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“Pai brasileiro”, Nelsinho Baptista lembra broncas e espera liderança de Honda no Botafogo

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Técnico foi o primeiro a comandar o meia no futebol profissional, em 2004, no Japão, e elogia estilo de jogo e postura de grupo: “Chamou atenção desde as primeiras semanas”

Honda teve em um brasileiro o mentor que o guiou no início da carreira. Trata-se de Nelsinho Baptista, o primeiro técnico do meia japonês no futebol profissional. O ano foi 2004, quando a estrela que está prestes a estrear pelo Botafogo era apenas um “garoto de colégio”.

Jogador e treinador se conheceram no Nagoya Grampus, onde Honda ficou até 2007, antes de iniciar a passagem de quase 10 anos pela Europa. O que faz o atleta considerar Nelsinho um “pai brasileiro”. Em entrevista ao GloboEsporte.com, o técnico relembra o início da trajetória do ídolo japonês.

– Chegou como um garoto de colégio. Veio e optou pelo Grampus. Começamos a trabalhar e os primeiros dias foram de um garoto que estava chegando para ser lapidado, precisava de tempo para se enquadrar ao ambiente profissional, mas já foi chamando atenção desde as primeiras semanas, não só pela qualidade técnica, mas pela personalidade também. Era normal os mais jovens baixarem a cabeça para os mais velhos, mas com ele não tinha isso – contou.

“Se tivesse que falar ou cobrar alguma coisa, fazia mesmo e foi ganhando espaço dentro do time. Um dia, precisei falar com ele: “Hoje, você está na J-League, não é mais no colégio”. Até que, depois de uns dois meses, comecei a colocá-lo para jogar”.

Pela personalidade forte, Nelsinho projeta que a adaptação de Honda ao futebol brasileiro não deve ser difícil. O treinador destaca que o Botafogo ganhou um líder, para além de um jogador de boa qualidade técnica.

– Ele é um cara inteligente, tem uma visão muito boa dentro do campo e tem facilidade de adquirir o reconhecimento do companheiro. É um cara de time e que não se preocupa só com ele. Não vai ter dificuldade, eu acho. As primeiras partidas são sempre mais complicadas, por falta de ritmo, mas tecnicamente ele ajuda muito – analisou.

Honda chegou ao Botafogo em 8 de fevereiro e, desde então, se prepara para o primeiro jogo com a camisa da estrela solitária. A estreia do japonês no futebol brasileiro está marcada para este domingo, às 16h, contra o Bangu, no Nilton Santos.

O treinador, que tem passagens marcantes pelo Japão, está mais uma vez no país asiático, onde comanda o Kashiwa Reysol. Nesta entrevista, ele dá as impressões sobre os Jogos Olímpicos do meio do ano (assunto que interessa a Honda) e sobre os transtornos causados pelo coronavírus, além de detalhar o momento no futebol local.

Bate-bola com o treinador

O que o torcedor alvinegro pode esperar dessa estreia?

– Não o acompanho de perto há algum tempo porque não temos essa facilidade aqui no Japão, mas ele tem uma capacidade técnica muito boa, é um cara que tem uma presença ofensiva muito boa, uma finalização excelente, principalmente na bola parada. Vai ter limite de movimentação dentro do campo, mas com a bola no pé vai ajudar muito. Hoje, não sei dizer em que ponto ele está, mas esse tempo que ele está tendo de treinamento está sendo muito importante, imagino, porque ele pode sentir o ritmo do futebol brasileiro, mesmo que em treinamento.

Culturas diferentes

– Não vejo grandes diferenças em relação ao vestiário, mas o que acontece aqui é que o clube chega em um estádio para jogar como visitante e, quando vai sair, o vestiário está limpo. A gente deixa o vestiário como encontrou, o que no Brasil não acontece. É uma cultura diferente. Como profissionais, falando em termos de comportamento e disciplina tática, não vejo tanta diferença. Tecnicamente, sim.

Honda pode abrir portas?

– Há jogadores japoneses com muita qualidade técnica aqui. Se eles estão tendo sucesso na Europa, por que não também no Brasil, na Argentina?… Não seria nenhuma surpresa. O Japão, hoje, tem muitos jogadores em grandes clubes europeus. O próprio Liverpool acabou de contratar um jovem que até já estava na Europa. Não vejo como nada impossível. Hoje, tem o Honda. Amanhã, pode ser outro que possa fazer carreira no futebol brasileiro.

Relação Brasil-Japão no futebol

– Há um respeito e um reconhecimento grandes. Não só em relação a atletas, mas também a treinadores. Isso é evidente, a gente ouve no dia a dia dos companheiros japoneses, seja do campo ou dirigentes. Eu me coloco aqui para fazer o melhor. A gente tem que abrir o mercado para o treinador brasileiro. Já houve um momento em que a mão de obra aqui ficou muito cara, seja treinador ou jogador brasileiro.

– Hoje, os clubes japoneses investem mais em jogadores jovens no Brasil. Não há tanta gente de renome, mas muitos garotos que estão ganhando espaço. Como treinador, faço o máximo para deixar caminho aberto para outros treinadores. É um país que tem um reconhecimento muito grande pelo futebol brasileiro.

Como o futebol japonês está reagindo ao coronavírus?

– Temos um povo aqui muito disciplinado. Atendem a todo pedido do governo, que solicitou que todos os eventos de massa fossem paralisados até o meio de março, mas ainda não acreditamos que vá voltar já no dia 18. Pode ficar para abril ou depois. Por enquanto, está tudo parado. Segundo informações, o vírus está sob controle. Ainda ouvimos de um caso ou outro, mas está sob controle. Enquanto isso, estamos treinando, trabalhando no dia a dia mesmo com portões fechados.

Há receio sobre as Olimpíadas?

– Ainda não temos nenhuma definição. Essa é uma pergunta que ouvimos todo dia por aqui. Por enquanto, não está suspensa. A gente ouve aqui e ali, mas nada oficial. A preocupação é muito grande, até por todo o investimento que foi feito, mas temos que pensar no povo primeiro, além do investimento. O problema é que o vírus não está só no Japão, está no mundo. Tudo isso será colocado na balança, imagino. Temos que pensar na população, nos atletas de outros países. A prioridade tem que ser controlar esse vírus.

Fonte: Globoesporte.com


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