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Pavio curto, mas bom de vestiário: jornalistas detalham perfil de César Farías, na mira do Botafogo

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Repórteres que acompanharam a carreira do treinador relatam qualidades e estilo de jogo do possível novo comandante alvinegro. Polêmicas e temperamento agressivo marcam trajetória

Se assinar com César Farías, o Botafogo contratará um técnico intenso, por vezes até demais, dentro e fora de campo. É o que apontam o currículo e os causos em torno do venezuelano de 47 anos, que o GE foi buscar com quem acompanhou de perto os últimos passos do treinador.

Sobre o campo e bola, Farías é descrito como um comandante que cobra bastante entrega e aplicação tática. É desejo do treinador colocar em campo um time agressivo, que comece por uma defesa sólida para, depois, avançar contra a equipe adversária. Segundo os relatos, ele valoriza o trabalho coletivo e, por isso, costuma ganhar o respeito dos jogadores.

A campanha atual, na seleção boliviana, não está no ponto alto no currículo do treinador. O maior destaque veio, primeiro, na Venezuela, com a presença na semifinal na Copa América de 2011, quando foi eleito o oitavo melhor técnico do mundo, segundo a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS). Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, conseguiu a melhor campanha da história do país, um sexto lugar.

O trabalho no país natal rendeu chances no estrangeiro, quando o treinador viajou por México, Paraguai e Índia até desembarcar na Bolívia. Lá, teve passagem vitoriosa pelo The Strongest. Conseguiu um título nacional e classificações consecutivas para a Copa Libertadores. A ponto de despertar o interesse da seleção nacional, onde assumiu em 2018.

Extracampo turbulento

Só que, além de títulos e alguns trabalhos sólidos, Farías também tem no histórico provocações e outras situações que causaram reprovação. A mais contestada, sem dúvidas, é a denúncia por corrupção feita na FIFPRO, a federação internacional de jogadores de futebol.

O treinador teria, segundo a queixa, constrangido atletas a fecharem com a Agencia 360 Invictus para serem convocados para a seleção da Bolívia. A polêmica foi revelada pelo “Diário Olé”, da Argentina. Inclusive com um ex-atleta, Milton Melgar, como testemunha, mas a acusação é negada pelo treinador.

Há mais no currículo do que esse possível desvio. Farías é conhecido por ter o sangue quente. O que leva a algumas declarações ácidas em entrevistas ou, no pior dos casos, a ações impensadas ou agressivas. Como quando agrediu um treinador adversário na época de The Strongest e pegou dois anos de gancho do Tribunal de Justiça Desportiva da Bolívia.

No mesmo clube, em outra ocasião, chegou a engrossar com um torcedor que perturbava jogadores em um aeroporto. Já nos tempos de Venezuela, na Copa América de 2011, insultou o agora presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, após um jogo acalorado.

Veja as análises dos jornalistas:

Gery Zurita, do jornal boliviano El Deber

“Pela característica dos jogadores da Bolívia, ele vem jogando no sistema 4-4-2 ou 4-5-1. Não sei se vai utilizar o mesmo no Brasil, porque terá jogadores diferentes, Mas ele gosta de uma equipe que joga bem e tem agressividade, muita dinâmica. Precisa recuperar rápido a bola.

Ele não gosta muito de firulas, de jogadores “estrelas”. Ele quer que todos corram, que todos se sacrifiquem. É um trabalhador. Todos os jogadores com quem conversei falam bem do trabalho. Disso, não há o que discutir. Está todo tempo com a cabeça no futebol, no time, nos jogadores.

Sobre a denúncia da FIFPRO, parece muito grave, mas a verdade é que ainda não tivemos muitas informações sobre isso. Pouco se fala por parte da Fifa e também do treinador e da federação boliviana. Em uma coletiva de imprensa recente, ele afirmou que não fez nada de errado, que estava tranquilo e iria provar nas instâncias legais”.

Manuel Alejandro Ramírez, do jornal venezuelano El Diario

“É um bom técnico, muito metódico. Tem um caráter forte. Gosta de disciplina, de que tudo esteja em ordem com jogadores e dirigentes. Durante os treinos, ele se concentra muito na parte física e técnica. Os jogadores o respeitam.

Em geral, ele posiciona os jogos de forma defensiva, mas com um jogo direto e eficaz. Suas equipes recuam de maneira ordenada e sabem como sair no contra-ataque. Apesar de ceder a posse de bola ao rival, pressiona constantemente. O sistema 4-4-2 é o que eu mais usa.

Talvez, o aspecto negativo de Farías seja que ele é um técnico que já se envolveu em polêmica várias vezes. Em coletivas de imprensa, ele costuma deixar, ao menos, um comentário que causa polêmica. Não sei se isso é produto do personagem”.

Fonte: GE / Foto de Capa: Getty Images


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