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Presidente da Ferj sugere Carioca e Brasileiro no mesmo fim de semana: “Clubes têm elenco para isso”

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Em coletiva online, Rubens Lopes garante que torneio “acaba dentro do campo”, crê em portões fechados até fim de 2020 e não dá previsão para retorno: “Nem Mãe Dináh consegue responder”

Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), concedeu uma entrevista coletiva online na tarde desta quarta-feira para esclarecer dúvidas a respeito das medidas que a entidade tomará para o transcorrer da temporada 2020 do futebol carioca após a paralisação decorrente do combate ao coronavírus.

Ao longo de uma hora e meia, o dirigente respondeu a dezenas de perguntas enviadas por diversos veículos de comunicação. Primeiramente, ao ser perguntado se a federação acredita na realização de jogos com portões fechados até o fim do ano na cidade, ele disse:

– Acredito que sim. Essa é a minha percepção pelo cenário de momento. Nós estamos com dificuldades para a retomada de atividades em um grupo extremamente pequeno. Extrapolando para o início da competição, eu penso que talvez a presença de público não possa ocorrer tão cedo. O quadro é dinâmico, mas a tendência, pelo menos na nossa competição, que deve ser a primeira a começar, é que as partidas certamente serão realizadas com portões fechados. Ademais, são incógnitas.

Questionado se há chances do Campeonato Carioca de 2020 ser encerrado sem ser concluído, Rubens Lopes foi enfático ao rebater a possibilidade:

– Não há limite de prazo. A única coisa que se tem certeza é que o campeonato vai acabar dentro de campo. Todos os jogos serão realizados dentro do regulamento assinado por todos. Essa decisão é da qual a Federação participou com todos os clubes, decidido em unanimidade que o campeonato será decidido dentro de campo. Quando vai acontecer? Não importa, não dá para responder agora. A época que for possível serem jogados os confrontos que estão faltando, vai acontecer.

E para comportar a quantidade de jogos adiados do calendário desta temporada ainda este ano, sem invadir 2021, o mandatário sugeriu:

– Quanto a adentrar ao calendário de 2021, não altera em nada o Carioca. Vai ter jogo no sábado do Brasileiro? Vai ter no domingo do Estadual. Os clubes têm elenco para isso, têm número de atletas para utilizar um numa partida, um numa outra. Já aconteceu na Bahia, jogaram um dia pela Copa do Nordeste, outros pelo Estadual. No inicio do nosso campeonato, alguns usaram equipes mistas, não sua força principal. Pode ter dois mil campeonatos em janeiro e fevereiro, mas os jogos dos campeonatos estaduais vão seguir. Não vai atrapalhar em nada.

Rubens Lopes, porém, preferiu não dar um prazo para o retorno do Campeonato Carioca:

– Essa nem a Mãe Dináh vai responder. Não há quem possa fazer uma previsão, seria totalmente imprudente. Assim como tem gente que diz “isso não vai acontecer antes do mês tal”… Só se tiver bola de cristal.

Confira outras perguntas:

CHANCE DE NÃO ACONTECEREM OS JOGOS DO ESTADUAL?
– Zero.

A FERJ RECEBEU OS 120 MIL REAIS DA CBF?
– Primeiro, uma consideração. Evidente que se formos compilar sugestões e entendimentos de cada, sem devido conhecimento de todas as variáveis, provavelmente teríamos opções variadas e divergentes, mesmo que corretas. Até antes de começarmos essa reunião, não constava nenhum valor encaminhado pela CBF. O que não nos preocupa, por alguns motivos. O primeiro pela certeza da possibilidade da CBF não cumprir, é zero. Se ela disse que vai efetivar o depósito, com certeza vai acontecer. Dentre outros motivos, essa importância não será aplicada em compromissos da federação. A federação nunca utilizou de recursos da CBF que não fosse empregado diretamente no futebol. Vale a pena, para concluir, que vocês podem ter certeza que esses recursos, o que se achar conveniente e urgente, como sempre foi feito em todo recurso que a CBF tem mandado.

