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Jefferson será operado nessa quinta

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A continuidade da carreira de Jefferson começa nesta quinta-feira, às 12h (de Brasília) em um hospital particular da Zona Sul do Rio de Janeiro. Seis meses após a primeira operação, que não deu certo, o goleiro volta à mesa de cirurgia para reconstruir o tendão rompido do tríceps do braço esquerdo, em um procedimento ainda mais complexo do que o primeiro.

Serão sete médicos envolvidos – quatro cirurgiões, dois anestesistas e um instrumentista –, de duas a três horas de duração e com enxerto disponível do banco de tecido do Into (Instituto Nacional de Traumato-ortopedia) – sem precisar retirar de outra parte do corpo do jogador, como ocorreu antes.

Quem está à frente do caso é o dr. Márcio Schiefer, especialista em ombro e cotovelo e membro da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Trauma do Esporte. Amigo de Jefferson – suas filhas estudaram na mesma escola em Niterói (RJ) –, o médico foi procurado por uma segunda opinião e descobriu a necessidade de uma nova cirurgia para o goleiro conseguir voltar a jogar. Os exames apontaram que a lesão atual ficou ainda maior do que antes, e o procedimento é considerado de grande complexidade.

– O procedimento é ainda mais delicado da primeira vez. É uma cirurgia de revisão. A lesão dele hoje é maior do que ele tinha antes da primeira cirurgia. Além disso, você pode somar a essa informação que o tendão já foi mexido, perfurado por agulhas, passou fio, existe uma reação cicatricial em volta do tendão, que tende a ficar aderido… Isso não existia antes, mas depois de uma primeira cirurgia, questão da fibrose, dificulta bastante o procedimento cirúrgico. Primeiro vamos fazer uma limpeza de todo o tecido inflamado do cotovelo, remover fios que por ventura estiverem soltos, parte do tendão que estiver rasgado, deixar só o tendão saudável ali e fazer o reparo. Vamos pegar a ponta e levar de volta para amarrá-lo lá novamente com furos através do osso – explicou o doutor, que apesar dos riscos operatórios está otimista para a cirurgia.

A nova cirurgia causou enorme mal-estar em General Severiano. O goleiro se pronunciou pela primeira vez sobre o caso na última quarta-feira, em entrevista coletiva no Cefat, em Várzea das Moças, em Niterói (RJ), onde o elenco do Botafogo está concentrado até sábado. Ao lado do dr. Luiz Fernando Medeiros, coordenador médico alvinegro e responsável pela primeira cirurgia, Jefferson desabafou, mostrou-se resignado e disse que eles chegaram no limite. Schiefer prefere não dar prazos agora, mas a expectativa é que a recuperação leve mais seis meses.

Confira a entrevista completa com o médico:

GloboEsporte.com: quando surgiu o primeiro contato com o Jefferson sobre a lesão?

Márcio Schiefe: Já conheço o Jefferson há mais tempo, antes de ele ter qualquer problema, minhas filhas estudaram com as dele. Ele nunca precisou dos meus serviços, mas mantínhamos contato. É um cara dócil, amável. Ele me procurou quatro meses depois (de operado), na época eu nem sabia da cirurgia. Ele me procurou, achou que valia a pena ouvir uma segunda opinião. Quando cegou até mim, a gente foi fazer exames de ressonância magnética para fazer uma avaliação que constatou, além de muita inflamação, uma ruptura do tendão do tríceps. É um dos principais do cotovelo, que faz o cotovelo esticar. Na posição dele é ainda mais importante porque ele cai ao solo e se apoia muito sobre o cotovelo. É uma lesão bastante séria, especialmente para um goleiro.

Vai ser mesmo procedimento da primeira cirurgia ou diferente?

O procedimento é ainda mais delicado da primeira vez. É uma cirurgia de revisão. A lesão dele hoje é maior do que ele tinha antes da primeira cirurgia. Além disso, você pode somar a essa informação que o tendão já foi mexido, perfurado por agulhas, passou fio, existe uma reação cicatricial em volta do tendão, que tende a ficar aderido… Isso não existia antes, mas depois de uma primeira cirurgia, questão da fibrose, dificulta bastante o procedimento cirúrgico. Primeiro vamos fazer uma limpeza de todo o tecido inflamado do cotovelo, remover fios que por ventura estiverem soltos, parte do tendão que estiver rasgado, deixar só o tendão saudável ali e fazer o reparo. Vamos pegar a ponta e levar de volta para amarrá-lo lá novamente com furos através do osso.

