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Kanu muda hábitos, se apoia na família e amadurece para assumir responsabilidade no Botafogo

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Zagueiro de 23 anos lembra início da carreira como atacante e choque necessário após tempo emprestado à Cabofriense: “Vi uma realidade diferente, que abriu minha cabeça”

Kanu está em constante mudança desde que iniciou no futebol. Mudou de clube, de posição e, recentemente, trocou os hábitos para assumir a titularidade do Botafogo na temporada. O amadurecimento do zagueiro de 23 anos como pessoa foi fundamental para o atleta ganhar espaço e reconhecimento.

“Eu me preparei muito pra esse momento. Coloquei na cabeça que tinha que ser diferente. Mudei minha alimentação e abri mão de coisas que, para um jogador de alto nível, não convêm”, resumiu Kanu.

As primeiras mudanças

Depois de passar por Flamengo e Vasco, o zagueiro chegou ao Botafogo em 2014 para o time sub-17.

– Na época, eu cheguei como atacante e joguei um torneio que tinha na base, Guilherme Embry e a dupla de ataque foi eu e Ribamar (hoje no Vasco).

Sim, Kanu era atacante e depois de dois jogos na posição, foi abordado por Mauricio Souza, técnico do sub-17 na ocasião, que viu no jogador potencial para ocupar uma vaga no sistema defensivo. O jovem mergulhou na ideia.

– O professor Mauricio chegou em mim logo depois desse jogo da Guilherme Embry e falou: “Te vejo como zagueiro, me acha louco?”. Eu falei que achava, mas já tinha rodado em alguns clubes e queria ficar em um time grande e falei que ia escutar. Conversei com o meu pai e ele: “Esse cara tá louco”. Fiquei pensando: “O professor tem uma leitura. Ele não vai falar por acaso, eu vou comprar a ideia”.

“Fui de cabeça aberta e aconteceu. Só tenho a agradecer a todos que acreditaram em mim e viram essa possibilidade”.

No ano seguinte, Mauricio deixou o Botafogo e a tarefa de trabalhar Kanu na zaga ficou a cargo do então técnico do sub-15, Felipe Conceição. Ao GE, o ex-jogador e treinador do Botafogo falou do comprometimento do atleta com a nova posição, dividida com o zagueiro Lyanco.

– O que eu passei para o Kanu e ele foi muito receptivo é ter paciência de saber lidar com os erros no início do processo, mas que teria a minha confiança, teria o respaldo do treinador para que ele pudesse evoluir. Com uma dedicação enorme que servia até de exemplo para os outros meninos do clube, foi evoluindo a passos largos – lembrou Felipe.

– Não tinha zagueiro nenhum e Felipe olhou pra mim e disse: “Tem que ser tu”. Ele acreditou em mim, foi firme comigo. Minha cabeça era um pouquinho dura, tive que aprender tudo do zero, então, ele me ajudou bastante. Também a dupla não era difícil, Lyanco era um baita jogador – completou Kanu.

Kanu como zagueiro aconteceu rapidamente. Em 2016, ele fez parte do time campeão brasileiro sub-20 e começou a ser observado com mais atenção pelo Botafogo.

Um choque necessário

Depois de participar de um jogo pelo profissional em 2018, Kanu foi emprestado à Cabofriense na temporada seguinte para a disputa do Campeonato Carioca, mas não atuou em nenhum confronto. Voltou ao Botafogo treinando separadamente do elenco até ser recuperado pelo então técnico, Eduardo Barroca. O tempo fora fez bem ao zagueiro.

– Na Cabofriense, eu ganhei mais rodagem, vi a vida como ela é de verdade. Nunca tinha passado por um clube de menor expressão, cheguei lá e vi uma realidade totalmente diferente, mas que abriu minha cabeça. Vi pessoas de bem, um clube querendo um lugar ao sol, então, eu vi que tinha tido oportunidade e não agarrei.

