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Festa do Botafogo campeão em 1995 teve avião superlotado, invasão de pista e trânsito na madrugada

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A TV Globo reprisouneste domingo, a final do Brasileirão de 1995, disputada entre Santos e Botafogo, que deu o título ao alvinegro do Rio. Se, além do jogo, os mesmos fatos que ocorreram após a partida, na inesquecível comemoração dos botafoguenses, acontecessem hoje, muita coisa seria condenável em tempos de isolamento social.

Sim, porque se hoje os aeroportos estão vazios por conta da pandemia do novo coronavírus, o que contagiava os alvinegros naquela madrugada no Santos Dumont era a alegria. Mesmo com o pouso só às 2h da manhã, mais de 3 mil torcedores não arredaram pé e esperaram o avião chegar com o herói Túlio Maravilha aparecendo na janela.

E o saguão do aeroporto não serviu de vacina à felicidade alvinegra. Não conteve ninguém. A multidão driblou a segurança e invadiu a pista para esperar o time.

— Eu sentei perto da asa e me lembro de ver um cara na janelinha, batendo no vidro, do lado de fora. Nunca tinha visto nada igual — lembra Sérgio Manoel, meia daquele time que, sorteado no antidoping, embarcou no avião ainda com o uniforme que tinha terminado o jogo no Pacaembu.

Se havia aglomeração do lado de fora do avião, o lado de dentro não fazia por menos. A aeronave transportou mais gente do que o permitido, graças ao presidente do clube da época, Carlos Augusto Montenegro, que negociou com o comandante da aeronave a partida do vôo fretado naquelas condições em troca de umas camisas alvinegras.

— Foi o vôo mais tenso da minha vida. Era muita gente, gente em pé, não sei como levantou vôo. Eu tinha medo de ser campeão e não conseguir comemorar — recorda Sérgio Manoel.

Se hoje a recomendação é evitar lugares fechados, os botafoguenses que, ao invés de irem para o aeroporto, esperaram o time na sede recém reconquistada do clube, em General Severiano, aproveitaram tempos de Botafogo campeão e nada de crise sanitária: invadiram o túnel que liga os bairros de Copacabana e Botafogo e fecharam o trânsito para comemoração. A única orientação seguida era aproveitar ao máximo o momento que, mal sabiam, demoraria a acontecer de novo: é o último título nacional do Botafogo até hoje.

A lista de recomendações não seguidas da festa alvinegra só aumenta: reportagem do Globo de dois dias após o título narra que os torcedores ignoravam os sinais para não fumar na pista do aeroporto. Sem saber o que fazer, funcionários do Corpo de Bombeiros e da Infraero tentaram despistar a torcida: primeiro, disseram que o pouso mudaria para o Galeão. Os bombeiros chegaram até a fingir que estavam indo embora, mas não enganaram uma torcida que não acreditava nem naquilo que estava vivendo.

— O comandante diz que dá para pousar na pista 1 e onde parar ele desliga a turbina para não criar perigo — captou a reportagem de um plantonista do aeroporto, minutos antes da invasão.

— Tínhamos que contar muito bem aquela história, até porque o Botafogo tinha um dos maiores fanfarrões da história do futebol brasileiro: Túlio. Acho que todo o mundo, todas as torcidas, tinham interesse em saber o que o Túlio ia dizer com a conquista do Brasileiro. Mesmo com a emoção do título estadual de 1989, nunca vi a torcida alvinegra tão feliz e entusiasmada como no título de 1995 — lembra o jornalista César Seabra, editor de esportes do Globo em 1995.

Do avião, os jogadores subiram diretamente para o carro de bombeiros, que somando elenco, dirigentes, comissão técnica e muitos repórteres — um deles, inclusive, quebrou a perna em um dos trancos do automóvel — tinha mais de 50 pessoas. Muito para o veículo, pouco para a multidão que engarrafou o Parque do Flamengo em plena madrugada. Festas de título são comuns, mas a noite que não acabou e foi até a manhã do dia seguinte dos botafoguenses em 1995 foi além do normal.

— Era diferente. O Botafogo é único — lembra Sérgio Manoel.

Era, como dizia a reportagem do Globo, a sensação de que algo mudou: “não há mais naftalina no ar, o sofrimento supersticioso acabou. O Botafogo, enfim, fez as pazes com o presente”, dizia o texto. Hoje, 25 anos depois, na tela da TV, o alvinegro se reencontrou, de novo, com esse passado. Paulo Autuori, treinador do time na época e, coincidentemente, no cargo nos dias atuais, não fala mais sobre aquele título, evita o assunto e até se irrita. A naftalina está no ar novamente e tudo que o botafoguense quer é reviver a sensação daquela noite e que não seja graças à reprise. Brigado novamente com o presente, o Botafogo precisa fazer as pazes com o seu futuro.

Fonte: O Globo Online / Foto de Capa: Reprodução / Texto de Thales Machado


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