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Liderança precoce na crise e rápida identificação: “os 10 anos em 10 meses” de Gabriel no Botafogo

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Em semana mais tranquila por conta da vitória em que deu “lançamento de Gerson”, craque citado pelo avô, zagueiro afirma que o maior desejo dele é seguir no Glorioso em 2020

“Parece que você está há 10 anos no Botafogo”. Assim Joel Carli, principal voz ativa do elenco alvinegro, recrutou Gabriel, que tem 24 de vida, para participar de reuniões dos cabeças do grupo. Nascia um novo líder. Não apenas técnico, mas em representatividade.

O zagueiro de Matozinhos-MG chegou ao Alvinegro bem mineirinho, mas rapidamente respondeu em campo com um futebol eficiente e limpo. Técnico e rápido, lidera a estatística de passes certos no Brasileiro, com 1391. É também o recordista do Botafogo em minutos jogados na temporada (4105 em 43 jogos). Só foi desfalque quatro vezes, uma por suspensão e três devido ao contrato com o Atlético-MG.

Vale destacar que foi dúvida para o duelo contra o CSA, do qual foi destaque inclusive, por um tostão levado contra o Vasco. Mas, além do tratamento diário no Nilton Santos, Gabriel investiu em um profissional para reforçar seus cuidados e consequentemente impedir que perdesse pela primeira vez uma partida por questão física. Jogou – bem – e foi decisivo com uma assistência para Igor Cássio.

Ou seja, entregou o que dele se esperava e se firmou como melhor contratação do clube para 2019. Mas agora também oferece palavras de apoio e carinho a quem mais precisa: os funcionários, que tanto sofrem com os constantes atrasos. Em papo com o GloboEsporte.com tratou de tudo. Dificuldades financeiras, momento pessoal no Botafogo, o primeiro gol e o lançamento “à la Gerson” que deu para Igor Cássio na vitória sobre o CSA. E revelou, com muito carinho à Estrela Solitária, um desejo.

– Com certeza. Esse é meu principal desejo e principal objetivo (ficar no Botafogo em 2020). Foi um lugar que me abriu portas e que me valorizou muito. Eu preciso do Botafogo, não é o Botafogo que precisa de mim. Estou vivendo um momento mágico e especial. Um dos meus maiores sonhos é ganhar um título pelo Botafogo.

Confira o papo na íntegra abaixo:

Você disse que muitas pessoas te marcaram no Instagram comparando seu lançamento para o Igor Cássio com os do Gerson Canhotinha de Ouro, ídolo do Botafogo. Você já tinha ouvido falar dele?

Já tinha ouvido falar através do meu avô (Seu França). A primeira coisa que aconteceu foi falar com meu avô, e ele me lembrou muito bem disso. Fiquei muito feliz por ter dado apenas uma parcela de contribuição para o bom resultado que tivemos naquele grande jogo.

E Seu França gostava do Gerson?

Sim, ele acompanhava muito futebol. Gerson era um dos ídolos do Botafogo e da seleção brasileira. Fiquei muito feliz por essa comparação, porque o lançamento foi bonito e também por consequentemente ter saído o gol da nossa vitória.

Esse gol mostra um pouco da mudança do estilo do Botafogo. Você não era de fazer ligação direta com o Barroca, o time saía mais tocando. Não é um jogador de fazer lançamentos. O que lhe fez tomar essa decisão pela ligação direta?

Como a bola estava muito atrás, às vezes a defesa adversária não espera um lançamento daquela distância. Credencio muito ao movimento que Igor Cássio fez. Ele fazendo o movimento, tive a possibilidade de fazer o lançamento. Se ele não tivesse feito, seria apenas um chutão para frente ou um lançamento qualquer.

Ele foi muito feliz na movimentação, também fui muito feliz no lançamento. A nossa felicidade foi a felicidade de todos os jogadores e dos torcedores do Botafogo.

Qual sua porcentagem no gol dele? Pediu para ele te pagar um almoço?

Já falei com ele (risos), disse que vou renovar o contrato dele ainda e que ele vai me dar uma porcentagem, mas é um cara merecedor. Cara que batalha, merece e é um fruto da base do Botafogo. Jogador com muita qualidade. Que seja o primeiro de muitos para dar alegria ao torcedor do Botafogo.

