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Com a volta do futebol, baixas para o DM aumentam 77% em relação ao período pré-pandemia

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Sequência de jogos com calendário apertado ajuda a justificar o número alto de vetos clínicos nos clubes da série A. Fluminense, Ceará, Grêmio e Vasco estão entre os times mais impactados

A retomada das atividades no futebol brasileiro, que estava paralisado pela pandemia do coronavírus, trouxe um impacto direto nas escalações das equipes: as contusões. Desde então, os clubes da série A tiveram, somados, 249 baixas para o DM. Um aumento de 77% em relação ao início do ano, quando os times registraram 141 casos.

– Futebol brasileiro é totalmente atípico nessas questões. A medicina, fisiologia, fisioterapia sabem trabalhar com um calendário congestionado, porque não é somente o número de jogos na temporada. Esse ano, a gente tem o calendário congestionado até fevereiro. Por isso, teremos clubes jogando 9 vezes por mês sem a possibilidade de fazer uma semana recuperativa – avaliou o fisiologista do Palmeiras, Daniel Gonçalves.

Desde 2016, o período entre agosto e outubro já costuma ser congestionado de jogos. Com a pandemia, o número de partidas de times da série A, entre agosto e 9 de outubro – data final da apuração desta reportagem, explodiu. Em relação a 2019, houve um aumento de 33% no número de jogos no período: passou de 144 partidas para 191.

  • 2016 – 154 jogos
  • 2017 – 122 jogos
  • 2018 – 165 jogos
  • 2019 – 144 jogos
  • 2020 – 191 jogos

– Todo o estresse emocional, envolvido com a pandemia, isso tudo, sem dúvida, tem repercussão física e o calendário hoje em dia, em função da pandemia, precisou ser apertado, há uma densidade de jogos muito maior, sempre dois jogos por semana, isso aumenta muito o risco de fadiga, de estresse muscular, então, isso se reflete no aumento da incidência de lesões nesses atletas – completou o diretor médico do Vasco, dr. Marcos Fernandes.

Desde que o futebol retornou, os times passaram a enfrentar uma sequência de jogos sem intervalo propício de descanso e treinos entre as partidas. Com 26 jogos, o Ceará é a equipe que mais entrou em campo nesta retomada das atividades e é o segundo time com mais baixas médicas no pós-volta do futebol: são 19 até o momento. Apenas um clube o supera: o Fluminense. O tricolor carioca tem sofrido com inúmeras baixas e já acumula 30 casos em 2020, sendo 20 só com o retorno das atividades presenciais. O time de Odair Hellmann é o terceiro que mais entrou em campo na volta do futebol, ao lado do Grêmio, ambos fizeram 23 partidas.

No entanto, apesar do Fluminense liderar o número de casos, um clube chama a atenção. Se no início do ano o Vasco teve apenas a lesão na coxa do ex-goleiro Jordi como desfalque nas partidas, agora as dores de cabeça aumentaram bastante. O número saltou de 1 baixa para 15 pós-volta do futebol – um aumento de 1400% no número de casos. Outro clube que teve um aumento percentual grande das baixas médicas foi o Grêmio. De 5 desfalques por veto clínico no início do ano, esse número pulou para 17 – incremento de 240%.

Baixas médicas por time com o retorno do futebol

Veja as equipes com maior variação de casos no departamento médico comparando o início do ano com os meses desde a retomada das atividades

TimeBaixas médicas pré-pandemiaBaixas médicas pós-volta do futebolVariação percentual entre os períodosTotal de baixas em 2020
Vasco1151400%16
Grêmio517240%22
Atlético-GO13200%4
Corinthians513160%18
Fortaleza512140%17
Ceará819138%27
Botafogo614133%20
Palmeiras614133%20
Goiás511120%16
Fluminense1020100%30
Internacional918100%27
São Paulo71386%20
Athletico-PR71157%18
Santos101330%23
Bahia81025%18
Coritiba121417%26
Bragantino8913%17
Atlético-MG660%12
Sport1210-17%22
Flamengo107-30%17
Total de baixas14124977%390
Tabela: Roberto Maleson / Fonte: GE

Conforme percebe-se acima, o Flamengo conseguiu reduzir suas baixas médicas em 30%. Antes da pandemia, o rubro-negro estava entre os cinco times com mais casos na elite do futebol brasileiro, com 10 baixas médicas. Agora, esse número caiu para 7. Uma diminuição de 30%.

Isso, claro, sem contar o surto de Covid-19 que atingiu quase todos do elenco carioca. Por não ser um problema decorrente da prática do futebol, os casos de jogadores com coronavírus não entraram no ranking assim como jogadores que perderam partidas por gripe, indisposição ou qualquer quadro viral. No entanto, o GE contabilizou até a publicação desta reportagem, 103 casos divulgados de Covid-19 nos atletas de times da série A. Na conta, entraram apenas os jogadores que tiveram seus casos publicados na mídia ou que foram apurados pela equipe de setoristas do GE espalhados pelo Brasil.

Vale destacar ainda o desempenho do Atlético-GO. O clube goiano registrou apenas 4 baixas médicas em 2020 – número bem abaixo de todos os demais concorrentes na série A. Com o Campeonato Goiano parado até 2021, Goiás e Atlético-GO são os times com menos jogos desde a retomada do futebol: 12 e 17 jogos, respectivamente. O que ajuda a explicar menos casos no Dragão.

Número de baixas aumenta em relação a 2019

Além de comparar com o desempenho dos clubes dentro da mesma temporada, a reportagem do Esporte Espetacular também comparou os vetos clínicos entre os clubes da série A com os casos registrados entre agosto e 9 de outubro – data final da apuração no levantamento para a reportagem em 2019.

Este período entre agosto e outubro já é caracterizado, nos últimos anos, por ser congestionado de jogos, conforme enumerado no início desta reportagem. Com a pandemia em 2020, a sequência de partidas ficou ainda maior e os clubes passaram a sofrer com mais problemas médicos.

Na soma de baixas entre agosto e 9 de outubro, o ano de 2020 registrou 195 casos. Um aumento de 46% em relação a 2019, que registrou 134 vetos clínicos no mesmo período.

Critérios e metodologia

As informações levantadas para esta pesquisa foram retiradas dos sites oficiais de cada um dos 20 times que disputam a série A em 2020, além do apurado pelos setoristas do GE no dia a dia dos clubes.

O recorte temporal deste levantamento foi de 01 de janeiro de 2020 até a última sexta-feira: 9 de outubro de 2020. Todas as baixas médicas sofridas pelos jogadores fora desse universo temporal não entraram na pesquisa.

O critério para inclusão de um atleta no levantamento foi o veto pelo departamento médico de, pelo menos, uma partida oficial por motivo clínico. Todos os problemas médicos que impediram a escalação do jogador na equipe para a partida seguinte foram computados no levantamento.

Jogadores poupados e com desgaste físico não entraram na conta assim como problemas fisiológicos. Casos de coronavírus não entraram no ranking, mas a reportagem apurou todos os casos divulgados ao público.

Fonte: GE / Foto de Capa: André Durão – GE


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