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Maurício, Gottardo, Luisinho, Mauro Galvão e as histórias de Espinosa no Botafogo de 1989

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Em velório do ex-treinador alvinegro, ídolos do clube graças à conquista do Campeonato Carioca daquele ano contam algumas curiosidades de bastidores sobre quem era o treinador

A despedida de um amigo, ídolo e exemplo nunca será simples. Foi o que aconteceu na última quinta-feira, com o velório de Valdir Espinosa. A morte e o adeus ao gerente técnico do Botafogo aos 72 anos contou com grandes personagens da história alvinegra. Em especial, os filhos/pacientes daquele homem que era considerado um pai/psicólogo pelos jogadores campeões cariocas em 1989, após 21 temporadas sem conquistas.

– Febril, doente, ele acreditou em mim. No intervalo (da final) saí chorando e pedindo para sair e ele disse: “Não, Maurício, sonhei que você faria o gol do título e você vai lavar o rosto, voltar e fazer o gol da vitória.” Esse foi o momento mais marcante. E depois de falar que assumiria o Botafogo, disse: “Maurício, manda o currículo que você vai trabalhar conosco aqui na base, vou colocar você, Luisinho, os jogadores que são qualificados para participar aqui também”. Um cara que queria ajudar, um cara que queria somar com o Botafogo – disse Maurício, o autor do gol do título do Carioca de 1989.

– Ele conversava, queria saber se tinha algum problema particular, no lar, queria se inteirar de tudo para que pudesse ter você simplesmente voltado para o futebol. O mesmo carinho que tinha comigo, tinha com todos os atletas. Isso é fantástico, é a modernidade. Você vê o Renato Gaúcho hoje. Ele (Espinosa) criou uma escola, e o Renato está aí ganhando vários títulos porque ele conversa com o atleta. Algumas pessoas falam que ele (Renato) está trazendo gente acima da idade, mas não tem isso. Existe a forma como você trata o atleta, fala com os jogadores – completou o ex-atacante.

Ainda sobre a final, Mauro Galvão e Luisinho – personalidades marcantes daquela campanha – também lembraram de alguns fatos. Na verdade, do mesmo, mas o zagueiro e capitão preferiu manter o mistério que Luisinho revelou sem querer. Mauro Galvão lembrou que o drible do professor na pressão pelo tempo sem títulos foi muito efetivo graças à paciência e tranquilidade do já campeão mundial.

– Ele sempre procurava ouvir as opiniões. Estávamos na concentração em Friburgo, ele nos reuniu no quarto e falou que queria fazer uma surpresa para a final. Conversou e ficou determinado que a gente iria entrar e fazer aquilo. As coisas correram bem e a gente conseguiu ganhar. Era uma situação de jogo, tática. Depois de falar, perguntou o que a gente tinha achado. Nós treinamos um pouco, mas era uma coisa que falando você conseguia fazer, então acabou dando certo. Era assim a forma de ele trabalhar – lembrou o capitão daquele ano e Luisinho contou mais sobre a história.

– Entre 1987 e 1988, tive possibilidade de saída. Como eu era da base do Botafogo, não tinha tanto privilégio quanto os outros. Mas coloquei na cabeça que só sairia depois de ser campeão carioca. Foi um cara que me deu muita força nesse sentido da renovação de contrato e contando comigo. Tinha também a superstição. Quando a gente chegou em Friburgo para os jogos finais, ele foi para o mesmo quarto. Reuniu todo o grupo e foi quando decidiu o que faria em relação à marcação do Zico. Cara inteligente, que estava à frente do tempo.

Mas não foi somente a concentração em Friburgo para as finais daquele ano que ficaram marcadas na vida dos jogadores. Exemplos do trato com carinho no dia a dia foram exaltados pelos jogadores daquela época. Por coincidência, Gottardo também lembra de um episódio que envolvia a região serrana do Rio de Janeiro. Companheiro de Mauro Galvão na zaga, o defensor exaltou o lado humano do comandante.

– Marcante para mim foi na pré-temporada em Friburgo. Eu estava treinando e naquele momento a minha primogênita adoeceu e ficou internada. Só que ela foi internada em Santa Bárbara d’Oeste. Falei para o Espinosa que não conseguia treinar, não tinha foco. E lembro perfeitamente que ele falou: “O que está fazendo aqui? Vai embora”. Depois desse momento crítico, minha filha se recuperou e eu retornei. Enfim, foi o lado humano da coisa. Ele poderia muito bem falar que a pré-temporada era importante. Mas não, ele disse que o importante era estar junto da família para depois estar aqui 100%.

Fonte: Globoesporte.com


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