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Dia Histórico. Botafogo está perto de virar empresa. Leia e Entenda!

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Sócios votam hoje novo modelo; time tem dívida de mais R$ 1 bilhão

O Botafogo de Futebol e Regatas está prestes a adotar o modelo de empresa. O projeto, que já foi aprovado pelo conselho deliberativo do clube, será levado hoje para assembleia de sócios, em sua sede no Rio. A medida é percebida como a única saída para o time, que tem contas em atraso desde setembro e deve fechar o ano com receita de R$ 157,6 milhões

para uma dívida superior a R$ 1 bilhão, quando consideradas contingências que estão fora do balanço. No horizonte, vencimentos superiores a R$ 200 milhões no próximo ano.

A estrutura criada está distante de se resumir a um caminho apenas para captar recursos. Tampouco é um passo intermediário para permitir que o Botafogo possa pedir recuperação judicial, como muito se difundiu. O desenho combina a captação de recursos, com a entrada de um sócio controlador e a reestruturação das dívidas. Sem reorganização dos vencimentos, não há dinheiro novo.

“O Botafogo tem problema sim, mas tem uma oportunidade muito grande de sair na frente no processo de profissionalização do futebol brasileiro”, afirmou Marcelo Saad, da butique de negócios Laplace Finanças, que atuou no desenvolvimento do modelo para o clube, durante a apresentação ao conselho deliberativo.

Imagens do Plano de Negócio para os Próximos 10 anos

Em sua exposição, Saad foi categórico: “Sem aporte não é viável que o Botafogo tenha continuidade por muito tempo”. Ele demonstrou que, neste ano, antes de pagar juros e parcelas de dívidas, o resultado do clube deve ser de R$ 6,5 milhões. Segundo Saad, com esse desempenho, sem considerar juros, seriam necessários mais de 120 anos para pagar os compromissos existentes hoje.

A estrutura jurídica saiu da mente de três nomes do mercado financeiro brasileiro, todos advogados e botafoguenses apaixonados, com destaque para Marcelo Trindade, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e neto do primeiro presidente do Botafogo atual, fruto da fusão entre o Club de Regatas Botafogo e Botafogo Football Club, em 1942. André Chame e Francisco Mussnich completam o trio.

“É uma saída totalmente de mercado. Não depende dos projetos de lei em discussão no Congresso. Se vier uma nova lei será ótimo, mas as bases são as já existentes”, afirmou Trindade.

A votação ficará aberta das 9 horas até as 21 horas para os associados. Contudo, a decisão já foi tomada. Pelo estatuto do clube, a definição pela transição pertence ao conselho deliberativo, que aprovou a medida por unanimidade no dia 12. O resultado da assembleia de hoje não tem capacidade de modificar as decisões referendadas há cerca de duas se semanas, mas é importante para reforçar a segurança jurídica da mudança. O clube tem hoje mais de 2000 associados ativos.

Para o modelo de salvação do time definiu-se que o valor mínimo de aporte no futebol tem de ser R$ 200 milhões. Os recursos virão de um novo investidor. Para receber o dinheiro, os ativos do futebol serão separados e aportados pelo clube em uma Sociedade de Propósitos Específicos (SPE) – Botafogo S.A. O investidor se tornará dono de 100% dessa SPE, após a injeção de capital. A empresa, por sua vez, terá um contrato de pagamento de royalties para o clube.

Entretanto, esse dinheiro só entrará no negócio se houver sucesso na reestruturação das dívidas. Para essa etapa, será criado um Fundo de Direitos Creditórios Não Padronizado (FIDC – NP) e um investidor (ou mais de um) vai se comprometer com recursos para comprar as dívidas privadas do clube, entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões. Há interesse de já promover a solução das contigências fora do balanço, que superam R$ 230 milhões. Também será oferecido a esses credores trocar os créditos por quotas do fundo.

Não há um valor pré-definido sobre o aporte no FIDC. Os credores receberão à vista um valor menor para quitar seus compromissos. O fundo, por sua vez, vai assumir o direito por seu valor de face, mas oferecerá ao clube prazo muito mais alongado para pagamento. O investidor que comprar a SPE poderá ser o mesmo do FIDC, mas não obrigatoriamente – nem exclusivamente.

Toda essa estrutura poderia ser aplicada a qualquer companhia de mercado. Até aqui, é um modelo “puramente de mercado”. Mas, além de resolver a questão financeira do clube, o projeto também precisa atender à paixão botafoguense.

“Essa estrutura visa alcançar a combinação entre o legítimo interesse de quem vai investir no Botafogo e nosso ainda mais legítimo interesse em proteger os desígnios do clube”, afirmou Trindade na apresentação ao conselho, dia 12, logo após destacar que o que todos ali queriam era ver um Botafogo “grande e vitorioso”.

A saída para ligar paixão e retorno financeiro foi atrelar incentivos ao FIDC relacionados à conquista de títulos e desempenho do futebol. Há aceleração de pagamentos em caso de premiações e punições para situações de rebaixamento.

Atualmente, considera-se como grande entrave para os clubes se transformarem em empresa as perdas das isenções fiscais do modelo de associação. Sobre isso, Trindade explicou que o desenho foi feito para ser eficiente também do ponto de vista fiscal.

As dívidas com o FIDC e tributárias (Profut) serão pagas com os royalties que o clube receber pela cessão dos ativos de futebol. Com isso, o Botafogo S.A., a SPE, terá uma despesa elevada e não terá lucro tributável durante um longo período. Dessa forma, a expectativa é que, quando o impacto fiscal de se transformar em empresa chegar, o futebol já estará com suas contas saneadas.

O plano de negócios para o futuro Botafogo S.A. demandou nada menos do que 200 reuniões. Trabalharam nele 7 empresas contratadas, 18 profissionais especializados e 20 profissionais do clube. A largada do projeto foi dada em agosto e, desde então, já foram feitas dez reuniões com fundos especializados e 25 encontros com gestores de fortunas familiar.

Há grande expectativa de que a família Moreira Salles, que era dona do Unibanco e hoje é sócia no Itaú, seja a titular dos aportes. Contudo, não há nenhuma informação oficial a esse respeito.

Fonte: Jornal Valor


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