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Pai e agente de Emerson Santos, dão suas versões com relação ao impasse na renovação do zagueiro

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Enquanto o Botafogo comemora a renovação com Marcelo até o fim de 2020, outro jovem e promissor zagueiro vem sendo deixado de lado em General Severiano. Com os mesmos 21 anos que o companheiro recém-promovido da base, mas com mais experiência após uma temporada inteira no profissional, Emerson Santos perdeu espaço diante do imbróglio por sua renovação. Com vínculo só até dezembro e por poder assinar pré-contrato com outro clube a partir de julho, o jogador se viu afastado por decisões internas. Ainda nem entrou em campo em 2017 e sequer foi inscrito na Pré-Libertadores. As negociações continuam. Porém, o que mais vem incomodando seus representantes não são as cifras, e sim a geladeira imposta ao atleta.

– Não fui eu, como empresário, que afastei o jogador do time. É uma opção da diretoria para pressioná-lo a renovar o contrato. Mas a gente vê que tem outros atletas na mesma situação, que acaba o contrato em dezembro, e que estão jogando. Como outros também que estiveram no Botafogo, caso do Diogo Barbosa, William Arão, Sidão… Que estavam negociando uma possível renovação também e continuavam jogando. Parece que com o Emerson está sendo usado um critério diferente – questionou o agente Jailton Oliveira, que lembrou a época em que Emerson ficou com oito meses de salários atrasados na gestão anterior para se defender das críticas.

– Obviamente que não foi com essa diretoria que houve esses atrasos, mas na gestão passada. Se estivesse mal-intencionado teria tirado o jogador.

No atual elenco principal, além de Emerson Santos, há mais 21 jogadores com contrato só até dezembro. São eles: Airton, Dudu Cearense, Bruno Silva, Joel, Emerson Silva, Gilson, Guilherme, Canales, Igor Rabello, Jonas, Luis Ricardo, Sassá, Renan Fonseca, Lindoso, Rodrigo Pimpão, Roger, Saulo, Vinicius Tanque, Montillo, Victor Luis e o ídolo Jefferson.

Na semana passada, Emerson Santos falou pela primeira vez sobre o caso ao divulgar um comunicado em que admitia estar “triste e frustrado”. Morando com os pais Eraldo Duarte e Solange Severo em Itaboraí, cidade no interior do estado a pouco mais de 50km do Rio de Janeiro, o jovem viaja todo dia para rotinas de treinos no clube. Por vezes, isoladas. Os jogos do time na Libertadores vê de longe, pela TV. Ao receber a reportagem do GloboEsporte.com em um shopping na Zona Oeste do Rio, Seu Eraldo conta que ele tem até evitado sair de casa.

– Não está pedindo nada demais, só está querendo ser valorizado. Ele vê o que os outros estão ganhando do lado dele, e ele não merece pelo menos chegar perto? (…) Tem que ter um jogo de cintura, porque senão… Pode dar até uma depressão no garoto – temeu Seu Eraldo.

Em janeiro, Jailton se reuniu com o Botafogo em General Severiano, mas a reunião terminou sem definição. A solução parece distante, uma vez que as duas partes falam línguas diferentes, e as negociações se arrastam desde março do ano passado. O maior entrave é o valor exigido de luvas – cerca de R$ 1 milhão em duas parcelas –, considerado alto pelo Alvinegro. Durante a pré-temporada no Espírito Santos, o agente enviou uma contraproposta ao clube, que também não gostou, mas não respondeu e nem comenta abertamente o caso. A negociação continua.

Confira a entrevista completa abaixo:

Como enxerga o afastamento do Emerson durante as negociações?

Jailton: O Emerson não está jogando, participando dos jogos, não por opção dele, não por uma escolha dele. Como tem contrato até dezembro, está regularizado para jogar todas as competições que o Botafogo queira colocá-lo. Não fui eu, como empresário, que afastei o jogador do time, é uma opção da diretoria para pressioná-lo a renovar o contrato. Mas a gente vê que tem outros atletas na mesma situação, que acaba o contrato em dezembro, e que estão jogando. Como outros também que estiveram no Botafogo, caso do Diogo Barbosa, William Arão, Sidão… Que estavam negociando uma possível renovação também e continuavam jogando. Parece que com o Emerson está sendo usado um critério diferente. O motivo de eu estar falando, nem gosto de dar entrevista, é para esclarecer essa situação, porque parece que é o jogador que não quer, ou que o empresário está o induzindo a não jogar. Essa decisão está nas mãos do Botafogo.

