Redes Sociais

Notícias

“Nossa determinação foi o diferencial”, conta Sérgio Manoel, campeão pelo Botafogo em 1995

Publicado

em

Depois do empate em 1 a 1 contra o Santos que deu o título do Brasileiro ao Botafogo, em 1995, torcedores celebraram, jogadores comemoraram, mas só uma pessoa estava feliz nos dois papéis. Fanático pelo alvinegro, Sérgio Manoel contou ao Globo sobre as lembranças daquela festa.

Do que você se lembra da volta de São Paulo após o título?

Acredito que esse vôo fretado de volta de São Paulo para o Rio foi o vôo mais tenso da minha vida. Era muita gente: torcedores, imprensa em pé no corredor da aeronave e, sinceramente, não sei nem como o avião conseguiu levantar vôo. Eu me lembro de me sentir bastante apavorado com tudo aquilo. Ficou marcante pra mim o (Carlos Augusto) Montenegro (presidente do clube à época e atual membro executivo de futebol do Botafogo), com a conversa dele, toda aquela lábia que ele tem, conseguiu convencer o comandante a voar. Graças a Deus, deu tudo certo e conseguimos comemorar o título. Meu grande medo era ter sido campeão e não conseguir comemorar!

E a torcida na pista do Santos Dumont na chegada?

A recepção foi outro episódio muito louco: assim que pousamos na pista e iniciou-se o taxiamento, naquela tradicional velocidade bem baixinha, eu me recordo de ver um cara batendo na minha janela, já em cima da asa do avião! Eu nunca tinha visto uma coisa dessas na vida. Geralmente, as pessoas não lembram o que aconteceu, com precisão, há 25 anos, mas pra mim, foi extremamente marcante: eu fui sorteado pro exame antidoping depois do jogo. Com todos aqueles procedimentos, demora e tal, eu não tive tempo de, sequer, tomar banho e trocar de roupa. Cheguei ao Rio da mesma forma que terminei a partida no Pacaembu: uniformizado.

Depois do vôo e da recepção no Santos Dumont, como a festa continuou naquela noite?

Ainda de madrugada, subimos num carro do Corpo de Bombeiros e foi muito louco ver tanta gente de preto e branco espalhada por toda a cidade. A impressão era a de que o Rio de Janeiro era todo em preto e branco. O sentimento era de dever cumprido. A sensação de você poder comemorar a conquista de um campeonato tão difícil junto a seus familiares e para uma torcida que amargou anos tão sofridos, como a do Botafogo, pra gente foi inesquecível.

Ser campeão pelo Botafogo é diferente?

Eu participei de outras conquistas, por outros clubes, mas aquela foi muito especial. Era uma festa de todos: estavam torcedores, comissão técnica, dirigentes, celebridades, nós jogadores. Foi uma catarse. Talvez, porque a gente, que é Botafogo, sabe que as coisas nunca vêm fáceis. Por mais que seja um clichê, a máxima de que com o alvinegro tem que ter uma carga extra de sofrimento não é mentira.

Você já sabia que tinha sido vendido para o Japão. Como foi viver aquele título sabendo que ia embora?

Naquela comemoração, saber que eu não estaria no elenco do ano seguinte, confesso, me machucou. Principalmente, ao ouvir a torcida gritar meu nome no Pacaembu e pensar que aquela poderia ser a última vez. Foi difícil de administrar, mas eu consegui controlar os ânimos. Eu saí desejando, um dia, poder voltar ao Botafogo, mas não é um desejo unilateral. O clube também precisa te querer, assim como você deseja regressar.

Na reprise deste domingo, o que você gostaria que o torcedor observasse?

Peço que olhem com carinho e reparem que, talvez, aquele time campeão não fosse um elenco recheado de craques, como é imaginável que todo torcedor deseje ao seu clube, mas era um time de operários; interessante reparar a gana e a vontade que cada jogador teve naquele jogo e acredito ser isso que todo fã espera do atleta que veste o uniforme com as cores que ele tanto ama. O craque pode ter o talento, o toque refinado, mas a determinação que nós tínhamos foi o verdadeiro diferencial para a conquista naqueles 90 minutos. Transpiração, naquele time de 95, sobrava. O adversário (Santos) fez por merecer, por sua parte, a final disputada que foi.

Como vê o jejum do clube em títulos nacionais?

Como botafoguense, eu olho com alegria para 1995, mas com tristeza que um clube do tamanho do Botafogo esteja há quase 25 anos sem ganhar um campeonato nacional. Para a correção desse hiato, eu enxergo a transformação do clube em S/A como solução, a profissionalização do clube. Entretanto, mesmo com essa mudança, o torcedor precisa ter paciência, porque não é como um passe de mágica. Há todo um planejamento a ser seguido, que inclui também a participação dos torcedores em presença no Nilton Santos, em adesão ao programa de sócios, por exemplo.

O que você faz hoje? Tem vontade de voltar a trabalhar no Botafogo?

Hoje, eu sou treinador e coordenador da escolinha da Juventus (da Itália), em Miami, nos EUA. Já participo desse projeto há quase cinco anos e com categoria de bases, há sete. É muito bom poder trabalhar com futebol, que é o que eu amo, poder revelar novos talentos e me pus à disposição do Botafogo, sim, a hora que precisarem de mim. Conquistei uma identificação com o clube e a torcida dentro de campo e por gratidão a esse reconhecimento que me foi dado, se eu voltar ao clube para ajudar fora das quatro linhas, eu me sinto preparado e disposto a colaborar com o alvinegro nessa transformação e, assim esperamos todos, uma nova arrancada rumo ao protagonismo que o clube merece ter.

Você não nasceu torcedor do Botafogo. Por que tanto carinho?

O Botafogo é único. Mesmo em outros clubes e mesmo no pós-carreira, eu sempre deixei clara a minha admiração por esse clube. A minha identificação com o Botafogo advém do fato dele ser único. Joguei em outros clubes gigantes no Brasil, mas a aura alvinegra é algo que não tem igual. É singular. Defendi os clubes que defendi em nome do mais puro profissionalismo, mas sempre salientei que a única camisa que eu beijaria seria a do Botafogo.

Fonte: O Globo Online / Foto de Capa: Reprodução / Instagram do Sérgio Manoel


Clique para Comentar

Copyright © 2019 Rádio Botafogo. Todos os Direitos Reservados.

%d blogueiros gostam disto: