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Maduro no terceiro ano de Botafogo, Luiz Fernando tem na família a esperança de um ano melhor

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Caseiro e frequentador da praia quando tem um tempinho, atacante conta com as visitas diretamente do centro-oeste brasileiro para que os gols voltem a sair – assim como foi diante do Paraná

Os torcedores começaram a se levantar no Nilton Santos quando Luiz Fernando recebeu de Caio Alexandre e disparou pela direita aos 11 minutos do primeiro tempo da partida contra o Paraná. O placar ainda marcava 0 a 0, mas isso mudaria no fim daquela jogada. A cada passada dada pelo tocantinense de 23 anos era uma batida mais acelerada no coração dos botafoguenses. Mas um, em especial, estava atento aos toques na bola – e movimentação sem ela – do camisa 7.

Manoel Junior é aquele tipo de pai coruja, que gosta de participar e ajudar ao máximo na carreira do filho. Porém, quando é pra puxar a orelha, dar alguma sugestão ou elogiar não pensa duas vezes. Fala mesmo. E é ele quem está por trás da confiança exibida por Luiz Fernando nas últimas duas partidas em que foi titular.

Na comemoração do gol, Luiz ergueu os braços para o alto, juntou as mãos e fez o coraçãozinho para a namorada Laila, com quem está junto desde 2016 e divide o apartamento na Barra da Tijuca.

Segundo de três filhos, Luiz deixou a pequena e pacata cidade de Tocantinópolis (31 mil habitantes segundo o censo de 2010 do IBGE) quando tinha 16 anos para tentar a sorte como jogador de futebol a quase 1.300 quilômetros de distância. Morando no alojamento do Atlético-GO desde então, o garoto sentia falta da família – que às vezes precisava fazer uma vaquinha para manter o menino longe de casa, mas perto do sonho. Hoje, ele vê que os sacrifícios valeram a pena.

– Desde que eu tive o sonho de ser jogador, apareceu a oportunidade de ir para Goiânia fazer o teste. Aí eu falei “é agora ou nunca”. Fui, às vezes ligava chorando para ir embora porque nunca tinha saído de casa. Tinha 16 anos, mas meu pai falava comigo: “É isso que tu quer? Então vai ter que passar por essas dificuldades. Vou aí, fico um dia contigo para te ajudar, mas se é isso que você quer, vai ter que passar por cima dessas dificuldades todas”. Então desde lá eu botei na minha cabeça que não vai ter dificuldade, não. A dificuldade pode aparecer, mas a gente vai procurar trabalhar para passar por cima.

Se o ano de 2019 foi mais de baixos do que de altos para Luiz Fernando, a esperança é de que esta temporada seja diferente. Com a presença constante de seu Junior em casa – ele alterna três meses no Rio de Janeiro com um no Tocantins junto da esposa e os outros filhos -, a expectativa é de que a saudade não marque tanto o atacante.

– A gente vai aprendendo, ganhando rodagem, disputando competições importantes, ganhando coisas boas, aprendendo mesmo. Cada treinador tem uma forma de pensar. Acho que tem a questão de força, estou mais forte fisicamente. Quando cheguei, o Rodrigo (Vilhena), nosso nutricionista, me ajudou bastante. Pessoal da academia também, preparação física com o Felippe Capella, me ajudou bastante. Quando eu cheguei era mais franguinho, e agora aguento um tranco – disse o jogador, que recebeu o GloboEsporte.com em casa na última quarta-feira.

Calejado dos trancos da vida de jogador, Luiz Fernando chega ao terceiro ano de Botafogo naturalmente mais maduro do que os 21 que tinha em 2018. Na entrevista, o atacante falou um pouco da infância em Tocantinópolis, da convivência com Honda e Autuori, da importância do apoio para a família e muito mais.

Confira tudo da conversa entre GloboEsporte.com e o jogador abaixo:

Infância em Tocantinópolis

– Jogava muita bola. Às vezes fugia da escola para jogar bola. Sempre gostei bastante de bola. Minha brincadeira favorita era futebol. Onde andava eu ia chutando bola, tampinha… o que eu achava de bola estava chutando. Meus primos também gostavam bastante. Lá no interior, cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo, brinca… A gente jogava campeonato local. De lá, eu só trago coisa boa. Minha família sempre me deu apoio. Desde que eu disse que tinha o sonho de ser jogador de futebol, que comecei a jogar sub-20, sub-17, minha família ajudava bastante quando eu estava no Atlético.

