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Drama sem fim

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Em meio à crise financeira vivida pelo clube, com salários atrasados, patrocínio travado e sem reforços para o segundo semestre, o presidente alvinegro Nelson Mufarrej se pronunciou pela primeira vez na imprensa.

Após extensa reunião com o Conselho Fiscal na noite da última terça-feira, em General Severiano, o dirigente explicou que a dificuldade atual já era esperada, garantiu empenho para resolver tudo e demonstrou otimismo.

Apesar de não dar prazo, Mufarrej vem montando engenharias financeiras para pagar os atrasados, tanto com os jogadores quanto com o Profut, programa de refinanciamento de dívidas. E vê a CND (Certidão Negativa de Débito) da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, necessária para assinar o patrocínio com a Caixa Econômica Federal, cada vez mais perto.

Mas mesmo após começar a receber pelo patrocínio master, já acordado no valor total de R$ 10 milhões, ainda assim será preciso vender alguém na janela para “colocar a casa no eixo”.

Durante aproximadamente meia-hora de bate-papo, o presidente não descartou pegar empréstimos para aumentar o fluxo de caixa, desde que seja sem fazer loucuras; descartou qualquer tipo de contratações até resolver as pendências financeiras; e falou ainda sobre outros assuntos, como por exemplo as primeiras semanas de trabalho do novo técnico, Marcos Paquetá, a projeção no Campeonato Brasileiro e da experiência na seleção brasileira ao chefiar a delegação antes da Copa do Mundo.

Como está sendo lidar com essa dificuldade financeira, que tem atrapalhado bastante o clube?

A gente teve essa experiência no final de 2014 e início de 2015. Acontece que as coisas foram evoluindo, receitas vieram… Umas de televisão, outras de jogador: o Dória tinha sido vendido e começamos a receber; depois teve o Ribamar; o Pimpão, que depois voltou… Essas coisas fazem parte, e você vai sobrevivendo a todo esse cenário. O que aconteceu em 2016 e 2017 é que a renovação do contrato de transmissão deu uma injeção para todos os clubes, e deu para respirar.

Mas a CND está perto de sair?

Estamos tentando obter recursos através de antecipações de valores, gerando nisso receita para tentar tirar a CND e fechar o contrato com a Caixa, que está só esperando. Tem que ser sincero e transparente para as pessoas entenderem a nossa filosofia de trabalho. Se houvesse as receitas do ano passado, não estaríamos nesse problema. Estava com o Conselho Fiscal explicando.

É um fato do dia a dia do Botafogo em programar receitas. Nós perdemos na primeira fase da Copa do Brasil, se até agora tivéssemos nos mantido, teríamos uma receita que estava prevista. Lamentavelmente nós saímos. Por outro lado, tem o título do Carioca, entrou uma receita que não estava prevista. Mas as premiações da Copa do Brasil são muito maiores do que as do Carioca, embora tenha sido uma conquista muito importante. A taça já viajou o Brasil.

Evidentemente, outra grande fonte de recurso são os ativos. Todos os outros clubes estão vendendo, nós estamos tentando. Esperamos que a gente consiga nessa janela, é nosso objetivo. Não que a casa esteja desarrumada, mas para colocá-la no eixo. Assim a gente vai fazendo nosso dia a dia. É chato, triste para a gente (a situação), mas ao mesmo tempo tem um otimismo muito grande. E os botafoguenses sabendo disso vão torcer mais ainda para que dê tudo certo.

Evidentemente tem que haver alguma antecipações, é o que estamos fazendo. Seja de televisão, do Carioca… Lógico que não é o que gostaríamos. Agora, de banco privado acho bom e tudo, mas até agora não vi. Se aparecer algum dentro de uma condição de taxa (de juros) que seja interessante, por que não? Não fechamos as portas, mas temos consciência do que fazemos.

Após assinar com a Caixa, vão receber retroativo pela exposição da marca na camisa desde janeiro?

Essa é uma boa pergunta. Não sei como a Caixa irá se portar. Seria bom se ela fosse retroativa a nós, entrariam mais parcelas. Mas ela pode ter o direito de dizer que não porque só assinou agora. A gente ainda não conversou. Primeiro tem que assinar, depois vamos sentar e acordar.

Essa situação financeira está atrapalhado também os planos para o CT?