Falando em gol, pouco badalamos o seu primeiro pelo clube, contra o Goiás, por conta dos áudios do Montenegro que vazaram no dia seguinte ao jogo. Como foi marcar um gol pelo Botafogo?

Nossa, você não tem ideia de como me senti feliz e honrado. Por defender um clube com o qual tanto me identifiquei e poder fazer um gol ao lado do torcedor, com minha esposa e amigos no estádios…

Foi uma emoção tremenda. Não conseguia dormir, ficava vendo o jogo de novo e o gol em casa. Foi uma vitória de alívio, estávamos atravessando um momento difícil. Fiquei muito feliz pelo gol e pelo resultado.

Qual a importância desse gol na sua carreira?

Pelo momento que estávamos atravessando, creio que foi um dos mais importantes da minha carreira. Estávamos cinco jogos sem vitória e muito pressionados. Fazer aquele gol deu um alívio e uma confiança a mais. Me sinto privilegiado por vestir a camisa do Botafogo e de ter feito um gol daquela importância.

Você falou em identificação com o Botafogo. Como conseguiu criar laços tão rapidamente, principalmente após a saída do Igor Rabello, que era muito querido?

Para criar esses laços, tenho uma coisa comigo: é fazer o meu melhor, independentemente de onde e como seja. Você fazendo o melhor e se entregando ao máximo, você tem o reconhecimento das pessoas. Minha adaptação foi muito rápida, o grupo me recebeu tão bem que fiquei até surpreso. Você vê os jogadores, comissões técnicas (trabalhou com três), roupeiros e massagistas.

Eles me deixaram muito em casa. Isso é um fator primordial para desempenhar o melhor papel possível dentro dos gramados. Fico muito feliz pela recepção que tive aqui e também pelo carinho que o torcedor do Botafogo está tendo comigo. Então só espero retribuir. Nada mais do que isso.

No dia da entrevista sobre o protesto dos atletas, esperávamos que Cícero ou Diego Souza se juntariam a Carli e João Paulo. Sua aparição foi uma surpresa. Além da rápida identificação, você logo se tornou um líder. Já tinha essa característica de liderança no Galo?

Foi uma novidade, não tinha essa liderança no Galo. Na base, eu tive. Sempre fui capitão. Mas no profissional não cheguei a ter essa liberdade. E o Carli me chamou um pouco antes e falou “Parece que você está há 10 anos no clube. Quero que você vá na reunião conosco”. Aí eu disse: “Claro, não tem problema nenhum”.

Me senti mais uma vez honrado pelo fato de o capitão do time, o cara que é uma referência para nós, ter me chamado para participar de uma reunião que às vezes é até para expor um pouco mais um jogador. Falei para ele prontamente: “Estou com vocês em qualquer situação, podem contar comigo, porque eu vou estar do lado”.

Isso credencia as pessoas boas que estão no Botafogo e que nos ajudam. O Carli, para mim, é uma referência. Não o conhecia ainda, mas depois que comecei a ter o convívio com ele, vejo que é o verdadeiro capitão.

Não é somente o jogador que carrega somente a braçadeira. Ele briga por coisas boas, se tiver errado, vai te dar um puxão de orelha. Essas pessoas boas que estão ao meu lado têm me ajudado muito a crescer.

De quais jogadores você mais se aproximou no Botafogo?

Eu tenho uma relação muito boa com todo mundo. Brinco com todos, desde os meninos da base até os mais experientes. Tenho uma relação muito boa com o Pimpão, que concentra comigo. Com o Carli, com o Gatito principalmente. Vai até fora do campo, a gente sai para jantar junto com nossas esposas.

E o Gatito fala alguma coisa quando sai com você?

Fala (risos), boto o Gatito para pagar conta também. Ele é um cara fantástico. Me identifiquei muito com o grupo do Botafogo, e é um privilégio vestir essa camisa.

Por mais que você esteja muito feliz no Botafogo, como é conviver com esses constantes atrasos com atletas e principalmente com os funcionários, tristeza que você expressou na coletiva do protesto?

