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O medo que gera a volta do mata-mata

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Clubes, federações e CBF estão em pleno debate. O que fazer com o futebol brasileiro? Retomam os estaduais? Deixa para lá? Como perder menos dinheiro? Como salvar os clubes pequenos da falência completa? E o Brasileirão?

Os clubes querem, de qualquer maneira, que o Brasileiro tenha as tais 38 rodadas. O que me parece um devaneio no momento, a não ser que, efetivamente, resolvam adequar nosso calendário ao europeu e acabar o campeonato no meio de 2021 – o que parece estar fora de questão para a CBF.

É óbvio que, quando for retomado e por bastante tempo, o futebol será jogado com portões fechados. Para que, então, fazer todo mundo viajar para lá e para cá? Qual o ponto de um clube do Sul viajar até Fortaleza para jogar com portões fechados? E vice-versa.

A proposta mais interessante que vi até agora seria a da divisão em dois grupos e jogos todos no estado de São Paulo, que é onde há mais estádios. Clubes ficariam confinados em hotéis e sairiam para jogar. Haveria quatro classificados em cada grupo e mata-mata no fim. Outra opção seria fazer turno único, diminuindo o número de rodadas pela metade e mata-mata no fim.

Qualquer opção de encurtar o campeonato e, neste momento, não parece haver qualquer solução que não passe pelo encurtamento de datas, acabará em mata-mata.

E aí começam as vozes que gritam que, na verdade, morrem de medo do mata-mata.

Porque o mata-mata é simplesmente mais legal que os pontos corridos, engancham mais as pessoas e nos remetem a tempos em que o futebol brasileiro era mais divertido, em que os grandes jogos eram vistos por todos – e não o que acontece hoje com os pontos corridos, em que torcedores assistem apenas aos seus próprios times.

Eu entendo totalmente o ponto dos clubes que argumentam financeiramente. Precisam dos 38 jogos para receber o que têm em contrato com a TV, garantir bilheteria, etc. Eu entendo que os pontos corridos sejam melhores do que o mata-mata para os cofres dos 20 clubes que estiverem na Série A. O que não entendo é que eles achem mesmo que, neste momento da história do mundo, as finanças deles continuarão iguais.

Na Europa, várias ligas conversam sobre a solução mata-mata. Ninguém lá quer mudar o sistema de disputa, apenas querem dar um jeito de passar por isso acabando as temporadas já iniciadas. O mata-mata seria a melhor solução para o Brasileirão neste ano, mas desperta medo. Muuuuuito medo.

É o medo de as pessoas se lembrarem como era legal.

Fonte: Coluna Julio Gomes – UOL


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