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É preciso aceitar: esporte não terá presença de público tão cedo

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Ninguém defende o jogo sem o torcedor. Ninguém. O esporte cresceu alimentado pela paixão de quem o acompanha e o financia. Um estádio lotado, a atmosfera do jogo, a expectativa, os olhares, tudo ajuda a oxigenar e deixar ainda mais gigante o evento esportivo, mas é bom todos irem se acostumando, é bem provável que os eventos esportivos não recebam por um bom tempo o seu principal companheiro.

Em Los Angeles, capital do entretenimento mundial, o prefeito da cidade Eric Garcetti disse em entrevista ao The Atlantic que os eventos esportivos não devem ter público até o final de 2020, “não consigo imaginar que os profissionais de saúde pública digam: “Vamos colocar dezenas de milhares de pessoas juntos novamente em um estádio” “, disse Garcetti. Na Fórmula 1, o diretor-executivo Ross Brown deu entrevista em que fala dos planos de volta da categoria e que esse retorno deve ser com portões fechados: “Não é uma saída ótima, mas é melhor que não correr. Temos milhões que assistem de casa, muitos estão em isolamento, é importante dar algum entretenimento a essas pessoas no momento de crise que estamos vivendo, mas sem colocar ninguém em risco.”

Na Alemanha, os times da Bundesliga voltaram a treinar e a previsão do retorno aos jogos continua sendo no início de maio, mas não existe a liberação do governo para reunião de pessoas em grandes eventos. Em entrevista nesta semana, o treinador do Bayern de Munique, Hans Flickr, disse que “estádios vazios são algo a que as pessoas devem habituar-se” face à pandemia do novo coronavírus.

Claro que isso incomoda, mas o vírus assusta muito mais. É o que mostra uma pesquisa divulgada pela Escola Stillman de Negócios, da Universidade de Seton Hall, de Nova Jersey.

Apesar da ansiedade do público pela volta dos eventos esportivos nos EUA, a pesquisa mostrou que a maioria das pessoas não está disposta a ver seus times nas arquibancadas. O levantamento apontou que 72% dos fãs norte-americanos não querem participar dos jogos enquanto não houver uma vacina para a Covid-19 ou que a pandemia seja controlada.

A verdade é que quem vai decidir sobre a volta do esporte e como essa se dará, não será nenhum dirigente, mas o controle da pandemia. Aceite, somos reféns do vírus. Quando houver segurança, se olhará o calendário e se decidirá qual o formato possível para terminar a temporada e de que forma. É triste, mas é fato.

O mesmo já está sendo debatido pelas entidades esportivas no Brasil. A possibilidade de que os jogos finais dos estaduais, e mesmo os jogos do Brasileiro, sejam realizados sem torcedor por um tempo grande.

Nessa hora em que o mundo inteiro está assustado, o movimento esportivo precisa buscar a ajuda de assessoria qualificada para tomar a decisão sobre como agir e respeitar também a política pública de controle adotada pelo estado.

E ninguém que não seja da área de saúde pública pode dizer qual o caminho tomar. Qualquer passo nessa linha por pessoas que não sejam da área é irresponsabilidade.

Agora, é fundamental cobrar das entidades responsáveis, como secretarias de saúde, Ministério da Saúde, uma política de prevenção e ações concretas no combate ao problema. Cobrar que apresentem um plano de ação e que as entidades esportivas e a sociedade respeitem e sigam.

Jornalistas também têm papel importante nesse momento, não alimentando a indústria da desinformação, nem da irresponsabilidade. O Newsguard, um serviço que apura informações online já analisou e constatou que a desinformação sobre o coronavírus é gigante, com as pessoas compartilhando mais informações falsas do que as confiáveis. Isso ajuda a alimentar o pânico e não colabora no trabalho preventivo.

O problema é sério. Claro que sim!

O caso nunca foi “exagero” de ninguém. Pelo alto número de contaminados e impossibilidade de atender a todos, países europeus têm adotado estratégias de guerra.

Entenda: claro que a prioridade maior é a saúde pública, sempre. Tão mais importante que até o princípio esportivo da autonomia esportiva fica de lado nessa hora.

Decisões tomadas pelo poder público precisam ser respeitadas pela iniciativa privada, mesmo que um jogo com portões fechados, por exemplo, ataque um princípio caro ao esporte, o da paridade de armas, que preserva o equilíbrio esportivo.

O motivo de “força maior” justificaria medidas extremas como essa de fechar os portões ao torcedor.

Repito. É muito grave. E não sou eu, nem você, nem um dirigente de entidade esportiva que vai saber qual o melhor comportamento. É quem trabalha, estuda e entende do assunto, os especialistas. O movimento esportivo precisa ouvir essas pessoas e com essa orientação decidir como agir.

E, gostemos ou não, se a orientação for mesmo com portões fechados, que assim seja.

E, claro, se o jogo voltar, de maneira segura, não irão faltar plataformas para levar o conteúdo até o torcedor.

Fonte: Blog Lei em Campo – UOL


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