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Cidinho: “Passei mais tempo no Botafogo do que nas escolas. Foi minha vida”

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Cidinho, ex jogador do Botafogo falou sobre sua passagem pelo clube, seu período de treinos no Corinthians e sobre sua vida na França.

Como você foi, ainda muito menino, para o Botafogo?

Cidinho: Eu jogava futsal em um projeto social, em Mesquita. Tinha 7 anos. Um olheiro do Botafogo estava procurando jogadores para disputarem o Carioca de futsal. Ele me viu e me levou pro clube.

Você cresceu no clube, fazendo sua base inteira por lá. Quais eram as dificuldades enfrentadas nesse processo em termo de estrutura do clube?

Cidinho: Nós tínhamos algumas dificuldades. Em alguns anos, não tínhamos campos disponíveis para treinar e os poucos que tinham, não eram bons. Depois de um tempo, foi melhorando. O clube foi dando mais valor pra base. Os dirigentes não tinham muita força pra investir na base. Na entrada do Maurício Assumpção, deu uma boa melhorada. Ele deu muito valor pra base.

Você sobe em 2011 pro profissional, fazendo bons jogos. Como foi esse processo de subida?

Cidinho: Foi o momento mais feliz da minha vida. Realizei o sonho de me tornar profissional pelo clube que eu amo. Subi, fiz bons jogos. Foi muito legal! O processo de subida foi muito legal também. O técnico do profissional era o Caio Júnior e o da base, o Eduardo Húngaro. Tenho carinho pelos 2 até hoje. Infelizmente, o professor Caio veio a falecer no acidente da Chape. Fiquei muito triste, mas tenho muito carinho até hoje. Lembro que ele me chamou na sala e me deu a notícia. Disse que a partir daquele momento, eu faria parte do elenco profissional. Pra eu avisar à minha família e me preparar. O Húngaro também teve uma conversa muito séria comigo, que me fez crescer e chegar ao profissional.

Em 2012, o Botafogo contrata o Seedorf. Como foi a chegada dele para vocês?

Cidinho: Foi um momento bem diferente no clube. Ninguém estava acostumado a conviver com um ídolo mundial. Depois que ele foi anunciado, todos ficaram esperando a sua chegada. Ele chegou no dia do jogo contra o Bahia. Tenho esse jogo guardado na memória, pois marquei 2 gols nesse dia. Ele foi ao vestiário nos dar boa sorte antes do jogo e apertou minha mão. Fiquei olhando e pensando se era mesmo verdade que ele ia jogar comigo.

Como era a convivência diária com ele?

Cidinho: Era muito legal. Ele era muito bacana, gente boa. Gostava de cobrar. É um cara muito profissional, por isso cobrava muito, mas tinha tempo para as brincadeiras. Tínhamos um relacionamento muito bom, até porque sentávamos lado a lado no vestiário. Estávamos sempre perto um do outro. Ele era um paizão meu. Sempre que eu dava mole, ele puxava minha orelha. Isso, pra mim, é uma honra! Passar esse tempo com esse craque foi muito legal.

Havia na época a comparação entre o “Seedinho” e o “Seedão”. Como era essa brincadeira entre vocês?

Cidinho: Era muito legal. Vinha da torcida, mas eu gostava muito. Estava fazendo parte de uma brincadeira com um grande ídolo mundial, que passou por gigantes como Milan, Real e Botafogo.

Você acha que poderia ter ajudado a equipe a escapar do rebaixamento em 2014?

Cidinho: Creio que sim. Infelizmente, eu não joguei esse Brasileirão, pois me machuquei no Carioca de 2014. Creio que poderia ter ajudado. Foi muito triste pra mim. Vi meu time ser rebaixado e não pude ajudar.

Como você, de dentro do elenco, viu o afastamento do Bolívar, Sheik, Júlio Cesar e Edílson?

Cidinho: Eu não entendi muito. Não tenho muito a falar, pois como eu estava lesionado, não participava muito das reuniões do grupo. Ficava mais na fisioterapia, mas não entendi muito…

Havia uma expectativa pelo seu futebol em 2015, na Série B, já que o clube teoricamente teria mais espaço para atletas da base. Porque você não chegou a jogar neste período?

Cidinho: Em 2015, eu já estava recuperado da lesão. Não tinha mais nada. Esperava voltar a jogar, mas os diretores e a comissão técnica que estavam no clube não me deram essa oportunidade. Infelizmente, o futebol é assim. No final de 2015, acabou meu contrato. A única coisa que tenho a reclamar, é que após anos e anos de clube, ninguém veio me falar que não contariam mais comigo e que meu ciclo no clube tinha acabado. Simplesmente meu contrato acabou e ninguém falou comigo. Do Botafogo, não tenho nada a reclamar, mas não gostei do que a diretoria que estava em 2015 fez. Foi um período muito difícil pro Botafogo, então eu até entendo, mas foi uma das poucas coisas que eu não gostei.

