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Ex-Botafogo, Jefferson crê que 7 a 1 teria peso maior com ele: “Goleiro negro não tem gordura para errar na Seleção”

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Em grande fase no Botafogo, Jefferson deveria ter sido o goleiro da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014. Porém, o escolhido foi Júlio César. O destino fez o ídolo alvinegro se livrar de estar em campo na goleada por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal.

Jefferson, porém, acredita que haveria peso maior e ficaria manchado se fosse o goleiro titular na goleada.

– Sem dúvida. Não tenho dúvida, nem fico em cima do muro. Barbosa disse uma frase que chocou muito: “no Brasil, não existe prisão perpétua, mas ele foi a única pessoa que recebeu condenação perpétua pelo gol que sofreu”. Nunca tive tantas perguntas, questão de Copa do Mundo e comparação, parecia que as pessoas queriam que acontecesse a história novamente para ter 50 anos a mais de repercussão. Durante a carreira, tive que matar três leões, nessa Copa do Mundo, foram dez. Não tinha gordura, às vezes, outras pessoas talvez tenham, mas goleiro negro não tem gordura nenhuma para errar na Seleção – afirmou Jefferson, ao “Ubuntu Esporte Clube”, do “GE”.

Com duas passagens pelo Botafogo, de 2003 a 2005 e de 2009 a 2018, Jefferson revelou que um dos motivos de escolher o Glorioso foi o histórico do clube.

– Quando pensei em vir para o Botafogo, a primeira coisa que pensei foi que teve goleiros negros de sucesso, sabia da cultura do clube, pesou bastante. Se analisar alguns clubes brasileiros, poucos querem assumir essa responsabilidade de ter goleiro negro. Conheci clube que goleiro dos juniores era negro, estava se destacando, ia subir para o profissional, mas preferiram vender. Por que não deram oportunidade? É como dizer: não quero assumir essa responsabilidade, melhor vender para fora. Faltou peito, como teve o Felipão ao me bancar de titular no Cruzeiro – disse o ex-goleiro.

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Reação na convocação para a Copa do Mundo

– Uma das primeiras coisas que veio na minha cabeça foi a lembrança da minha mãe, que é uma guerreira, por poder criar quatro filhos, não tinha condição de comprar luva. Eu jogava sem luva, levava material de treinamento para casa, não tinha máquina, ela lavava no tanque. Não tinha isso de ter dois ou três uniformes, era um só, secava atrás da geladeira. São coisas de bastidores.

O início

– O que não me deixou desistir e retroceder é que eu não tinha plano B. Sabia que minha família dependia do meu sonho. Quando saí de casa disse que ia ser profissional para um dia ajudar a minha mãe. Quando cheguei ao Cruzeiro, me senti muito sozinho, quis voltar atrás, mas não podia. Tive dificuldades na Seleção sub-20, teve episódio de que não ia para o Mundial, porque não deixavam goleiro negro ser convocado naquele momento. Tudo isso, eu senti bastante.

Racismo na base da Seleção

– Para ser sincero, para mim, não existia esse tipo de preconceito no futebol. O único preconceito que vivemos é no dia a dia, quando era menor via ao pegar ônibus ou passar na calçada. Acabava não é aceitando, mas me conformando com a realidade. Quando vi na Seleção Brasileira, fiquei sem entender muito, mas não me abateu. Sempre confiei em Deus e sei que o que ele colocou para mim é meu. Eles foram para o Mundial, mas acabou não sendo realizado na época, mudou de janeiro para dezembro. Aí, fui convocado. Comecei no banco, acabei jogando e fomos campeões mundiais com goleiro negro jogando. Aí, ligou o alerta do que eu ia enfrentar no futebol.

Fonte: Redação FogãoNET e Ubuntu Esporte Clube – GloboEsporte.com / Foto de Capa: Reprodução / Twitter


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