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Maioria dos jogadores e técnicos ouvidos aceitaria negociar redução salarial durante pandemia

A pandemia do coronavírus suspendeu todas as atividades futebolísticas no Brasil e secou a fonte de receitas dos clubes. Desde a segunda quinzena de março, uma desgastante negociação tomou conta dos bastidores do esporte no pais em torno de uma necessidade de redução de salários dos jogadores como alternativa para garantir a sobrevivência das equipes.

As negociações até agora não avançaram e não há nenhum acordo uniforme. Clubes e atletas realizam conversas particulares, procurando consensos que se ajustem às suas particularidades. O UOL Esporte conversou com 56 atletas e treinadores da elite do futebol brasileiro, sob condição de anonimato. Há muitos que são contrários a qualquer redução, mas a maioria dos nomes ouvidos mostra abertura ao diálogo.

Das pessoas ouvidas pela reportagem, 19 são totalmente contra reduzir os salários — 36% do total. Já outros 16 (30%) afirmaram que topariam negociar uma potencial redução, mas isso dependeria muito da oferta que fosse apresentada.

Por outro lado, 18 pessoas, entre atletas e técnicos, disseram topar uma redução nos seus vencimentos mensais. O número corresponde a 34% dos ouvidos, quase o mesmo percentual dos que foram totalmente contrários à uma medida do tipo. Apenas três dos nomes consultados preferiam não emitir nenhuma opinião sobre o assunto (e, por isso, não entram nas porcentagens citadas acima).

Essa é a segunda de quatro perguntas que o UOL Esporte fez para os atletas dos principais clubes do futebol brasileiro. Até o sábado, você ainda saberá a opinião dos boleiros sobre as medidas de quarentena que estão sendo impostas pelos governos estaduais.

Foram ouvidos 56 jogadores de times da Série A e B do Brasileirão. 3 deles não quiseram responder a essa pergunta.

Negociações coletivas fracassaram

Logo que a suspensão do calendário brasileiro aconteceu, na semana do dia 15 de março, a Comissão Nacional de Clubes começou a se reunir com entidades sindicais e a dialogar com atletas sobre uma redução de salários. A primeira oferta, de redução de 50% dos vencimentos, foi rejeitada por jogadores — o movimento pelo “não” teve protagonismo de vários nomes da elite, donos de alguns dos maiores salários do país.

Uma nova oferta foi feita, desta vez de reduzir em 25% os valores — mais uma vez, a resposta foi não. O UOL Esporte apurou que uma das razões preponderantes na discussão foi a enorme quantidade de atletas com salários atrasados nos seus clubes. Os sindicatos e os jogadores não estavam dispostos a abrir mão de vencimentos futuros sem que dívidas abertas do passado fossem equacionadas.

Sem acordo, a decisão acabou sendo de conceder férias antecipadas aos jogadores. Neste momento, clubes negociam individualmente com seus elencos propostas de redução, procurando ajustar os números à realidade de cada um. Enquanto isso, as negociações coletivas acontecem nos bastidores.

Opiniões sobre o assunto oscilam

Ninguém se salva sozinho. Isso acontece no mundo, em uma sociedade, em uma equipe ou em um clube. A realidade indica que é um momento de entender o que está acontecendo e colaborar. Decidimos diminuir nosso salário. Isso vai além de ser solidário ou não: existe uma situação no planeta que se reflete na situação do clube e, como sou privilegiado, posso contribuir para tentar superá-la da melhor maneira.

Jorge Sampaoli, treinador do Atlético-MG

Quando a gente observa esses dirigentes que vêm a público pedir para jogadores diminuírem salário… Mas, por que vocês, durante mais de cem anos, nunca foram profissionais? (…) E, agora, vocês querem fazer isso? Por que vocês não dão os bens de vocês para resguardar o clube? Vocês estão pensando no umbigo de vocês.

Neto, ex-jogador e apresentador

Não me lembro de nenhum dos grandes jogadores brasileiros ajudando o movimento do Bom Senso, que defendia os jogadores de classe mais baixa e que ganham pouco. Não houve solidariedade entre eles. Por isso você só pode esperar um caso ou outro. Infelizmente, o brasileiro não é muito solidário não.

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do UOL Esporte

Discussão chegou até nos clubes mais ricos do mundo

Os movimentos para a redução de salários dos jogadores não acontecem só no Brasil. Em outros países, onde ficam os clubes mais ricos do mundo, a situação se repete. O Barcelona reduziu em 70% os vencimentos dos seus atletas e Lionel Messi encabeçou a aceitação da medida. Já no Real Madrid, a proposta foi menos drástica (corte de 25% a um terço) e, mesmo assim, encontrou resistência antes da aceitação.

Em entrevista ao podcast SWR Sport, o meio campista alemão Toni Kroos criticou a iniciativa. “Uma redução de salário é como uma doação em vão para o clube. Sou a favor que se pague o salário completo e que cada um faça coisas sensatas com ele. Se pede a todos que ajudem quem precisa e há muitos lugares em que é necessário”.

Na Inglaterra, a ideia de reduzir salários também tem sido mal recebida pela maioria dos atletas. “É ridículo que os clubes adiem suas obrigações com os jogadores para depois, no futuro, gastarem fortunas com transferências” disse Gordon Taylors, presidente da PFA, associação de jogadores da Inglaterra.

A Alemanha é uma exceção, com atletas de alguns clubes grandes como o Borussia Dortmund aceitando, de forma voluntária, reduzir seus salários. Já na França, o caminho tem sido subsídios do governo para que os clubes possam bancar os atletas.

Fonte: UOL Esporte


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