COMO SERÃO OS TESTES DE CORONAVÍRUS?
– São testes aprovados pelas autoridades de saúde e serão aplicados a todas as pessoas, atletas ou não, que estiverem envolvidos nas atividades de treinamento, quando isso for permitido. Obviamente, priorizamos os 12 clubes menores da série A. Encaminhamos esse pedido à Secretaria Nacional de Futebol e, segundo o senhor Ronaldo Lima, o documento está no gabinete da presidência para ser despachado. Estamos aguardando.

CÁLCULO DO PREJUÍZO
– Quando se fala em prejuízo, o intangível é extremamente relevante. Credibilidade e conceitos são atingidos violentamente. Em termos econômicos, podemos deduzir que haverá maior concentração de renda. Os ativos perderão valor. A sua bicicleta hoje não vale mais aquilo que você acha. O direito econômico dos atletas não terá o mesmo valor. A concentração de renda é inevitável. Quem tem muitos recursos, terá mais condições. Os prejuízos serão suportados por todos. Em bilheteria, faltam 16 ou 17 partidas, se fizermos uma conta pela média de publico do campeonato, diga-se de passagem, a segunda maior do país, em termos de arrecadação possamos de uma maneira aleatória estipular 6, 7 milhões de reais na bilheteria dessas partidas. Não se tem conhecimento de cada clube, então não se pode dizer como vão suportar essas dificuldades. Elas existirão, ninguém tem dúvida. Agora, se a reserva para suportar o rombo… Cada clube sabe das suas contas, não temos acesso a elas. São informações individuais.

COMO GARANTIR A SEGURANÇA DE TODOS OS ENVOLVIDOS NOS JOGOS?
– O protocolo médico elaborado e debatido por mais de 30 médicos, todos os clubes participaram disso, com uma consultoria de um grande infectologista da UFRJ, está claro e caracterizado que todos os testes… Ou seja, esse protocolo não é para apenas atletas, mas para cobertura proteção e segurança de todos que venham a estar inseridos. Atletas, gandulas, porteiros… o que posso garantir é que será um numero reduzido, colocado para 40 no início, mas os protocolos serão para todos.

POSSIBILIDADE DE TEMPORADA SE ESTENDER ATÉ 2021
– A possibilidade dos campeonatos serem disputados até janeiro e fevereiro são os campeonatos nacionais, são 38 rodadas. O que estava preparado para ser desenvolvido no espaço de oito, sete meses, o prazo está ficando curto. A CBF deve achar uma solução. Como não queremos que a nossa competição seja mutilada, desconfigurada, não temos nenhuma pretensão de que isso possa também acontecer com as demais competições. Devem seguir o seu formato, a não ser que o clubes escolham diferente, com contratos, prazos e modificar. Quanto a adentrar ao calendário de 2021, não altera em nada o Carioca. Vai ter jogo no sábado do Brasileiro? Vai ter no domingo do Estadual. Os clubes tem elenco para isso, tem número de atletas para utilizar um numa partida, um numa outra. Já aconteceu na Bahia, jogaram um dia pela Copa do Nordeste, outros pelo Estadual. No inicio do nosso campeonato, alguns usaram equipes mistas, não sua força principal. Pode ter dois mil campeonatos em janeiro e fevereiro, mas os jogos dos campeonatos estaduais vão seguir. Não vai atrapalhar em nada.

EXISTE A POSSIBILIDADE DE JOGADORES ATUAREM COM MÁSCARAS?
– Acho difícil, nunca vi em lugar nenhum. A finalidade da máscara é um barreira mecânica à eliminação de gotículas. Você impede que isso seja eliminado num raio de ação maior, mas isso atrapalha a respiração, não acredito que venha a acontecer. Mas é um problema que os médicos dos clubes vão decidir. Os demais que não estejam em esforço físico intenso, deverão utilizar as máscaras.