Você ficou alguns anos afastado do elenco principal e acabou tendo uma saída confusa do clube. Como foi, de fato, essa saída?

Cidinho: Tive uma lesão complicada em 2013. Voltei em 2014 e tive uma lesão no mesmo lugar. Só consegui voltar em 2015. A fisioterapia do clube me deu todo apoio e consegui me recuperar, mas quando voltei, não tive nenhuma chance de jogar. Não vou reclamar, mas acho que não foi legal. Depois de tudo que passei no clube, acho que merecia, pelo menos, uma chance. A comissão e a diretoria da época não me deram essa oportunidade. Foi assim que eu saí. O clube afastou alguns jogadores em 2015 e eu fui junto. Não entendo até hoje, mas segui minha vida.

Depois do Botafogo, você foi treinar no Corinthians. Havia um acordo para você jogar pelo clube ou era apenas para se recuperar fisicamente?

Cidinho: Não, eu fui lá só para manter minha forma física. Eles me abriram as portas e eu treinei lá por uns 2 meses, mas só pra manter minha forma.

A gente tem diversos casos de jogadores que passam pelo DM do Botafogo e tem problemas que atrapalham suas carreiras. Você acha que suas lesões poderiam ter te prejudicado menos se tivesse um tratamento diferente?

Cidinho: Não tenho nada a reclamar. Sempre deram todo o suporte que eu precisava. São muito bons no que fazem. Esses problemas de lesões no Botafogo, na época, foi outro problema, que eu prefiro não comentar. Depois desse tempo todo, não tem porque eu expor algumas coisas. Não vale a pena.

Desde 2017 você está na França. Como foi a mudança para Europa?

Cidinho: Foi um pouco difícil no começo. É outra cultura, outra língua, outro clima. É muito diferente, mas gosto muito da França. Minha filha nasceu aqui, minha esposa gosta muito do país. Eu também gosto muito. Estamos muito bem aqui, então creio que ainda ficaremos por mais alguns anos.

Você tem a expectativa de voltar ao Botafogo um dia?

Cidinho: Sim, com certeza! Tenho vontade de voltar um dia, mesmo tendo ficado muitos anos, sinto que poderia ter feito mais pelo clube, ainda mais levando em conta a forma da minha saída. Creio que não seria fácil, seria daqui a alguns anos, nem que fosse para trabalhar em outra área do clube. Seria um honra, o Botafogo foi o clube que me criou. Passei muito mais tempo no Botafogo do que em escolas. O Botafogo foi minha vida. Se um dia eu puder voltar pra trabalhar, será uma honra, mas se não puder, estarei sempre torcendo. Tenho muitos amigos lá. O Botafogo vai sempre estar na minha história.

A torcida do Botafogo nutre um grande carinho por você. Como é sua relação com o clube hoje?

Cidinho: Graças a Deus, eu tenho o carinho da torcida do Botafogo. Eles estão sempre me mandam mensagem. Quando vou ao Brasil, sempre me param na rua pra falar comigo. Infelizmente, muitos não entendem até hoje a minha saída, pela forma que foi, mas eu entendo, ficou uma coisa meio mal contada. Hoje creio que possam entender. Sou muito grato pelo carinho de todos e sou muito fã da torcida do Botafogo. Jamais vou esquecer da festa que a torcida fez num jogo contra o Ceará, em 2011, quando fiz meu primeiro gol como profissional. O Engenhão estava completamente lotado. Ficaram milhares de pessoas do lado de fora querendo entrar. Eu lembro disso até hoje. Foi um dia que ficou marcado na minha história.

Gostaria de deixar um recado pra torcida?

Cidinho: Meu recado pra torcida e pra todos os botafoguenses é o meu obrigado por todo carinho que tiveram comigo e que tem até hoje. E, também, as minhas desculpas por não ter conseguido mostrar tudo que esperavam de mim. Por não ter conseguido dar títulos e mais vitórias pro clube e pra eles. Dizer também que ninguém mais que eu queria ter feito mais pelo clube no profissional, mas são coisas que a gente não tem controle. Só tenho a agradecer. Tô sempre na torcida e espero que essa torcida possa ter muito mais alegrias. É isso que eu espero!

Fonte: Seleção Alvinegra


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