– Chegaram a fazer vaquinha para eu ficar lá, porque venho de família humilde e não tinha tantas condições. Mas meu pai fez de tudo para eu correr atrás do meu sonho, mas com muita fé, saúde e educação, eu consegui realizar meu sonho. Agora espero retribuir o que eles fizeram por mim e espero melhorar e buscar meu espaço no meio do futebol e para que tudo que a minha família precisar de mim eu estar ali para poder ajudá-los.

Sonho de ser jogador de futebol

– Acho que desde pequeno mesmo, desde que meu avô começou a me levar. Ele era um cara que me cobrava bastante, levava para os jogos, ficava assistindo sempre. Desde que eu tive o sonho, apareceu a oportunidade de ir para Goiânia fazer o teste. Aí eu falei “é agora ou nunca”. Fui, às vezes ligava chorando para ir embora porque nunca tinha saído de casa. Tinha 16 anos.

– Meu pai até falava comigo às vezes: “É isso que tu quer? Então vai ter que passar por essas dificuldades. Vou aí, fico um dia contigo para te ajudar, mas se é isso que você quer vai ter que passar por cima dessas dificuldades todas”. Então, desde lá, eu botei na minha cabeça que não vai ter dificuldade, não. A dificuldade pode aparecer, mas a gente vai procurar trabalhar para passar por cima.

Valeu à pena?

– Sim, aprendi bastante. Uma coisa que meu pai fala sempre é da humildade. Porque humildade não te faz melhor nem pior do que ninguém, te faz ser quem você é, de onde foi e para jamais esquecer das origens. Meu pai sempre me conversa isso comigo. Não é porque eu estou no Botafogo que posso me achar isso ou aquilo. Tenho que manter a humildade sempre, ser a pessoa de como eu saí do Tocantins até hoje. Não mudar. Devo continuar sendo essa pessoa humilde e tenho certeza que virão muitas coisas boas por aí e fico feliz do meu passado. Não tenho vergonha nenhuma.

Início no Atlético-GO

– Cheguei lá com 16 anos. O presidente do time da minha cidade que arrumou o teste para mim. Eu passei, mas para ficar lá tinha que pagar alojamento. Foi aí que começou a dúvida de fica ou não fica. Meu pai falou: “Não, filho. Não é isso que você quer? Então você fica. A gente dá nosso jeito aqui”. Minha família fez de tudo para me manter lá.

Como é o contato com a família mesmo à distância

– Minha família é o que eu tenho de mais precioso nessa vida. Sempre que dá, eles vêm para cá me dar apoio. A família, mesmo longe, procura sempre ligar, mandar mensagem, perguntam como eu estou. Minha mãe (Maria Ivonete), também. O apoio deles é fundamental para isso.

O que faria se não fosse jogador

– Se não desse certo no futebol eu iria estudar. Pensava em ser professor de educação física. Sempre fui apaixonado pelos esportes e futebol. Então, queria algo que estivesse ali no meio, que envolvesse atividade física. Se não desse certo no futebol, eu iria estudar para ser professor de educação física.

Diferença da base para o profissional

– Sim, senti muita diferença. O Atlético-GO é um time grande e que me acolheu muito bem. O presidente Adson Batista foi um cara que me ajudou bastante na minha carreira, sempre esteve ao meu lado e me acolheu da melhor forma possível. Quando eu subi para o profissional, o clube fazia tratamento especial comigo sobre alimentação e essas coisas, porque eu era bem franzino.

– Lá, os funcionários, povo da comissão, roupeiros, os caras sempre gostaram muito de mim. Então creio que isso me ajudou bastante para poder subir de degrau em degrau. Em 2016, fui feliz em conseguir o acesso e ser campeão. No ano seguinte, disputei meu primeiro Campeonato Brasileiro e fui feliz em ter marcado nove gols. Serei eternamente grato ao Atlético por tudo que eles fizeram na minha carreira.

Pressão por ter sido um dos poucos com quem o Botafogo gastou dinheiro em 2018

– Pressão é uma coisa que muitas pessoas ajudam e outras atrapalham. Só de vestir a camisa do Botafogo já é uma pressão. Quando recebi a ligação do meu empresário sobre a vinda para cá, eu fiquei muito feliz. Eu falei logo de cara que já queria porque é uma camisa de muita tradição, pesada, que tem história.

