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Honda publica carta para torcida do Botafogo e pede união: “Precisamos fazer o clube ficar mais forte”

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Meia japonês afirma necessidade de deixar a gestão da forma mais transparente possível e diz que o momento é de torcedores, jogadores e dirigentes repensarem a forma de dirigir o Botafogo

Na noite desta sexta-feira, Keisuke Honda divulgou uma carta “Para todos que amam o Botafogo”. O japonês pediu união da torcida com dirigentes e jogadores para repensar a forma como o clube é gerido. Com uma mentalidade de redução nos gastos do Botafogo como um todo, Honda diz que é melhor pensar nisso do que conseguir uma renda a curto prazo.

Isso porque, segundo ele, quando o investimento que vier de fora não der resultados dentro de campo, os investidores pulariam do barco e deixariam o clube. De acordo com o japonês, é o esforço de quem ama o Botafogo que vai fazer com que a delicada situação financeira seja resolvida.

– Antes de tudo, o Botafogo é um clube de quem? É um clube de ricos investidores ou patrocinadores? Não. Não é o clube de empresários que vão embora quando as coisas dão errado, nem de algum estrangeiro como eu que vai sair depois de certo período. É um clube de todos que amam e apoiam o Botafogo desde que nasceram e que mantém vivo esse amor mesmo em situações desfavoráveis como a que vivemos agora. É o clube de todos. Então, todos juntos, precisamos fazer o clube ficar mais forte.

Com uma visão mais empresarial sobre a forma de administrar, o camisa 4 do Botafogo sugere uma forma dos torcedores colocarem dinheiro no clube de maneira que não impacte a vida da pessoa. Além disso, Honda lembra da necessidade de uma gestão transparente com as finanças.

– Então, como o clube aumenta a receita? E quem pensa e decide sobre um plano de médio e longo prazo? O mais importante é isso. O clube não pertence a uma ou a um grupo de pessoas, o Botafogo é de todos os torcedores, então, todos juntos, devem pensar e decidir. Dessa forma, as pessoas vão ficar entusiasmadas em pensar sobre visão e planos de médio a longo prazo. Consequentemente, bons jogadores e profissionais vão se reunir e os jovens jogadores também crescerão.

– É um clube onde todos vão caminhar na mesma direção e os torcedores vão ser a força principal. Dessa forma, esse clube vai atrair, de forma saudável, bons patrocinadores e investidores. Acho que agora é a hora de todos os dirigentes, profissionais, jogadores e torcedores repensarem a forma de dirigir e administrar o clube mais tradicional, o Botafogo.

Por fim, Honda se declarou ao clube. O meia se despediu dizendo amar o Botafogo mesmo com apenas nove meses de Brasil.

Confira a carta completa abaixo:

Para todos que amam o Botafogo

Já se passaram nove meses desde que eu cheguei no Brasil. Após a eliminação na Copa do Brasil, ainda lamento por não ter conseguido corresponder às expectativas dos torcedores, mas o que aconteceu é irreversível e, por isso, pretendo analisar bem a situação e voltar minha mente para o restante do Campeonato Brasileiro. Nesse momento, escrevo esse texto pensando no que eu posso contribuir para o Botafogo, além de jogar com todas as minhas forças em campo.

O que eu vou falar aqui pode provocar a raiva de alguns, mas, por favor, entenda que não estou intencionalmente tentando ofender ou machucar ninguém. Eu acredito que algumas coisas são necessárias para o Botafogo mudar e entendo que se eu não compartilhar minha visão, a insatisfação e a preocupação dos torcedores não serão resolvidas, por isso eu falo aqui hoje.

– O problema financeiro.

Não só nesta temporada, mas já há algum tempo, o Botafogo apresenta problemas financeiros e esses problemas existem não apenas aqui, mas também em diversos clubes de futebol e de outros esportes profissionais no mundo inteiro.

Em contrapartida, acredito que existe uma maneira de lidar com esse problema e para resolver isso, primeiramente, temos que mudar nossa mentalidade, focando na redução de gastos.

