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“De ponta-cabeça”: como os clubes viram a pandemia; estudo prevê retração de R$ 1,3 bilhão

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Em balanços, dirigentes demonstravam temer efeitos da paralisação. Acordos e demissões são as saídas mais recorrentes antes da bola voltar a rolar. Projeção é de cenário similar ao de 2016

Ainda sem perspectiva da bola voltar a rolar em todo o país, os clubes ainda buscam alternativas e estudam o cenário provocado pela pandemia do novo coronavírus. A doença impactou o calendário brasileiro e entrou no vocabulário do futebol. Em balanços financeiros, dirigentes de clubes brasileiros previam quadro caótico (“o mundo virou de ponta cabeça”, destacou uma carta de presidente, como você vai ver mais abaixo), enquanto outros não se arriscavam em prognósticos ou minimizavam.

Parados desde a primeira quinzena de março, as diretorias contabilizam prejuízos. Apesar de iniciativas para o retorno do esporte – com protocolos diversos e muita discussão sobre a prática desses procedimentos -, o mês de junho deve marcar os 90 dias de paralisação.

Consultora que atende alguns clubes brasileiros – hoje trabalha com o América-MG, Atlético-MG, Flamengo, Internacional, Grêmio, RB Bragantino e a CBF -, a Ernst & Young fez novos cálculos com a premissa de que os jogos retornem no mês de julho, sem público.

Em dois cenários – um mais otimista e outro mais pessimista – prevê retração das receitas globais do futebol no país. Se em 2019 bateu R$ 6 bilhões, neste ano de 2020 deve gerar menos R$ 1,3 bilhão – com outra projeção pior, de R$ 1,9 bilhão de redução de receita. Não vai chegar a R$ 5 bilhões.

O principal impacto, proporcional, é na arrecadação com o “Matchday” – faturamento em dias de jogos, pois serão sem público, mas as perspectivas são de queda em todos os itens. Depois de anos de crescimento, o resultado final leva o futebol de volta aos valores de 2016, observa a consultora.

As análises preliminares dos balanços

Em balanços financeiros de 2019 e nos primeiros retratos de 2020, os clubes já sentiam a possibilidade de retração no mercado. Dos 20 clubes da série A, 12 deles trataram da pandemia no documento oficial de apresentação de contas.

O GloboEsporte.com relata abaixo o que cada um previa para a temporada e quais medidas já tomaram – ou pretendem tomar – até aqui. Confira abaixo.

Athletico

O clube paranaense avaliava como “incerta a magnitude que a pandemia terá sobre a condição financeira do clube, liquidez e resultados futuros das operações”. Comentava ainda que se a pandemia perdurasse, “ela poderá vir a ter um efeito adverso/material nos resultados de operações futuras do clube, posição financeira e liquidez no exercício de 2020”.

Na última semana, o Athletico confirmou mais uma venda. Depois de Léo Pereira (5 milhões de euros) e Roni (6 milhões de euros), negociou por 8 milhões de euros outro zagueiro, Robson Bambu, para o futebol francês.

Atlético-GO

Na “mensagem do presidente face ao acontecimento da pandemia”, Adson Batista trata de maneira franca sobre os efeitos do coronavírus. Projetava crescimento de R$ 19 milhões, em 2019, para R$ 61 milhões de receitas, em 2020, mas “o mundo girou de ponto à cabeça em poucos dias”, alertou o dirigente, que calculava perdas de R$ 4,1 milhões em 2020 com jogos de portões fechados e de R$ 5,4 milhões com a perda de patrocinadores.

Diante de todos os problemas, na carta, Adson calcula que fecharia o ano com metade da receita orçada – ou seja, R$ 30 milhões. Ele ainda estimava a possibilidade de passar um ano sem jogar. Como saída, anteciparia 30% dos direitos de transmissão, o que seria “suficiente para o pagamento de todas as pendências se o clube precisar fechar até o final do ano”.

Os goianos sofreram com a inadimplência de um parceiro comercial, que tem sociedade com um grupo chinês. O acordo significaria total de US$ 1,1 milhão ao Atlético-GO, mas depois do atraso inicial o parceiro alegou a pandemia como causa do não pagamento.

O clube decidiu suspender contratos de 60% dos funcionários e vai negociar redução de salários de jogadores.

Bahia

Em análise sobre os efeitos econômicos da pandemia, o Esporte Clube Bahia tratava “em cenário de paralisação operacional” de plano de contingenciamento. O que significaria “redução de custos, repactuações com parceiros e negociações com credores, utilizando bases legais.”

O clube fez estudo para absorver o impacto econômico e, entre as medidas tomadas, há acordo coletivo com atletas da base e funcionários. Aqueles que têm salários menores tiveram seus rendimentos garantidos. À medida que o valor aumenta, houve redução variando de 10% a 20%.

Botafogo

Na página 73, o texto assinado pelo presidente Nelson Mufarrej dizia que “não era ainda possível mensurar os impactos que advirão em seus negócios”, nem no curto, médio ou longo prazo, mas já avisava que uma retração no mercado do futebol afetaria suas operações adversamente.

O clube demitiu cerca de 40 funcionários no início deste mês.

