir todos os jogos… e isso cria toda a fidelização, sendo importante que o Sócio Torcedor acompanhe o time durante o ano todo. Realmente, queremos fazer uma política agressiva para que o estádio pegue e caia na graça do torcedor, que ele se sinta em casa e o adversário se sinta dentro da casa do Botafogo.

Flamengo e Fluminense inauguraram seus respectivos CTs esse ano. O Botafogo tem algum plano do tipo para o futuro?

A questão do CT é fundamentalmente ligada a dinheiro novo. Estima-se que precisaríamos de 150 mil m² para fazer um CT integrado, e como a maioria dos jogadores mora na Barra da Tijuca… é uma região hipervalorizada. Você tem opção de terrenos em parceria com os governos. Em 2013, a prefeitura cedeu aos grandes clubes os terrenos. Semana passada, recebemos uma notificação do Ministério Público de um inquérito em relação à terrenos cedidos pela prefeitura. Graças a Deus não fizemos nada no terreno. O MP mandou que não fizéssemos nada, e, se tivéssemos feito, estaríamos em uma grande confusão. E o CT tem que ser feito com recursos próprios. E não conseguimos juntar para isso. Temos que trabalhar com o que temos. Hoje temos o futebol no Nilton Santos, a base no Caio Martins e General Severiano, e faremos uma limpeza em Marechal Hermes para movimentarmos aquela sede. Essa descentralização não é o melhor, mas é o que parece mais viável para o momento, de acordo com as dificuldades de se comprar os terrenos. A não ser se aparecesse alguém da iniciativa privada. Mas a nossa capacidade de endividamento está no limite. E um desejo meu é que os garotos da base voltem a jogar aqui em General Severiano. É muito importante que o jovem que esteja no Botafogo conheça o clube, passe pelo túnel, pelo centro de memória e veja quão importante é o clube e reforce ainda mais os seus laços com o Botafogo nos próximos anos.

 

Fonte: Lancenet!


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