É muito triste. Sou um cara muito família, então tento me colocar no lugar daqueles pais de família. Você tem uma criança em casa e tem que dar o leite, o alimento. Seu filho vai te pedir um presente ou uma comida e como você vai responder para ele que está com salário atrasado? Às vezes a criança não vai entender isso.

Eu gosto muito de criança, então tento passar para eles que é um momento delicado e difícil do clube, mas que a gente ajuda da maneira que pode. Por mais que seja para ajudar numa conta, numa cesta básica ou com um valor para comprar gás para casa e alimento para a filha. Então é difícil vê-los tristes, cara.

Você vê vários funcionários tristes, mas, mesmo com essa tristeza, eles não deixam que isso afete os jogadores. Você pede um favor, e eles prontamente te ajudam.

Isso nos faz querer buscar o melhor para eles e para o clube. Infelizmente é uma coisa que está se tornando comum no futebol brasileiro, mas é algo que não podemos aceitar. Têm esses pais de família que têm crianças e pessoas que dependem deles. Pelo futebol ser tão apaixonante e requisitado no mundo inteiro, é complicado ver os clubes passando por essas dificuldades.

Você, apesar de auxiliar financeiramente, se mostra um cara carinhoso. Que ajuda também com palavras. Como é a sua relação com os funcionários no trato?

Principalmente com os roupeiros. Quando os vejo tristes, já vou brincar e mexer com eles. Vou zoar com eles para ver se passa esse clima de tristeza e insegurança. Brinco muito com os roupeiros Zé, Amendoim e o outro roupeiro que apelidei de Alex Santana. A gente brinca principalmente no momento em que estão para baixo ou um pouco abatidos.

Às vezes não somente com dinheiro, às vezes eles precisam de um abraço, de uma brincadeira e de algo que não seja somente material. Às vezes precisam de uma palavra de consolo também.

Essa questão da liderança, apesar de ser nova em sua vida, é algo que lhe agrada?

Encaro muito bem. Muito feliz por ter uma responsabilidade como essa com apenas 24 anos. E ter uma responsabilidade dessa num grupo tão grande como o Botafogo. Mas sou apenas um, o líder principal é o Carli, e eu me espelho muito nele.

Observo muito as atitudes dele e as coisas que ele pega para resolver. É referência, um líder dentro e fora do campo. Ajuda, conversa e brinca com todo mundo. Esse espírito de liderança é muito bem-vindo. Fico muito feliz por ter essa experiência nova.

Seu contrato com o Botafogo termina em 2020, mas o Atlético-MG pode pedir seu retorno antes. Mas, pelo que você nos disse, não quer sair de jeito nenhum por agora, certo?

Com certeza. Esse é meu principal desejo e principal objetivo. Foi um lugar que me abriu as portas e que me valorizou muito. Eu preciso do Botafogo, não é o Botafogo que precisa de mim. Estou vivendo um momento mágico e especial. Um dos meus maiores sonhos é ganhar um título pelo Botafogo.

O que te fez gostar tanto do Botafogo?

Até difícil de falar uma ou duas coisas, são várias coisas boas que o Botafogo tem me proporcionado. Primeiro por ter aberto as portas para ter esse privilégio de vestir essa camisa tão grande. Outra coisa é o carinho que tenho no clube e o carinho recíproco com o torcedor.

Estou muito feliz aqui. Sou até suspeito para falar do Botafogo e do Rio de Janeiro, um lugar ao qual me adaptei muito bem. Tenho certeza que foi a melhor decisão da minha vida. Tenho um pensamento grande no Botafogo: antes de ir embora, eu quero ser campeão pelo Botafogo.

E sobre o Rio: o que mais te agradou até agora e o que falta conhecer?

A cidade já falam que é maravilhosa. Você sai na rua e já vê várias montanhas, sai um pouco mais, vê praia e um ambiente muito gostoso. Estou superadaptado ao Rio. Moro num lugar tão bom e confortável. Tenho vontade de conhecer o resort Porto Bello, em Angra. De turismo, eu só fui no Cristo. Ainda não fui no Pão de Açúcar. Quero conhecer ainda vários lugares. Espero ficar um bom tempo aqui e terei tempo para conhecer ainda.

Fonte: globoesporte.com


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