“Sabia que se eu voltasse, se tivesse oportunidade de novo, não deixaria passar e foi o que aconteceu”.

Kanu terminou 2019 com três jogos pelo Botafogo e com a certeza de que precisava mudar para se tornar um atleta profissional de alto nível. Depois de um ano e meio sem participar de uma partida oficial (entre 25 de janeiro de 2018 e 11 de agosto de 2019), o zagueiro introduziu novos hábitos na sua rotina. Isso mudou sua carreira.

– Quando voltei da Cabofriense, mudei minha alimentação, abri mão de coisas que, para um jogador de alto nível, não convêm. Chegava 9h no clube e ia embora às 18h para que quando chegasse o momento, eu estivesse totalmente preparado para assumir a responsabilidade e ter regularidade. Agradeço aos fisioterapeutas do clube, fisiologista, nutricionista, preparação física, que me ajudaram durante esse período de preparação.

Os sacrifícios valeram a pena. Em 2020, Kanu aproveitou as oportunidades que tanto esperava, conquistou Paulo Autuori e assumiu a titularidade no Botafogo. É o único jogador que participou de todos os minutos do time desde o início do Brasileirão: jogou os últimos 13 jogos completos, incluindo os três pela Copa do Brasil.

Evolução de Kanu no Botafogo

  • 2018: 1 jogo
  • 2019: 3 jogos
  • 2020: 22 jogos

Importante nos confrontos com o Vasco, que culminaram na classificação do Botafogo às oitavas de final da Copa do Brasil, Kanu divide espaço com estrelas como Keisuke Honda e Salomon Kalou. A evolução é um processo contínuo e o zagueiro sabe que tem um caminho longo pela frente, por isso não recusa qualquer chance de aprender.

– Ainda tem o Cavalieri, que jogou no Liverpool. É um cara que tenho como referência aqui dentro, ele inspira a todos, é sensacional. Tem Gatito, Honda, Kalou, jogadores que, no momento difícil, dão orientação e eu estou sempre pronto para escutar e evoluir.

Ao lado dos amigos Marcelo Benevenuto e Caio Alexandre, com quem conviveu na base, Kanu atrai holofotes nos bastidores. Em vídeo divulgado pela BotafogoTV na última quinta-feira, o zagueiro aparece motivando o elenco antes da classificação em cima do Vasco na Copa do Brasil. Liderança é mais uma das características que o defensor tem desenvolvido.

O Kanu por trás do uniforme

Kanu tem 23 anos, mas suas atitudes nos fazem pensar que ele poderia ser mais velho. A responsabilidade do atleta foi motivada por uma mudança longe dos gramados. Há três anos, o zagueiro é pai da Sofia. A relação com a filha e com a esposa Carol o transformou.

– Paternidade era algo que eu não imaginava e veio para mudar minha vida, juntamente com minha esposa. Elas são o pilar desse Kanu que se transformou mental e fisicamente. Conseguimos crescer juntos. Nos dias difíceis em que nem era relacionado, elas me davam força para continuar trabalhando, chegar cedo no clube e estar preparado para que não deixasse passar quando chegasse minha oportunidade.

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As mudanças, algumas radicais, fazem parte da vida de Kanu, mas uma coisa permanece igual: o local onde o zagueiro vive. Apaixonado por Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro, o zagueiro faz questão de manter as raízes vivas na sua rotina. Não esquecer de onde vem é um exercício diário para o jogador. Criado com os pais e o irmão, a família sempre foi base para que o sonho, que começou nos campos do Jardim Gramacho, alcançasse palcos maiores.

– Caxias foi onde cresci, tive minha infância e me fez para o mundo. Sou muito grato a tudo que vivi e vivo nessa cidade, em especial meu bairro Jardim Gramacho, onde mora minha família e amigos – concluiu o zagueiro.

Fonte: GE / Foto de Capa: Vitor Silva / Botafogo


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