Como tem sido para o Emerson ver os jogos da Libertadores de longe?

Eraldo: Ele fica em casa, assiste de lá. Cada fase que o Botafogo passa, os amigos comemorando e ele de fora? Fez parte daquilo, né? Ralou muito para chegar ali. Ele pode jogar, tem contrato até dezembro. Está chegando muito triste porque participou disso tudo, chegava em casa com tornozelo inchado, pé no gelo para outro dia treinar, jogar, e na hora da boa estar fora? Parece até que ele está exigindo muita coisa, em vista dos outros. Tem amigo dele que está na mesma situação e está jogando. Ele está treinando à parte, sozinho, todo mundo de folga e ele lá treinando de domingo a domingo, às 16h30. Fez alguma coisa de errado? Foi criado dentro da base do Botafogo, gosta do Botafogo, quer jogar no Botafogo, só que afastaram o garoto sem mais, nem menos. E eu estou sendo cobrado nas ruas, torcedor me cobrando como se fôssemos nós que quiséssemos que ele não jogasse mais. Ele evita de sair na rua porque as pessoas estão o indagando, achando que está pedindo o que ele não vale para jogar.

Jailton: Isso tem deixado ele muito triste porque gostaria de estar jogando, realizar esse sonho de participar da Libertadores, inclusive porque trabalhou muito ano passado para isso. E trabalhou muito bem, diga-se de passagem. De 38 partidas do time no Brasileirão ano passado, ele fez 29, sendo 27 como titular. Chegou a jogar improvisado como lateral-direito. Teve ocasiões em que ele ficou com o tornozelo inchado, se sacrificando pelo objetivo do clube. Teve um episódio também que o primo-irmão dele morreu às vésperas do jogo contra o Palmeiras, e ele recebeu uma ligação por parte da comissão técnica do Botafogo que seria importante ele viajar, era um jogo importante. E ele assim o fez, com coração dilacerado pela perda de um irmão, e foi honrar a camisa do Botafogo.

E como tem sido o papel da família nessas horas?

Eraldo: A gente sente que o cara está para baixo. Tem dia que está cabisbaixo, se tranca no quarto, não quer nem conversa. Eu tenho conversado muito com ele, pedido paciência, tranquilizando, falando que vai ser resolvido… Tem que ter um jogo de cintura, porque senão… Pode dar até uma depressão no garoto. Vinte e um anos, estava no foco do negócio, daqui a pouco está afastado, só escuta na imprensa que o empresário vai acabar com a carreira dele, só botando o cara para baixo, que vai terminar em clube pequeno… Essas coisas toda, tem que ter um jogo de cintura para incentivá-lo a sair todo dia para treinar, e ele vai no horário certinho. Moramos em Itaboraí, são duas horas e meia de viagem. Está sendo difícil, mas estamos conseguindo contornar.

Chegaram a procurar ajuda de um psicólogo?

Eraldo: Não. Estamos conversando, o Jailton está sempre por perto para apoiar.

Jailton: Passo essa experiência para ele, de vários outros atletas e com sucesso. Mostrando para ele que faz parte, é hora de buscar a valorização dele dentro do mercado e a recompensa de todo trabalho e sacrifício que teve durante os anos todos de base até esse momento da carreira.

E a contraproposta que fizeram ao Botafogo?

Jailton: Nós tivemos uma reunião em janeiro, eu juntamente com o pai do Emerson. Ao contrário do que a diretoria deu a entender, de que o empresário tem uma vontade e o jogador outra, não, está aqui o pai do atleta, que participa de todas as reuniões. Nós estamos em comum acordo para buscar uma valorização dentro da realidade do mercado, que eu também acredito que seja dentro da realidade financeira do Botafogo. Que o Botafogo possa entender que essa valorização é justa, que cada centavo que o Botafogo investir no Emerson nesse novo contrato ele vai ter um retorno, porque tem 21 anos, foi mencionado pelo técnico da Seleção principal de que está sendo observado, enfim… É um ativo que o clube tem que valorizar. Eu já trabalho com futebol há 34 anos, 17 como agente, já fiz operações em várias partes do mundo, em vários países, então não é uma amador que está conduzindo essa situação juntamente com a família, é alguém que tem experiência de mercado.