– Quando eu cheguei aqui a torcida me acolheu muito bem. Todo mundo: presidente, pessoal da comissão, jogadores… E isso me ajudou bastante porque eu tinha 20 anos e vir para um Botafogo, time do tamanho que é, com a pressão que tem… Foi uma diferença muito grande, sair de Goiânia para vir ao Rio de Janeiro, cidade e clube grandes. É um clube também que eu serei grato por tudo. Desde o dia que eu cheguei até hoje sempre fui muito bem tratado.

Peso da camisa 7

– Sabemos que a camisa 7 é histórica no Botafogo. Fico muito feliz em carregar o número 7 nas costas porque é uma camisa que foi de Garrincha e sabemos o que ele fez para o futebol brasileiro. Querendo ou não, tem uma pressão muito grande vestir essa camisa. Sempre que eu visto procuro representar da melhor forma possível dentro de campo. Fazendo gols, jogadas… Tem muito torcedor que me lembra que estou vestindo a camisa do Garrincha, dizendo que tem história. Tem pressão, mas é boa. Quem é que não queria estar vestindo a camisa 7 do Botafogo? Estou muito feliz.

Por que 2020 pode ser diferente de 2019?

– Sou ciente de que 2019 foi um ano difícil, mas em momento algum eu deixei de trabalhar. Sempre continuei trabalhando firme e forte todos os dias, mesmo na dificuldade. Nunca fui de baixar a cabeça, parar, nem nada. Mesmo com a dificuldade e pressão que tava, com torcedor me cobrando com razão, eu continuei trabalhando firme. Graças a Deus, 2020 está sendo um ano maravilhoso.

– Espero dar continuidade a esse ano de 2020 e que seja um ano de vitória, conquista, muitas realizações e, cada dia que passa, eu falo para o meu pai que tenho que matar um leão por dia. Então, tenho que estar aprendendo alguma coisa. Não posso chegar lá e voltar da mesma maneira. Tenho que trazer alguma coisa de positivo para mim. Sempre procuro melhorar mais e mais para dar alegria para a torcida alvinegra.

Faria comemoração do cheirinho de novo?

– Fiz e não me arrependi de ter feito. Foi no calor do jogo. Assim como o Vinicius Junior fez a comemoração dele, eu fiz a minha. Se, por acaso, tiver a oportunidade de marcar o gol da vitória ou alguma coisa do tipo, se vier na cabeça na hora, eu faço. Não vejo problema algum. Não estou desrespeitando ninguém, é uma comemoração. Muitas vezes o futebol está até ficando chato por conta disso. Ninguém pode brincar, nem fazer nada. Se eu fizer o gol, faço de novo.

Sondagem do Milan no ano passado

– Quando meu empresário me contou eu fiquei muito feliz, por causa do tamanho que é o Milan né. A gente nem esperava isso. Acho que todo jogador iria ficar feliz. Quem não iria ficar feliz de receber uma sondagem do Milan? Eu mesmo fiquei muito feliz por essa sondagem. Acho que tudo é no tempo de Deus. Vou continuar trabalhando firme e forte e deixar nas mãos Dele. Claro, não tem como (não se assustar). Quem saiu do interior do Tocantins para ir para um dos maiores da Europa. Quem não iria se assustar? Mas seria um susto bom, de vestir a camisa de um clube do jeito que é.

Diferença de Autuori para os outros seis técnicos que teve no Botafogo

– Creio que cada um tem sua maneira de pensar e trabalhar. Todos os treinadores que passaram aqui, eu aprendi bastante e tento sempre pegar algumas coisas. Paulo Autuori é um treinador experiente, tem um currículo invejável, com muitos títulos. Creio que vai ajudar bastante a gente. Cada jogador tem uma forma de pensar e trabalhar. Todos que passaram aqui me ajudaram bastante.

– Ele conversa bastante comigo. Sempre me chama para conversar, me cobra bastante nos treinamentos para eu procurar evoluir. Acho que todos que passaram têm alguma coisa de importante para agregar na minha carreira. Paulo Autuori é um cara experiente, que procura sempre conversar com a gente, explicando o caminho certo e procuro sempre pegar as coisas positivas no treinamento e fazer o que ele pede. Ele conversa bastante com todos nós. Do mais jovem ao experiente. É um cara que dá atenção para a gente. Claro que pode ter certeza que vai ajudar bastante.