MENOS JOGADORES NO BANCO
– Muito boa colocação. Isso foi pensado, a tendência é essa, por vários motivos. Se você evita o contato, quer evitar a proximidade, se a recomendação é a manutenção de uma distância mínima de segurança, não tem porque aglomerar todo mundo no banco. O número de atletas no banco deverá ser reduzido, que permita manter a distância. Alguém pode falar, “vamos colocar um banco muito grande”. Não, não vai ser assim. Durante muitos e muitos anos os campeonatos foram jogados com número pequeno no banco. O brasil foi tricampeão do mundo sem fazer substituição, não tinha na época. Isso não vai atrapalhar em nada.

DESEQUILÍBRIO TÉCNICO COM JOGOS APENAS NO MARACANÃ?
– Quem escolhe, quem tem o direito de escolher onde vai realizar as partidas é o mandante. Isso é sabido por todos, todo mundo lê regulamento. Essa disposição não muda. O visitante tem o direito de concordar ou não. Aqui fica, às vezes pode parecer um contra senso, um assunto desse. Outro dia houve um jogo em Bacaxá, no campo do Boavista, não lembro contra qual time grande e um comentário numa transmissão era, “não é possível, campeonato de primeira divisão não pode jogar num campo para quatro mil liberados”. Essa média, a gente cansou de ver pela Copa do Brasil, em outras competições nacionais de série A. O que mais se ouve é a palavra “profissional”. “Tem que ser profissional”. O tal do “profissional” tem expoente dez elevado a mil. Ora, se é profissional, tem apelo numa praça de grande público, não há por que não ser realizado. Não vejo desequilíbrio técnico, até porque o Maracanã é um campo neutro. O Flamengo só joga lá, mas o Fluminense também. O Vasco e o Botafogo se quiser também. Quem quiser jogar só lá, pode, mas não vejo ninguém treinar no Maracanã, é apenas um local de jogo. Não há esse desequilíbrio técnico só por ser o Maracanã.

A FERJ APOIA A ADOÇÃO DO CALENDÁRIO EUROPEU NO FUTEBOL BRASILEIRO?
– Todo mundo acha, acha e fala em calendário europeu. Têm muitos europeus que falam, “temos que ver o calendário sul-americano”. Recentemente, não lembro quem, saiu uma declaração de um treinador europeu sugerindo isso. Qual a vantagem em relação ao calendário europeu que não simplesmente à janela? Eu até seria favorável à adequação caso pudéssemos trazer para o nosso calendário a legislação desportiva daqueles países e o PIB daqueles países. Pronto. Estava resolvido o problema do futebol.

SITUAÇÃO DOS CONTRATOS COM MENOS DE 3 MESES DE DURAÇÃO
– Essa é uma das contribuições que a federação está tentando fazer em benefício não somente dos clubes cariocas, mas do país inteiro. A Lei Pelé estabelece que o prazo mínimo de contrato é de 3 meses. Todos sabem que os clubes de menor investimento, tem um calendário reduzido. Os contratos não são por prazos longos, em média, de 5 meses de duração. Aconteceu que o campeonato foi suspenso, sem que tenha terminado, com retorno incerto. Vários contratos terminaram, em março para cerca de 63, quase 200 em abril e os clubes, 12 clubes praticamente ficaram sem elenco para participar das competições. Uns precisam de apenas duas datas, duas partidas, o que pode acontecer em três, quatro dias. Para jogar duas partidas não teria nenhum sentido de se firmar um contrato de 3 meses. Isso iria onerar esses clubes, que já têm uma dificuldade danada, por todo desequilíbrio da cadeia econômica. A Federação expediu um ofício para ser encaminho à Presidência da República para ver se teria viabilidade da edição de uma medida provisória alterando o artigo 30 da Lei Pelé, que diz que o contrato tem que durar três meses, para excepcionalmente daqueles casos que precisam de conclusão dos estaduais pelo país, o que abrange 269 clubes, em todos os estados, para que esses contratos pudessem ter uma duração de apenas 30 dias. Essa medida provisória, segundo o Secretario Ronaldo Lima, está na mesa do presidente para ser despachada. Isso é pensado pela federação do Rio e acho que resolve um grande problema.

