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Ideia de jogar Campeonato Brasileiro em bolha foi cogitada, mas não avançou

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O Campeonato Brasileiro começou e viu explodir o número de casos de jogadores infectados pelo novo coronavírus. Desde o início da série B, na última sexta-feira até quarta-feira (12), foram registrados 54 atletas com Covid-19 nas quatro divisões do futebol nacional. Enquanto o futebol ainda estava parado, foi discutida a possibilidade da criação de uma bolha, como a feita pela NBA, para que o Brasileirão fosse disputado em um só local, diminuindo assim os riscos de atletas contraírem a doença. A bolha, porém, estourou antes mesmo de ser inflada.

Fontes ouvidas pelo “Lei em Campo” disseram que nenhuma das partes envolvidas (jogadores, clubes e CBF) aprovou a ideia. Segundo os relatos, a CBF não manifestou a intenção de arcar com os custos. Procurada, a entidade não quis se manifestar sobre o assunto. Os clubes, que aceitaram voltar aos campos por conta das dificuldades financeiras causadas pela pandemia, não quiseram ter um novo gasto em um momento delicado. Já os jogadores não quiseram ficar longe de suas famílias. Mesmo depois do alto número de casos nas equipes brasileiras, a ideia não encontrou eco e segue totalmente fora dos planos.

“Na minha visão, o campeonato deveria ser suspenso e retomado em setembro no formato de sede fixa, com menos deslocamentos. A retomada dará tempo para a recuperação de atletas, testes, confinamento e concentração, testes e jogos”, defende Paulo Schmitt, membro da Comissão de Integridade da Federação Paulista de Futebol. “Em localidades menos afetadas ou controladas da doença, melhor estrutura para testes e análise de resultados. Sem teste, confinamento, teste, concentração, jogo em um mesmo local por algum período, fica difícil, porque qualquer ajuste vai parecendo um remendo no protocolo”, completa Schmitt.

Nesta quarta-feira, o Brasil passou de 104 mil mortes pela Covid-19. O país confirmou 1.164 mortes em 24 horas, média de 978 óbitos por dia nos últimos 7 dias.

No Campeonato Brasileiro, até aqui, os casos que mais chamaram a atenção foram do Goiás, que tem 10 jogadores infectados; do Imperatriz, do Maranhão, com 14 e do CSA, com 18. Além deles, houve casos de Covid-19 no Atlético-GO, Botafogo, Vila Nova (GO), Corinthians, Brusque e São Bento.

“Eu entendo que é um caminho absolutamente viável, se estivermos pensando na saúde dos atletas. A bolha da NBA é efetiva, mas em um ambiente que não é fechado como o das ligas americanas, sua implementação é muito mais complicada. Se estamos tendo problemas para cumprir um protocolo raso e cheio de buracos, imagina só um protocolo complexo e que exige uma série de flexibilizações”, argumenta o especialista em direito esportivo, Vinícius Loureiro.

Um dos argumentos mais contundentes para a não criação da bolha partiu justamente dos atletas, preocupados com a distância de parentes e amigos durante a competição. A NBA, que confinou os atletas no complexo da Disney, na Flórida, no fim de julho para concluir a temporada em outubro, vai permitir a entrada de visitantes para os jogadores a partir dos playoffs da liga americana de basquete.

Cada jogador tem direito a quatro convidados, número que pode crescer apenas se os convidados forem crianças. Todos os convidados devem ficar em quarentena por três dias na base do time antes de viajar para Orlando e mais quatro dias na bolha ou sete dias de quarentena na bolha.

Outro entrave para a criação de uma bolha para a disputa dos torneios nacionais é a legislação brasileira e os prejuízos que os atletas teriam caso a bolha fosse utilizada.

“De fato, isso tem efeito trabalhista. Acredito que, no caso, não será possível considerar como concentração e nem tempo à disposição integral. Poder-se-ia discutir horas extras, a questão do descanso semanal remunerado. A situação é excepcional. Não é uma escolha do empregador ou do empregado, mas para se ter segurança jurídica o melhor será negociar coletivamente”, analisa o juiz do Trabalho, Ricardo Miguel.

Na NBA, os jogadores são testados todos os dias. Além disso, os jogadores podem usar um “anel”, que mede temperatura e a condição corporal dos atletas, para tentar antecipar os efeitos da Covid-19. Até aqui, segundo a liga, todos os 342 testes realizados depois que os times entraram na bolha deram negativo. A expectativa é que a NBA gaste entre U$S 150 e U$S 170 milhões para terminar a atual temporada entre gastos com hotéis, alimentação e materiais para cuidar da segurança sanitária de todos os presentes na bolha.

Fonte: Blog Lei em Campo / Foto de Capa: Reprodução


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