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Pesquisão UOL: apoio à quarentena é quase unânime e jogadores usam criatividade para ficar em forma

A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) pela redução do contato social como forma de prevenir a contaminação pelo novo coronavírus alterou a rotina de quase todo mundo. Jogadores de futebol também vivem experiências diferentes da normalidade: os campeonatos estão paralisados, mas eles não podem ficar inativos durante o isolamento.

Enquanto treinam e mantêm a forma a partir de soluções criativas, eles reconhecem quase unanimemente a necessidade deste período de recolhimento para diminuir a propagação da covid-19 no Brasil. O UOL Esporte conversou com 56 atletas e treinadores da elite do futebol brasileiro, sob condição de anonimato, e 89,2% manifestaram concordância com a medida.

Entre os ouvidos pela reportagem, 50 são favoráveis à quarentena e apenas seis manifestaram não estar de acordo com a medida tomada por muitos estados e municípios brasileiros. O número de quem é contra a medida é de 10,8% dos jogadores consultados.

Essa é a terceira de quatro perguntas que o UOL fez para os atletas dos principais clubes do futebol brasileiro. Amanhã, você saberá se os boleiros estão cumprindo a quarentena imposta pelos governos estaduais.

Agora que estão casa, como são os treinos à distância?

“Quando aconteceu a paralisação, muitos atletas me procuraram na hora para não ficar parados, mas são dois problemas: está todo mundo em casa e muitos não têm material de academia”, conta o educador físico Guilherme Henrique. A personal trainer Jéssika Kovatch passou pela mesma situação e chegou à mesma conclusão: “Para passar essa quarentena em movimento só depende da criatividade do professor.”

De casa, esportistas entram em contato com preparadores e são orientados à distância. Um recurso muito comum são as chamadas de vídeo no celular. O fisiologista Gustavo Jorge, que já trabalhou nas comissões técnicas de Corinthians e Santos, comanda treinamentos diários e remotos com três jogadores da Série A. “Na época da greve dos caminhoneiros [em 2018], eu cheguei a fazer atendimentos por vídeo porque estava em São Paulo, os alunos em Santos e as estradas paradas, mas agora têm sido todos assim”, diz.

“Estar junto com o atleta na sessão não tem comparação com nenhum outro estímulo, mas com o avanço da tecnologia, temos oportunidade de acompanhar em tempo real. Eu vou contando as séries de exercícios e, de acordo com a velocidade da internet, não tem delay. É a grande saída para os atletas conseguirem manter uma característica de treinamento mais próxima do que teriam no clube”, comenta.

Preparador de David Luiz: treino para 3 mil pessoas e 8 novos clientes

Em alguns casos, estes treinos por meio de chamadas de vídeo se transformaram em transmissões ao vivo no Instagram.

Lucas Kruel, treinador brasileiro que vive em Connecticut, nos Estados Unidos, chega a juntar mais de 3 mil pessoas simultaneamente em transmissão de treinos com o zagueiro David Luiz, do Arsenal.

“Começamos a trabalhar e ele queria divulgar no Instagram para as pessoas em casa treinarem também. Eu não posso esperar que tenham bola suíça, peso ou borrachinha, então fazemos exercícios só com o peso do corpo. O grau de dificuldade é bem alto e está sendo bem produtivo. Já trabalho online há três anos, mas nos últimos dez dias, duas semanas, aumentou o número de procuras. Sete ou oito jogadores me chamaram. Aí tu faz o cálculo: 40 treinos a mais na semana.”

Assim como David Luiz, o santista Yuri Alberto também transmite treinos ao vivo, orientado à distância por Gustavo Jorge: “Esse tipo de atendimento individual ao atleta é algo que já funciona, é uma característica do futebol moderno. O clube não consegue priorizar o individual de cada um quando tem 30 profissionais no elenco. Aí quando as pessoas que estão em casa assistindo ao treino percebem que conseguem fazer algumas coisas que atletas profissionais fazem todo mundo ganha.”

O Instagram virou uma febre. Lá tem aula de dança, pilates, funcional… Tem todo o tipo de atividade que dá para fazer em casa. Eu nunca fui de ficar postando aula e fazendo vídeos, mas meus alunos pediram e estou muito surpresa.

Jéssika Kovatch, personal trainer

Eu faço lives de terça e quinta e nos outros dias publico exercícios. No WhatsApp, dou treinos online para três amigas, cada uma na sua casa, mas fazendo as mesmas atividades e de certa forma socializando. Isso é prazeroso.

Jéssika Kovatch, sobre novas formas de atendimento

Treino delivery de Sánchez

Sergio Peres, preparador físico que trabalha individualmente com Carlos Sánchez, do Santos, além de mais seis atletas, acredita que os jogadores entenderam a necessidade do momento.

“No fim do ano, eles [jogadores] curtem 20 dias de férias e nos últimos dez [dias] antes da apresentação acabam procurando para fazer algo de força e prevenção de lesões para não sofrerem tanto na pré-temporada. Agora é diferente, é indefinido. Então, é de suma importância, presencial ou à distância, no jardim ou na sala de casa, se adaptar e manter condicionamento físico. A maioria entendeu e está se cuidando.”

Ele ainda orienta trabalhos presenciais, mas com cuidados redobrados: “Eu atendo de luvas e de máscara.”

Desafios tecnológicos da quarentena

“O que o cara tem que tentar fazer é minimizar a perda física trabalhando o peso do corpo e usando o que tiver em casa: um aparelho, uma borracha, uma bola, o que tiver. Aí é improvisar. A variedade de exercícios com o peso do corpo é muito grande e pode reforçar tua musculatura de maneira que vai o beneficiar quando voltar ao clube”, explica Lucas Kruel, que também trabalha com Douglas Costa, da Juventus, entre outros jogadores. Os maiores desafios são tecnológicos.

“Tu tem que estar 100% ali. Se estiver um pouquinho distante é ruim, tem que estar presente naquele momento. Na presença do aluno, tu pode tocar, mexer na ponta do pé. Na chamada de vídeo é só comando de voz, mas prestando atenção e olhando tu consegue uma correção boa.”

Guilherme Henrique, que trabalha com os corintianos Mateus Vital e Janderson, acha que o acompanhamento do exercício tem relação com o papo com o jogador: “Dependendo da posição do celular, você não consegue ver completamente. Então, tem que pedir para arrumar, aí você vê o posicionamento. Tem que falar muito com eles, “abre mais o peito”, “coloca pressão no calcanhar”. É diálogo. Se o atleta já conhece o seu trabalho, o celular é favorável, não se perde muito, não”.

Outro recurso usado além das chamadas de vídeo são os aplicativos. O profissional de educação física prescreve o treino, as séries, repetições e cadência e cede ao aluno uma senha de acesso, como conta o personal Milton Tadeu: “Fica mais fácil a demonstração dos exercícios através dos vídeos explicativos do próprio aplicativo. E, muitas vezes, o personal inclui os seus vídeos, que não estão na biblioteca. Depois tem um feedback e, se o aluno teve alguma dificuldade, você pode alterar o exercício.”

Algumas das últimas dicas servem para todos, não só atletas de futebol.

Os exercícios físicos melhoram a função imune do ser humano, são o estímulo necessário para que o seu sistema imunológico permaneça com níveis altos e continue protegendo o seu corpo, inclusive da ameaça do coronavírus.

Fonte: UOL Esporte


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