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NFL esquece Trump e se une com a FIFA na defesa dos Direitos Humanos

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O esporte vive uma reviravolta tardia, mas histórica. A FIFA se manifestou a favor dos atletas que se posicionaram contra o racismo e até a conservadora NFL agora reconhece que os atletas têm razão ao combater o preconceito. As duas entidades – finalmente – entenderam que a proteção de Diretos Humanos está na natureza do esporte.

Com a morte do negro George Floyd por um policial branco, uma onda de protestos contra o racismo tomou conta do planeta e o esporte quebrou um silêncio que incomodava. Marcas, clubes, entidades esportivas e atletas se posicionaram de maneira firme contra o preconceito, entendendo o papel que têm na proteção de Direitos Humanos.

FIFA e NFL atacam racismo

Depois do assassinato de Floyd, a FIFA orientou suas entidades filiadas a não punir atletas que se manifestarem contra o racismo, como aconteceu na Alemanha. As regras do jogo proíbem manifestações políticas em campo, mas nesse caso, a entidade faz uma leitura mais ampla da regra, entendendo que a proteção de Direitos Humanos vai além de qualquer bandeira ideológica.

A NFL é uma Liga independente, mas até ela se curvou pela necessidade de combater a discriminação.

“Estávamos errados ao não ouvir os jogadores mais cedo e a encorajá-los a falar e protestarem pacificamente. Nós, NFL, acreditamos no “Black Lives Matter”. Apoiamos os jogadores que fizerem ouvir a sua voz e tomarem atitudes”, disse Roger Goodell, chefe da NFL, em vídeo publicado nas redes sociais depois da morte de Floyd e de manifestações de atletas da Liga.

Claro que todos imediatamente lembraram de Kaepernick, um atleta que por defender o combate à desigualdade racial ganhou a antipatia do presidente Donald Trump e foi punido por isso.

Em 2016, Colin Kaepernick, quarterback dos San Francisco 49ers, se ajoelhou durante o hino nacional norte-americano como forma de protesto contra o racismo e a violência policial. O gesto foi repetido por alguns colegas de equipe e também por adversários e isso provocou um movimento contrário.

O presidente Trump encabeçou às críticas contra os atletas e a Liga decretou sanções a quem não respeitasse o hino. Kaepernick deixou o 49ers ao final da temporada e nunca mais foi contratado por nenhuma franquia.

Quase quatro anos depois, a declaração do chefe da NFL soa como um pedido de desculpas ao atleta.

Proteger Direitos Humanos é da natureza do esporte

A importância do esporte como vetor de desenvolvimento da paz, igualdade e respeito às diferenças é reconhecida dentro do arcabouço institucional do movimento esportivo.

A própria Carta Olímpica estabelece que o objetivo do Movimento Olímpico é contribuir para a construção de um mundo melhor e pacífico por meio da educação dos jovens por via do desporto, praticado de acordo com o Olimpismo e os seus valores.

Já a FIFA recentemente se posicionou de maneira mais firme em defesa dos Direitos Humanos, porque precisava criar uma agenda positiva. A imagem da instituição estava abalada.

A entidade foi muito criticada por movimentos sociais pelas escolhas da Rússia e do Qatar como sedes das Copas de 2018 e 2022, uma vez que os dois países são constantemente acusados por violarem Direitos Humanos. Além disso, em 2015, estourou o Fifagate, um tsunami investigativo que apurou uma rede de corrupção na entidade. Vários dirigentes foram afastados da entidade, e alguns presos, como o ex-presidente da CBF, José Maria Marin.

Abalada pelas sérias denúncias de corrupção e pressionada por movimentos sociais pelas escolhas para as sedes dos mundiais, ela precisava agir. Então, a entidade-mor do futebol decidiu investir em uma agenda positiva, tendo os Direitos Humanos como protagonista.

Ela incluiu em seu Estatuto, no art. 3, a previsão de que a “FIFA está comprometida com o respeito aos direitos humanos internacionalmente reconhecidos e deverá empreender esforços para promover a proteção desses direitos”.

No Brasil, o art 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) determina punição para quem praticar ato discriminatório em função de origem étnica, raça, sexo, idade…

FIFA, NFL e todos entendendo que proteger Direitos Humanos é da natureza do esporte e precisa ser também de quem o pratica. O movimento de atletas ao redor do planeta combatendo o preconceito não pode ser punido, mas incentivado e aplaudido.

Fonte: Blog Lei em Campo – UOL / Foto de Capa: Otto Greule Jr. / Getty Images


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