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Inglaterra tem regra para inserir negros no comando do futebol

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A falta de representatividade negra é um dos problemas no combate ao racismo. Até mesmo no esporte, que tem o combate ao preconceito como bandeira, existem poucos negros em cargos de comando e mesmo quando se tenta combater o problema, as regras são frágeis. É o que diz o dirigente da organização de combate ao racismo e busca pela inclusão, Kick it Out.

A Liga Inglesa de Futebol (EFL) tem uma política – chamada de “Regra de Rooney” – em que os clubes devem ter no processo de seleção, pelo menos, um candidato negro, ou asiático, ou de etnia minoritária para uma vaga administrativa, o grupo chamado BAME, mas existem brechas para o clube não cumprir essa regra. Por exemplo, ela não precisa ser cumprida se não houver um processo de seleção e for ouvido apenas um candidato. Além disso, não existe punição para o clube que não cumprir a regra.

“Você não será responsabilizado. É como mergulhar os dedos dos pés sem nadar”, disse Troy Toowsend, líder da “Kick it Out” à BBC.

Depois de um piloto de 18 meses, a EFL introduziu a política no ano passado – depois que os clubes votaram a favor – se tornando a única liga na Europa a ter um regulamento nesse sentido.

Segundo a BBC, existem apenas seis gerentes da BAME (Black, Asian era minority ethnic – negros, asiáticos e minorias étnicas) entre os 91 clubes da Premier League de EFL.

Townsend disse que esse número é “absolutamente vergonhoso, considerando a quantidade de jogadores no jogo que também passaram a treinar e estão qualificados”.

A Premier League não adotou a “‘regra de Rooney” – e, segundo a BBC, não tem planos de adotar.

A falta de representatividade negra é um problema global no esporte.

Fatma Samoura tinha uma longa história como funcionária da ONU, trabalhando em diversas funções, até ser anunciada, em 2016, como secretária-geral da Fifa. Sua chegada à entidade foi comemorada como uma mudança de paradigma, já que ela é uma das poucas pessoas negras a ocupar um cargo de tamanha relevância em escala global.

No Brasil, são raros os técnicos negros entre os principais clubes e ainda mais raro é ver dirigentes negros no comando do esporte.

Para especialistas, a falta de mais negros em posições de chefia na administração do futebol faz com que as ações para combater o problema e para punir infratores sejam mais permissivas. “Sem dúvida, a falta de negros em cargos de comando – técnico, gestor, dirigente – influencia nessa questão. Desde sempre são brancos legislando e julgando casos de racismo vividos por negros. Se vivessem na pele, seria diferente”, opina Marcel Tonini, doutor em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

“A estrutura do esporte, do futebol, é muito racista. Temos jogadores negros, mas é chão da fábrica. Não temos dirigentes, treinadores ou comentaristas negros. Se a grande maioria dos atletas são negros, como não temos a representatividade nas bancadas?”, questiona o fundador do Observatório do Racismo, Marcelo Carvalho.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, já falou sobre sua insatisfação com o racismo que se apresenta no futebol. “O racismo se combate com educação, condenando, falando nele. Não se pode ter racismo na sociedade e no futebol. Na Itália, a situação não melhorou, isso é grave. Precisamos identificar os autores e expulsá-los dos estádios. Não devemos ter medo de condenar os racistas, devemos combatê-los até o fim”, falou.

Em julho do ano passado, a Fifa anunciou um Novo Código Disciplinar, cujo texto dá ênfase ao combate ao racismo.

Mesmo assim, as punições efetivas são raras.

E a história mostra que penas financeiras não resolvem o problema. É preciso ser mais duros e punir o clube esportivamente também.

O Grêmio ainda é o único clube que sofreu uma punição mais dura da Justiça Desportiva brasileira no caso do goleiro Aranha. O time foi eliminado da Copa do Brasil de 2014 por conta de manifestações racistas dos torcedores.

Poderia ser uma nova régua para o esporte brasileiro; não foi.

E essa impunidade passa também pela falta de representatividade.

Criar regras que incluam as minorias poderia ser um caminho para se atenuar o problema, mas elas precisariam ser mais eficazes do que a criada pelo futebol inglês.

Fonte: Blog Lei em Campo – UOL / Foto de Capa: Pool / AFP


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