A coisa mais importante a se ter em mente é que não se pode estar obcecado em aumentar a renda no curto prazo. Por quê? Para fazer isso é preciso contar com investimento externo de pessoas ou empresas.

Se o dinheiro externo vier ao clube, os torcedores vão criar muitas expectativas e para corresponder às expectativas, os investidores tentam trazer bons jogadores por um valor alto. Se o clube consegue bons resultados, os torcedores terão ainda mais expectativas e então os investidores gastarão ainda mais dinheiro para fortalecer a equipe.

Nesse cenário, seria muito bom se esse ciclo pudesse continuar, mas infelizmente não é possível. Chegará uma temporada que, mesmo com investimento externo, os objetivos não serão atingidos e os torcedores ficarão insatisfeitos. E isso é normal, as pessoas ficam desapontadas quando algo planejado não dá certo, ainda mais quando as expectativas são altas.

Dessa forma aos poucos, os investidores se tornam incapazes de corresponder aos anseios dos torcedores e começam a pressionar e serem pressionados.

No final, eles sairão de cena e, se isso acontecer, o clube voltará à mesma situação que está́ agora e repetirá o mesmo erro de buscar capital externo para aumentar as rendas no curto prazo.

Como eu disse antes, o ponto de partida para resolver esse problema financeiro não é focar em aumentar a renda no curto prazo, é entender que se deve manter os gastos baixos e juntos pensar em como o clube pode competir nessa liga difícil como o Campeonato Brasileiro, com um orçamento limitado.

– O Botafogo é um clube de todos os torcedores.

Antes de tudo, o Botafogo é um clube de quem? É um clube de ricos investidores ou patrocinadores? Não. Não é o clube de empresários que vão embora quando as coisas dão errado, nem de algum estrangeiro como eu que vai sair depois de certo período.

É um clube de todos que amam e apoiam o Botafogo desde que nasceram e que mantém vivo esse amor mesmo em situações desfavoráveis como a que vivemos agora.

É o clube de todos. Então, todos juntos, precisamos fazer o clube ficar mais forte.

Para não ficar dependente de capital externo, o importante é começar com um projeto que permita a todos os torcedores injetarem dinheiro no clube, sem é claro, impactar na vida pessoal de cada um.

E os envolvidos na gestão precisam manter com transparência a balança de finanças do clube, para que todos entendam como o dinheiro é utilizado.

– Se existe um objetivo e um plano, pessoas e dinheiro vão se reunir.

Primeiramente, como eu disse, não devemos focar em aumentar a renda no curto prazo, precisamos começar reduzindo os gastos. Porém, sem aumentar a renda no médio e longo prazo, não podemos vencer neste difícil Campeonato Brasileiro.

Então, como o clube aumenta a receita? E quem pensa e decide sobre um plano de médio e longo prazo? O mais importante é isso. O clube não pertence a uma ou a um grupo de pessoas, o Botafogo é de todos os torcedores, então, todos juntos, devem pensar e decidir.

Qual é o objetivo do clube? Como vamos tentar realizar?

Dessa forma, as pessoas vão ficar entusiasmadas em pensar sobre visão e planos de médio a longo prazo. Consequentemente, bons jogadores e profissionais vão se reunir e os jovens jogadores também crescerão. É um clube onde todos vão caminhar na mesma direção e os torcedores vão ser a força principal. Dessa forma, esse clube vai atrair, de forma saudável, bons patrocinadores e investidores.

Acho que agora é a hora de todos os dirigentes, profissionais, jogadores e torcedores repensarem a forma de dirigir e administrar o clube mais tradicional, o Botafogo.

Espero que todos participem da discussão, respeitando-se mutuamente, sem culpar ou machucar ninguém e que o clube siga na direção certa.

De Keisuke Honda, que se apaixonou pelo Botafogo em apenas nove meses de convivência.

Fonte: GE / Foto de Capa: Vitor Silva – Botafogo


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