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Ex-Botafogo, João Paulo detalha volta do futebol nos EUA: “bolha” na Disney e jogar para poder receber

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O futebol já voltou no país mais atingido pelo novo coronavírus no mundo, os Estados Unidos. A Major Soccer League, MLS, retornou, no último dia 8, em um formato diferente do que temos visto no Brasil. Todas as equipes e profissionais envolvidos na competição estão concentrados no que eles apelidaram de bolha, um complexo de parques temáticos da Disney e ficarão enclausurados até 40 dias. O Esporte Interativo, conversou com o meia João Paulo, ex-Botafogo, hoje no Seattle Sounders e ele revelou que os jogadores tiveram que aceitar essa proposta de campeonato para que pudessem receber.

“No início, não foi muito bem aceita, porque a gente já estava em período inativo e, justamente por ser um dos piores momentos recentes da história com a pandemia, foi proposto um campeonato em que ficaremos 40 dias longe das nossas famílias, mas acaba que era a única saída para não continuarmos sem jogos. Em termos de contrato, é um pouco diferente do Brasil, caso não jogássemos eles poderiam cancelar o ano e não haveria pagamentos, porque aqui se assina um contrato de trabalho e esse contrato não estava assinado naquele momento, então, os jogadores não tinham garantia do salário durante o ano, então, foi meio forçado acontecer”, revelou.

São dois hotéis, um do lado do outro que abrigam, além dos times, todos os envolvidos na operação dos jogos. Os jogadores ficam em quartos individuais e os testes são feitos com uma frequência enorme. Caso alguém precise deixar o local, no retorno, tem que ficar em isolamento, fazer o teste e aguardar o resultado. Mesmo com esse sistema rígido, duas equipes tiveram que se retirar do torneio devido a contaminação por Covid-19, ou seja, a competição que contaria com 26 equipes, agora tem 24.

“O protocolo está sendo bem feito, eles têm testado os jogadores, todo mundo que está aqui na bolha, como eles chamam. Testam de dois em dois dias, dois dias e um não, mais ou menos essa média. Teve caso de time que chegou aqui com dois jogadores positivos e acabou que saiu com 11. O time do Dallas foi um dos primeiros a chegar e quando chega a primeira coisa a se fazer é ir para a sala de testes, depois vai direto para o seu quarto. Quando fizeram o primeiro teste, dois jogadores deram positivo, eles ficaram em isolamento, em quarentena, mas os outros continuaram a fazer as atividades e os treinamentos. Depois, nos novos testes, esse número cresceu muito, chegando a 11, aí todo time, até quem não tinha dado positivo, teve que ficar em quarentena. Eles ficaram dentro dos quartos sem treinar até perceberem que não tinha possibilidade de continuar e acabaram saindo do torneio. Isso aconteceu também com o time de Nashville, que teve oito casos”, contou.

Para João Paulo, recém-chegado no país, o mais complicado tem sido ficar longe da sua família. O jogador começou o ano na pré-temporada no Espírito Santo com o Botafogo, depois ficou concentrado com o atual time para outra pré-temporada e agora está em uma terceira concentração. Os jogos tem acontecido de portões fechados, mas mesmo com todos os protocolos seguidos e o isolamento radical, o meia não se sente 100% seguro.

“É um momento difícil, complicado. Tentamos lá no início uma possibilidade de trazer familiares junto, mas isso foi descartado, porque não teria espaço suficiente para todos, então, quem chegar até a final, que são 40 dias, vai ter que ficar longe dos seus familiares. Isso pesou muito para mim. É difícil, é um ano que está sendo bem complicado nessas questões, mas é isso, estamos tentando por internet e ligações diárias matar as saudades. É complicado estar 100% seguro, mas a gente gosta da nossa profissão e entendemos o lado da Liga de querer voltar para não ter perda gigante no orçamento e para gente poder receber os salários. Tem várias questões no meio e a gente vai seguindo, tentando ao máximo se prevenir e fazer essas medidas que estão passando para que tudo fique bem no final”, disse.

Confira abaixo a entrevista com João Paulo:

No Rio, a gente viu uma discussão de que momento retornar aos treinos e alguns clubes com pouco tempo de treinamento. Aí, vocês também ficaram três meses parados, como foi esse processo de retorno, foi respeitado um tempo mínimo de treinamentos?

– Aqui foi um pouco parecido com o Brasil, alguns estados não permitiram atividades, outros foram mais flexíveis, dependendo de onde era o time, tinha mais facilidade para treinar. O meu estado foi o primeiro a ter caso, começou mais cedo, fechou tudo. A gente ficou mais de um mês treinando por videoconferência ou individualmente em parques, nas ruas e, depois disso, voltamos para o clube para treinos individuais, cada um dentro de um quadrado e com distanciamento, mas depois a gente voltou a treinar normalmente e isso já tem praticamente um mês, então, ficou desparelho essa questão de preparação e de tempo para essa volta, porque alguns clubes treinaram mais que outros e, até por isso, teve clube que optou por vir antes pra Orlando para treinar, porque na sua cidade estava mais difícil.