Corinthians

O clube do Parque São Jorge sinalizou que as demonstrações financeiras publicadas ainda não levavam em conta os “impactos gerados pela pandemia causada pela Covid-19” e avisava que “o clube está administrando as potenciais implicações econômicas e contábeis do coronavírus”, sem entrar em mais informações sobre medidas a serem adotadas.

O Corinthians já tomou algumas medidas. Reduziu em 50% e 70% o salário dos empregados (com exceção dos jogadores de futebol, que tiveram corte de 25%), mas ainda há possibilidade de demissões. A direção planeja enxugar as comissões técnicas e, até mesmo, os elencos de base.

Flamengo

Com quase R$ 1 bilhão de receitas no super vitorioso ano de 2019, o Rubro-Negro sentiu o efeito do coronavírus no cofre e realinhou o discurso. Ainda no balanço, comunicou que “fez um testes de stress” com cenário de interrupção de jogos por três meses e concluiu: “os impactos financeiros são absorvíveis e não representam risco de continuidade nas operações”.

Em pouco tempo, foi obrigado a rever quase tudo. O balancete do primeiro trimestre já admitia que o impacto “é mais longo e severo do que o imaginado em março”. Trocou o otimismo pela “situação transitória” para uma dose de imprevisibilidade: “não é possível indicar o fim da crise”.

O clube demitiu 62 funcionários e homologou acordo de redução dos salários de funcionários a partir de maio – corte de 25% para quem recebe acima de R$ 4 mil. Jogadores abriram mão do direito de imagem até o ano que vem. Este valor será pago posteriormente.

Fluminense

Na página 33 do balanço, o Tricolor anunciou três impactos diretos – na receita de bilheteria, de patrocínios e de direitos de transmissão – e avisou que seguiria “monitorando de forma diligente toda e qualquer informação a respeito do tema” e avaliaria alteração das projeções e estimativas relacionados aos riscos em seus negócios”.

O clube não demitiu funcionários. Fez acordos diversos, entre empregados e jogadores, com reduções que variam de 15% a 25%.

Fortaleza

Entre os “eventos subsequentes” citados ao fim do relatório de demonstrações financeiras de 2019, o Fortaleza informava que fez análise financeira de fluxos de caixa para período de interrupção de jogos de, aproximadamente, três meses e reconhecia “desconforto de possíveis impactos financeiros que possam vir a afetar a continuidade de suas operações”.

O clube foi um dos primeiros a chegar a acordo de redução salarial. Houve abatimento de 25% dos vencimentos de março. Os dirigentes abriram mão de 15% de salário.

Goiás

De maneira objetiva, o presidente Marcelo Gonçalves de Almeida e o vice-presidente administrativo financeiro, Rogério Santana Ferreira, faziam contas para “alteração nos fluxos de caixa” de R$ 800 mil para os próximos três meses, pela interrupção de dois contratos de patrocinadores – um por rescisão, outro por suspensão.

O clube suspendeu contratos de 60% dos funcionários e ainda negocia com os atletas.

Grêmio

O clube gaúcho, na página 11 de seu relatório, salientava que acompanhava a evolução “dessa situação e atuaria intensamente para mitigar os efeitos econômicos que porventura venham a afetar a continuidade das atividades desenvolvidas”. No relatório do primeiro trimestre, apontava diferença de 23% entre o orçado e o realizado – de R$ 116 milhões para R$ 92 milhões.

Os jogadores aceitaram acordo e abriram mão, neste primeiro momento, de direitos de imagem e ainda avaliam novas medidas.

Internacional

No balanço, o Colorado informava que os patrocinadores do clube ainda não haviam formalizado qualquer alteração no fluxo de pagamentos contratual. Também anunciava estudo de alternativas e medidas para minimizar os efeitos econômicos da pandemia.

O clube demitiu 44 funcionários, cortou temporariamente direitos de imagem e chegou em acordo de redução de 25% dos salários de jogadores.

Um reflexo da nova condição do clube no pós-pandemia é a renovação de contrato de Rodrigo Dourado. O jogador assinou por mais dois anos sem valorização salarial ou luvas no acordo.

Palmeiras

O clube paulista, segundo em faturamento no ano de 2019, tratava a Covid-19 apenas para registrar o motivo da não realização da reunião do Conselho Deliberativo para apreciar as contas. O mesmo registrou o São Paulo e o Sport.

O clube chegou a acordo e reduziu em 25% salários de dirigentes, comissão técnica e jogadores.

Vasco

No relatório sobre as finanças do clube, o presidente Alexandre Campello considerava o “momento extremamente crítico” e comentava: “O ano de 2020, portanto, será duramente marcado por dificuldades financeiras não somente para o Vasco”, comentando que na finalização do balanço já observava a redução de entrada de receitas.

Com dificuldade para pagamentos de compromissos do dia a dia e atraso salarial de três meses, ao menos com atletas, Campello escreveu no documento que “o clube ainda não pode e nem deve se comprometer com investimentos mais expressivos no futebol profissional”.

O Vasco demitiu cerca de 50 funcionários e, anteriormente, suspendeu contrato de cerca de 60 funcionários por dois meses – até 1º de julho.

Fonte: Globoesporte.com


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