Não está porque estamos fazendo agora um projeto com a Tecnoplano do que vamos fazer naquela área. Se vai dar dois, três, cinco campos… Tem áreas construídas que vão ter que ser demolidas… Isso tudo está sendo feito no projeto. Até agora não finalizou para discutirmos. Acredito que em uns 15 dias saia o projeto para analisarmos. Deve ter atrasado por causa da Copa do Mundo, que mexe muito com a gente. Até levantaram uma hipótese de que não teríamos pagado a Tecnoplano, mas está em dia, tudo bonitinho.

Mesmo resolvendo tudo e começando a receber da Caixa, ainda vai ser preciso vender alguém. Receberam mais alguma investida pelo Igor Rabello ou Matheus Fernandes?

Olha, eu sou um presidente muito ativo, procuro estar sempre acompanhando. Mas não gosto de ficar ligando toda hora para o meu vice de futebol, o Gustavo Noronha, nem para meu gerente de futebol, o Anderson Barros. Eles estão mais ligados nisso. Lógico que quando tiver alguma coisa eles vão me ligar. No momento, o que eu sei é que existem propostas que estão sendo encaminhadas, mas ainda não tem definição.

O empresário do Gatito revelou um novo interesse do futebol italiano pelo goleiro. Teme perdê-lo, uma vez que o Jefferson para no final do ano?

Depende da proposta. Se houver, tem que se analisar. Óbvio que o Gatito é um grande goleiro, o Jefferson também é. Tem que pesar, é uma decisão nossa, o que podemos fazer? Mas não tem nada sobre isso de concreto.

Reforços não serão possíveis devido à situação, imagino…

No momento, não há como. Enquanto a gente não acertar essa parte toda, não podemos pensar em nenhuma contratação. Pode aparecer gente dizendo: “Presidente, quer o Marcelo para você”? É de graça? Se tiver que contratá-lo não temos nenhuma condição para isso.

Tivemos uma mudança de treinador, o Valentim nos deixou por um motivo justo, não temos condições de enfrentar um mercado financeiro tão difícil. E contratamos o Marcos Paquetá, que é uma pessoa de experiência muito grande, que conhece futebol. Os jogadores vão entender e estão com ele, pelos treinamentos que a gente vem acompanhando. Estamos juntos fazendo essa corrente. Temos uma fé plena nele.

Depois de 1/3 do Brasileiro, qual a expectativa de vocês para o Botafogo até o fim do campeonato? A ambição continua por uma vaga na Libertadores?

Está igual cavalo de corrida, estamos correndo por fora. É possível que os outros se distraiam e a gente belisque lá uma vaga. É difícil, tem grandes equipes disputando, mas nós também, guardadas as devidas proporções, estamos lutando para isso, de repente podemos chegar lá. Temos tudo para fazermos um bom jogo nesta quarta contra o Corinthians.

E para você, que chefiou a delegação brasileira de Londres a Viena antes da Copa, o que achou do desempenho do Brasil no Mundial?

Quando cheguei a Londres, fiquei com eles lá acompanhando e observando como estava sendo dirigida a Seleção. De uma forma maravilhosa, o Tite teve um papel espetacular, de conceituação, filosofia de vida, de tudo. Fiquei assim, admirado. E também com os jogadores. Saí de lá, fui para Viena, teve o jogo da Áustria, e voltei de lá convicto. Falava com meus amigos: “Não vejo o Brasil perder essa hexa, não”. Mas a gente esquece que o mata-mata te mata mesmo, te pega na esquina quando menos se espera. Aconteceu conosco contra a Aparecidense. Lamentavelmente nos pegou, mas tenho certeza que os dirigentes da CBF vão ter tranquilidade de manter o Tite, de quem sou fã. Tem que fazer um trabalho de mais quatro anos, que vai se consolidar com o título.

Apontaria algum jovem do Botafogo como candidato a ser convocado no novo ciclo que vai começar na Seleção?

É muito cedo para falar, mas isso aí tem que ser o técnico. Tem que fazer todos os cursos para chegar lá. Prefiro ficar admirando mesmo o trabalho que o Tite emprega aos times por onde passa.

Fonte: Globoesporte.com

Assista ao Botafogo no Ar desta segunda, com os melhores comentaristas alvinegros só falando de Botafogo.


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