O EUA foi o país mais atingido pela pandemia. Aqui, no Brasil, o protocolo exige que jogadores cheguem para treinar direto de casa com o uniforme, que lavem seus próprios uniformes e que sejam testados sempre antes das partidas. Como tem funcionado o protocolo aí?

– O protocolo parece ser igual na maioria dos times, lá atrás a gente chegava com a roupa pronto e ia para o campo treinar e quando acabava o treino a gente voltava a colocar a máscara e tudo mais, lavar as mãos e ir direto para o carro para ir embora. Conforme foi avançando, seguindo as normas do governo estadual, a gente voltou para o vestiário, podíamos trocar de roupa no clube com distanciamento e voltou quase que ao normal, mas respeitando distanciamento, uso de máscara até o treinamento, higienização das mãos, banhos com limite de ocupação, mas basicamente isso. Coisas que não estávamos acostumados e acaba que a gente começa a pensar diferente e dar valor para essas coisas que antes não dávamos.

O protocolo na MLS coloca os 26 clubes em um ambiente mais controlado. Como os jogadores reagiram a isso? Ficaram 40 dias seguidos sem contato com familiares e filhos?

– No início, não foi muito bem aceito, porque a gente já estava em período inativo e, justamente por ser um dos piores momentos recentes da história com a pandemia, foi proposto um campeonato que ficamos 40 dias longe das nossas famílias, então, acabou que não foi muito bem aceito, principalmente, para quem tem família e filhos, mas acaba que era a única saída, se não continuaríamos sem jogos, teve uma negociação em termos de contrato, que era um pouco diferente do Brasil, que caso não jogássemos eles poderiam cancelar o ano e não haveria pagamentos, porque aqui se assina um contrato de trabalho e esse contrato não estava assinado naquele momento, então, os jogadores não tinham garantia do salário durante o ano, então, foi meio forçado acontecer.

Como tem funcionado o protocolo de segurança?

– O protocolo está sendo bem feito, eles têm testado os jogadores, todo mundo que está aqui na bolha, como eles chamam, de dois em dois dias, testa dois dias e um não, mais ou menos essa média. Teve caso de times que chegaram aqui com dois jogadores positivos e acabou que o time saiu com 11. É um momento difícil, complicado. Tentamos, lá no início, uma possibilidade de trazer familiares junto, mas isso foi descartado, porque não teria espaço suficiente para todos, então, quem chegar até a final que são 40 dias, vai ter que ficar longe dos seus familiares. Isso pesou muito para mim, porque quando saí do Botafogo, fiquei um tempo no Espírito Santo na pré-temporada, depois vim para os EUA e fiquei mais um período longo longe da minha família para fazer a pré-temporada aqui. É difícil, é um ano que tá sendo bem complicado nessas questões, mas é isso, estamos tentando por internet e ligações diárias matar as saudades.

Além dos times, imprensa, equipe de operação da partida, funcionários, ficam todos concentrados?

– Todo mundo dentro dessa bolha do complexo, caso alguém saia tem que ficar em quarentena, fazer os testes e esperar resultado, coisas do tipo, mas todo mundo que está trabalhando diretamente no torneio fica aqui no hotel, são dois hotéis, um do lado do outro hospedando todo mundo.

Teve alguma equipe no complexo que identificou jogadores contaminados? Como o caso foi tratado?

– Isso dos casos positivos foi bem difícil, aconteceu com o time do Dallas, eles foram um dos primeiros times a chegar aqui e quando chega a primeira coisa a se fazer é ir pra sala de testes e vai direto pro seu quarto, cada um tem o seu, não divide quarto com ninguém e aí, quando fizeram o primeiro teste, dois jogadores deram positivo, eles ficaram em isolamento, em quarentena, mas os outros continuaram a fazer as atividades e os treinamentos, aí depois, nos novos testes esse número cresceu muito, vários jogadores chegando a 11, aí todo time, até quem não tinha dado positivo teve que ficar em quarentena, eles ficaram dentro dos quartos sem treinar até perceberem que não tinha possibilidade de continuar e eles acabaram saindo do torneio e isso aconteceu também com o time de Nashville, que teve oito casos, um número expressivo, então, dos 26 times, agora são 24 que vão seguir na disputa.

As equipes estão se sentindo seguras para entrar em campo? E vocês jogadores?

– Segurança a gente não tem, porque é um fator que foge muito da gente, a gente tem nossa responsabilidade e protocolos a serem seguidos, mas tem muitas coisas que a gente não pode controlar, onde a gente tá tocando, as pessoas que chegam perto da gente, a gente não sabe bem como reagir e se prevenir de tudo e de todos, é complicado estar 100% seguro, mas a gente gosta da nossa profissão e entendemos o lado da Liga de querer voltar para não ter perda gigante no orçamento e pra gente poder receber os salários. Tem várias questões no meio e a gente vai seguindo, tentando ao máximo se prevenir e fazer essas medidas que estão passando para gente para que tudo fique bem no final.

Fonte: Esporte Interativo / Foto de Capa: Twitter / Seattle Sounders


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