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Pandemia do coronavírus pode custar R$ 1,1 bilhão aos clubes brasileiros; vice de finanças do Botafogo comenta

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Os cem maiores clubes do futebol brasileiro podem perder, somados, R$ 1,1 bilhão de faturamento com os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre vendas de ingressos, redução de sócio torcedores, venda de produtos, corte nas verbas de TV e possíveis perdas de patrocínios.

A estimativa foi traçada pelo consultor Amir Somoggi, sócio-diretor da Sports Value, que possui um banco de dados dos resultados financeiros de clubes do país. Se confirmada a projeção, a receita dos clubes deverá encolher para R$ 4,9 bilhões neste ano, 17% inferior ao estimado para 2019.

Os cálculos consideram um cenário no qual os campeonatos estaduais não devem ser retomados após a quarentena. Os números também não consideram impactos sobre transferências de atletas, uma das principais fontes de receita dos clubes de futebol do país.

Para fazer frente aos riscos de redução de receita, os clubes das principais divisões do Campeonato Brasileiro se uniram para tentar chegar a um acordo com os jogadores para redução de vencimentos durante a suspensão dos jogos.

Foram duas propostas, negociadas com a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) e rejeitadas pelos sindicatos dos jogadores.

Com o fracasso das conversas, ficou decidido em comum acordo com 30 clubes e a CBF que seriam concedidas férias coletivas aos jogadores entre 1º e 20 de abril. Ao mesmo tempo, caberia a cada clube negociar com seus elencos as reduções salariais.

Para Somoggi, os jogadores não podem arcar sozinhos com o processo de redução de despesas dos clubes. “É preciso que isso seja parte da mudança financeira do clube, todos precisam ceder”, afirma.

Nos clubes do Rio, as incertezas são muitas. O Fluminense projetava receita entre R$ 200 milhões e R$ 230 milhões este ano e o presidente Mário Bittencourt diz que o orçamento será refeito, mas que só em dois meses terá visão melhor dos efeitos da Covid-19 nas contas.

“Pelos estudos primários de nossa equipe financeira, devemos perder algo entre 20% a 25% das receitas”, diz Bittencourt, acrescentando que as conversas com os jogadores sobre possível redução salarial estão “avançando bem”.

Entre as ações tomadas para reduzir custos, Bittencourt cita tentativas para alongar acordos, parcelar dívidas e recompor pagamentos. Sem dizer nomes, revela que alguns patrocinadores anunciaram que vão suspender o pagamento. “Em contrapartida, tivemos algumas boas notícias. Estamos em conversas bem adiantadas com nossa patrocinadora Doce Rio para renovação de contrato.”

No Vasco, o presidente Alexandre Campello explica que tenta renegociar com bancos uma suspensão, por dois ou três meses, de alguns pagamentos. Para evitar a perda de patrocinadores, a diretoria vascaína busca formas de fazer ações de ativações nas redes sociais. “A ideia é criar alternativas que engajem o torcedor e que também exponham os nossos fornecedores”, ressalta Campello.

Ele diz que um dos riscos é a paralisação das competições afetar o valor dos recebíveis de televisão. “Se conseguirmos voltar até a segunda quinzena de maio, talvez não tenhamos impacto nos recebíveis da televisão e isso facilite um pouco”, pontua, lembrando que o orçamento prevê receitas de R$ 320 milhões este ano.

Uma preocupação do presidente vascaíno é o efeito sobre o programa de sócio-torcedor, que tem 185 mil integrantes e receita estimada de R$ 60 milhões para 2020. “No fim de maio deveremos renovar os sócios. Com a paralisação do futebol, não sei qual será o impacto”, diz Campello, estimando que o efeito caso haja saída em massa pode chegar a R$ 20 milhões.

No Botafogo, que tem orçamento projetado inicialmente para o ano de R$ 229,3 milhões, o maior temor é a perda de receitas de televisão. Luiz Felipe Novis, vice-presidente financeiro da agremiação, diz que, devido ao cenário ainda muito volátil, não há uma estimativa de redução de receita. “Vai depender de uma série de questões e negociações que ainda estão em andamento. Até o momento, a única coisa definida é que não haverá cortes de salário até o fim de abril”, ressalta, acrescentando que o orçamento está sendo revisto.

Os efeitos financeiros da pandemia sobre os clubes de futebol começaram a transparecer. O Azeite Royal suspendeu o patrocínio aos quatro grandes clubes de futebol do Rio. O administrador da empresa, Eduardo Giraldes, disse que ficou “de mãos atadas”. “Trabalhamos com supermercado, que não parou, mas o produto é europeu. Receita Federal está trabalhando devagar. O futebol parou, então estamos sem marketing”, disse, sem abrir o valor total dos patrocínios. “É um pouco caro e o momento é de retenção.”

Recentemente, a Adidas teria atrasado pagamento de uma parcela do contrato com o Flamengo. Procurada, a Adidas disse que conversa com seus parceiros, nas últimas semanas, em busca da melhor maneira de enfrentar os impactos econômicos provocados pela Covid-19. O Flamengo não respondeu às tentativas de contato.

Para Somoggi, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deveria socorrer os clubes para amenizar os impactos da crise sobre a economia. Ele diz que a CBF teria cerca de R$ 700 milhões disponíveis para isso. Somoggi defende que, no mínimo, R$ 200 milhões poderiam ser distribuídos para evitar a falência de clubes pequenos.

Na semana passada, a CBF divulgou que vai liberar R$ 36 milhões para clubes, árbitros e federações estaduais enfrentarem a perda de recursos causada pela pandemia. O primeiro repasse foi de cerca de R$ 15 milhões para clubes das séries C e D do Campeonato Brasileiro.

Em relação às cotas de televisão, a TV Globo divulgou comunicado informando que “todos os elos que compõem a cadeia produtiva do futebol precisam analisar seus modelos de negócio e renegociar seus compromissos: clubes, federações, empresas de mídia, anunciantes e patrocinadores, entre outros.”

Fonte: Valor Investe

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