Eraldo: Não está pedindo nada demais, só está querendo ser valorizado. Ele vê o que os outros estão ganhando do lado dele, e ele não merece pelo menos chegar perto? Só está pedindo o que é dele. O Jailton não está exigindo nada porque ele quer, faz com o nosso aval. Estamos participando de tudo, sabemos de tudo que está acontecendo, então acho que está sendo feita uma injustiça com ele. Eu vejo vários jogadores vivendo isso que nunca foram afastados em outros clubes. Cara continua jogando, está negociando. Estão usando ele para pagar a conta de outros, para trás. Então acho que Botafogo que deveria pensar um pouquinho melhor. Não estamos pedindo nada demais, que esteja fora do alcance do Botafogo.

Já havia vivido outra situação como essa?

Jailton: Assim de ficar afastado não. Participei de várias outras renovações de contrato, mas de forma mais elegante. Por parte do clube também, porque se hoje o Emerson estivesse jogando, ele estaria feliz. Hoje está triste, muito triste. De repente até um pouco injustiçado, porque o Botafogo hoje vive um momento que ele participou lá atrás para isso.

Acham que pelo fato de ter perdido o Luís Henrique de graça fez o Botafogo adotar essa postura com o Emerson?

Eraldo: Não sei. De repente é isso aí, estão sentindo que o tempo está passando, eles que estão errando na situação, e estão fazendo isso para pressionar o garoto. Para ele chegar em casa, cabisbaixo por estar fora do time, treinando à parte… É tipo uma pressão, não pode pressionar um garoto de 21 anos: “Toma isso aqui que está bom para você”. Ele tem a vida dele, família carente, todo mundo tem um sonho. Ele começou lá atrás e, para chegar onde chegou, ralou muito. É para pensar bem e valorizar o garoto.

Jailton: Pode ter a ver, não só com o Luís Henrique, mas com o Diogo (Barbosa), Sidão… De repente se tivessem procurado antes não teriam perdido. Mas eu acho que existe uma forma mais elegante de negociar. Se de repente o Emerson estivesse jogando, feliz, talvez já tivéssemos chegado a um acordo. A gente não encerrou a negociação com o Botafogo, ela está em aberto. Foi passada uma proposta em janeiro e até então não tivemos resposta da parte deles, apenas via imprensa.

Por que essa dificuldade na negociação?

Jailton: Essa diretoria, o que me parece é que tem tardado muito a tratar esses assuntos de renovações. Tanto que aconteceu com outros que acabaram saindo, Arão, Diogo, Sidão… O Emerson não é um caso isolado, ele é mais um. E quem dita os tempos e as formas não sou eu, é o mercado. Então o Botafogo também tem que entender isso, não é da forma e no tempo dele.

Vocês nunca reclamaram de o Emerson estar há mais de um ano no profissional ainda com salário de júnior?

Eraldo: Não. Só que daquela partida contra o Vasco (na ocasião marcou um golaço de falta) para cá ele já começou a ser valorizado, né? Mas ele ficou para trás, Botafogo só foi procurar ele agora. Fez um Campeonato Brasileiro ganhando R$ 8 mil, salário de juvenil. Nós não reclamamos, ficamos esperando. Na hora que fomos pedir um pouquinho mais, aconteceu isso. O garoto tem que ser valorizado. O que as pessoas estão passando para a imprensa é que estamos pedindo coisas fora da realidade, mas não está nada fora em vista dos outros casos que existem.

Diante desse impasse, têm recebido muitas sondagens pelo Emerson?

Jailton: Sim, todo jogador com potencial tem o assédio do mercado. Mas não tem nada concreto, oficial, até mesmo porque a gente só pode abrir negociação com outro clube pela lei a partir de julho. Mas não consideramos encerradas as negociações com o Botafogo, não. A gente espera chegar em um acordo. Prioridade, como sempre foi, segue sendo o Botafogo. Mas agora a bola está com eles, né? Vale ressaltar que teve uma época que o Botafogo ficou oito meses sem dar um real para o Emerson, e foi o empresário, que está sendo criticado, que bancava, ajudava para poder ir treinar, continuar e hoje virar o que ele é. É um lado que de repente a torcida não vê. A gente entende como a torcida pensa, é muito passional. Esses acontecimentos não citamos, e a torcida não fica sabendo. Fui e sou um parceiro do clube, durante toda a formação do atleta foi um co-investidor. Obviamente que não foi com essa diretoria que houve esses atrasos, mas na gestão passada. Se estivesse mal-intencionado teria tirado o jogador. E tinha clubes interessados, mas não, nossa política é do ganha, ganha.

Fonte: globoesporte.com

 


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