Vai ser necessário usar enxerto novamente?

A decisão de usar enxerto nessa cirurgia de amanhã vai ser tomada internamente. Existem alguns locais do corpo que podem ser tirados enxerto: o outro joelho, o antebraço… Mas não gostaria de tirar porque em uma eventualidade ele pode precisar e não vai ter. Nem do antebraço dele, pois para um goleiro pode fazer falta no futuro. Nossa decisão é por pelo menos ter disponível enxerto de tendão do banco de tecido do Into. Nós lá temos disponível um banco de tecido para transplante de enxerto. É o mesmo procedimento de transplante de órgão, existe de tecido e cartilagem. Embora a cirurgia não seja no Into, o hospital onde vai ser tem credenciamento para fazer essa cirurgia lá. Então pode ser que seja utilizado, tenho disponível mais de um tipo de tendão.

E o que vai definir usar ou não o enxerto?

Basicamente a condição do tendão. Se for um tendão muito sofrido, com aspecto desfavorável. Outra questão é se estiver muito afastado do osso, se tiver dificuldade de chegar até o osso. Ou mesmo só para reforçar, garantir uma força ainda maior para o reparo que foi feito.

Quantos serão os médicos em sua equipe na cirurgia?

Os médicos que vão operá-lo comigo são todos do Into, que é um hospital federal do Ministério da Saúde. Todos os casos mais complicados nós acabamos acumulando lá. Então toda a equipe que vai comigo tem experiência nisso. Serão quatro cirurgiões contando comigo, mais dois anestesistas e um instrumentador. É uma equipe bastante grande e qualificada. Sendo uma segunda cirurgia, exige-se cuidados redobrados.

Quanto tempo leva essa cirurgia?

Entre duas e três horas. A cirurgia é o primeiro passo da recuperação. Não é “operou e está pronto”. Claro, é fundamental que o primeiro passo seja bem dado, mas não é o único. Na cirurgia vamos colocar o tendão em contato com o osso. Para que esse processo realmente aconteça, o pós-operatório é fundamental, o repouso é muito importante para uma fixação forte. Nós oferecemos condições para que o tendão cicatrize, mas quem faz a cicatrização é o próprio organismo. Tem uma série de cuidados, não só repouso, mas introdução de exercícios de fortalecimento muscular e ao final do reforço o retorno ao gramado. Essa é a caminhada que a gente vai começar.

Qual o prazo você acredita que o Jefferson voltará a treinar normalmente?

Vou ficar te devendo esta resposta. É muito difícil prever isso nesse momento. A cirurgia primária já é difícil, uma de revisão é ainda mais. Ele vai ficar seis semanas com o braço imobilizado no ângulo de 90 graus, depois fará trabalhos de recuperação do movimento. A gente só vai introduzir exercícios de força muscular quando completar três meses, mas não treino com bola. A partir da reposta dele dos exercícios de fortalecimento que vamos planejar.

Acha que houve uma precipitação retorno dele aos treinos?

É difícil dar uma posição sobre o que passou. Recebi o Jefferson quatro meses depois de operado, não acompanhei nem o pré-operatório, a cirurgia e tão pouco a recuperação pós-operatória. Só o Luiz Fernando (Medeiros) e a equipe médica deles podem dar mais informações do que eu. Prefiro falar de agora para frente.

Na sua visão, por quê não deu certo a cicatrização após a primeira cirurgia?

A cicatrização é um processo bastante delicado do ponto de vista molecular, tecidual. Envolve desde a cirurgia em si, e creio que tenha sido super bem feita pelos profissionais do Botafogo que são competentes; passa por questões biológicas da própria pessoa, cada um é diferente; e passa pela qualidade do tendão, se estiver muito sofrido, desgastado, tende a ser mais difícil. Passa também pelo processo de recuperação do pós-operatório. Existem ainda trabalhos científicos feitos nesse campo, inclusive desenvolvimento de substâncias para uma melhor cicatrização. A gente acha que sabe, mas não tudo. Há muita coisa ainda sendo pesquisada.

Apesar da gravidade da lesão e dos riscos, qual é a sua expectativa?

Embora eu esteja bastante ciente, e ele também, da situação difícil que é, a gente está muito confiante que vai dar certo. E vai dar, até porque, além de todos os cuidados, ele é um atleta muito dedicado, muito perseverante e disciplinado. Se fala que tem que fazer alguma coisa, ele cumpre à risca. Quer ficar bom logo e voltar a jogar.

Fonte: globoesporte.com.br/botafogo


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