Influência do pai no Rio

– Claro (que é uma interferência boa). Qual o jogador que não queria ter seu pai do lado? Às vezes me cobra bastante também quando tem que cobrar depois do jogo. Quando é jogo fora, ele assiste em casa e a gente conversa, me ajuda bastante. É muito importante a presença dele aqui do meu lado. Ele é um cara sensacional, pai incrível e acho que todo jogador queria ter o pai por perto para, depois do jogo, dar um abraço, conversar, falar o que achou do jogo. Isso é importante.

Pede opinião dele?

– Sim, sim. Sempre que ele vê um jogo, ele fala que eu podia ter feito isso ou aquilo. Meu pai não foi jogador profissional, mas ele jogou. É um cara mais velho, mais experiente, sabe mais do que eu. Depois do jogo a gente sempre senta e conversa. É um bate-papo muito bom, me ajuda na carreira. Às vezes, a gente até fala que eu podia ter feito isso ou aquilo, mas dentro de campo eu digo que não porque é muito rápido, questão de segundos… Ele diz que tem que fazer a coisa certa. É isso que eu procuro fazer nos treinamentos.

O que mudou do Luiz Fernando de 2018 para cá

– Mudou bastante. Aprendi muito nesses anos que passei aqui e espero aprender cada vez mais. Estou só começando a minha carreira. Sempre que os mais velhos falam comigo, eu procuro escutar para estar aprendendo coisas boas para levar para a minha carreira.

– A gente vai aprendendo, ganhando rodagem, disputando competições importantes, ganhando coisas boas, aprendendo mesmo. Cada treinador tem uma forma de pensar. Acho que tem a questão de força também, estou mais forte. Quando cheguei o Rodrigo (Vilhena), nosso nutricionista, me ajudou bastante. Pessoal da academia também, preparação física com o Felippe Capella, me ajudou bastante. Quando eu cheguei era mais franguinho, e agora aguento um tranco.

Diferenças do primeiro para o segundo tempo contra o Paraná

– A gente sabia que ia ser um jogo muito difícil por se tratar de uma competição muito importante, sendo jogo mata-mata de Copa do Brasil. Sabíamos que eles viriam fechados, então seria um jogo difícil. A gente procurou se impor no primeiro tempo, jogar em cima deles, que estavam fechadinhos. Conseguimos fazer 1 a 0, fui feliz no chute em poder fazer o gol.

– No segundo tempo, a gente até comentou que temos que manter a concentração em um nível alto. Só que acho que vai chegando uma hora que você vai cansando, até por causa do desgaste do primeiro tempo, porque jogamos lá em cima, mas isso não é desculpa. A gente tem que estar preparado para melhorar isso no nosso dia a dia, para que joguemos bem os dois tempos.

Time tem cansado no fim dos jogos?

– Acho que não, o time está bem fisicamente. Acho que é mais a concentração. Acredito que todo jogador vai perdendo a concentração ao longo do jogo, mas isso é uma coisa que não pode acontecer de forma nenhuma. Porque nosso preparador físico fez uma pré-temporada muito forte e intensa, todo mundo gosta dele. É um cara que ajuda bastante a gente. Não é estar mal fisicamente. É mais desatenção, distração no jogo. Isso não pode voltar a acontecer.

Onde escalaria Honda

– Vou deixar para o Paulo Autuori, que vai saber a posição ideal para ele e vai saber onde ele pode ajudar o Botafogo. Acho que independente de onde ele for jogar, vai agregar bastante para a nossa equipe. Vou deixar para o Paulo decidir onde ele vai jogar e onde vai se sentir bem. Pode ter certeza que ele vai ajudar bastante a nossa equipe.

Convivência com Honda

– Ele está aprendendo algumas palavras, a gente também, e aí conseguimos desenrolar um pouco dentro de campo. É um cara que vai ajudar bastante o Botafogo, pela qualidade e rodagem que tem. Eu procuro sempre pegar coisas boas quando ele vem falar comigo. É um cara que tem rodagem, passou por diversos clubes grandes, jogou Copa do Mundo. Então, creio que é um cara que vai ajudar bastante o Botafogo.

O que gosta de fazer no Rio de Janeiro

– Gosto muito de ir à praia. Eu e minha família. Sempre que tem uma folguinha, a gente procura ir à praia. Sou um cara muito caseiro, não gosto tanto de ir à praia, mas sempre que tem uma folguinha a gente tenta ir à praia. Vamos na praia da Barra, na Prainha também.

Fonte: Globoesporte.com


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