REUNIÕES COM OS CLUBES
– Não estamos numa queda de braço, não é uma reunião que a decisão tem que ser por maioria. Essas reuniões são em busca de um consenso sobre qual o melhor caminho para atingir o mesmo objetivo. Todos têm o mesmo objetivo. Existem divergências nos debates? Sim, claro. Divergências sobre qual caminho melhor para que cheguemos ao ponto desejado, mas não se decide esse querendo assim, outro assado… As discussões são relativamente longas, nossas reuniões, às vezes, têm duração acima de duas horas, os temas são extremamente esmiuçados e se chega a um consenso. Existe uma unidade e uma unanimidade sobre tudo que foi conversado até o momento: o campeonato acaba dentro de campo, não há hipótese de virada de mesa, de soluções mirabolantes; necessidade da criação de um protocolo médico fundamentado; discussão de vários temas com os advogados dos clubes, temas jurídicos que depois posso falar deles… Isso tudo está sendo feito dentro de uma unidade.

TEMPO DE ISOLAMENTO
– Isso está decidido dentro do protocolo, está tudo lá definido dentro do protocolo batizado de “Jogo Seguro”. Basta uma passada por esse documento, uma leitura rápida que a coisa está muito clara. Com certeza existe um aparato técnico, a participação de profissionais de saúde é indispensável. Não há hipótese de se fazer um documento médico que não tenha participação de médico. Não há hipótese de se fazer um documento de saúde que não tenha a participação de todos aqueles envolvidos na ciência da saúde. Isso existe e está bem claro, bem discriminado, bem desenhado nesse protocolo, encaminhado a pedido de cinco federações: Pernambuco, Alagoas, Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina, que nos solicitou o protocolo e encaminhamos a eles.

QUAL A PREVISÃO DE RETORNO DO CAMPEONATO CARIOCA?
– Essa nem a Mãe Dináh vai responder. Não há quem possa fazer uma previsão, seria totalmente imprudente. Assim como tem gente que diz “isso não vai acontecer antes do mês tal”… Só se tiver bola de cristal. Esse cidadão deve ser um gênio, tem conhecimentos extraterrestres, como também aquele que diz “vai começar amanhã, semana que vem”. No momento atual, não tem essa previsão. O que eu posso afirmar é que estamos prontos para esse recomeço. Todas as condições para o recomeço foram determinadas. Essas condições vão ser seguidas de maneira uniforme por todos os clubes. Quando nos disserem “podem retornas às atividades”… Quem tem poder para isso? Somente as autoridades governamentais e autoridades de saúde. Essa pergunta nem o Governo, nem as autoridades de saúde têm condição, hoje, de estabelecer uma data. Esperamos que seja o mais breve possível. Os clubes do Rio de Janeiro estão prontos para o reinício dessas atividades. Não podemos ficar aqui dando ouvidos aos profetas do caos, “isso só em julho, em agosto”… Falar, até papagaio fala. Não tem isso.

O Campeonato Carioca tem uma facilidade entre todos os demais. O Rio é um campeonato estadual, que não implica em viagens, deslocamentos, viagens aéreas, concentrações… É aqui, dentro do estado, pequeno. Isso é uma facilidade. O que o Campeonato Brasileiro não tem. “Mas em Santa Catarina vai recomeçar, porque já está tudo liberado”. Ótimo, mas em contrapartida, no Ceará não está. A Conmebol diz que pretende reiniciar a Copa Libertadores e Sul-Americana para seguir o calendário e serem encerradas em 2020, mas tem uma dificuldade, são fronteiras de dez países. Como vai ser realizado? O Rio não tem esse problema, mas não podemos dizer previsão. Estamos prontos para esse retorno, esperamos que seja em breve. Se me pergunta, “pode acontecer em maio?”, eu digo que os clubes estão prontos. Não acreditem nos profetas.

GOVERNADOR DO RIO É CONTRA O RETORNO DOS JOGOS NO COMEÇO DE MAIO. QUAL PLANO B?
– Nós não temos conhecimento, não fomos comunicados oficialmente de nenhuma decisão do governador. Nenhuma. O que posso dizer é que encaminhamos o protocolo de segurança para ser apreciado pelo governador, pelo secretário de saúde, para que possam analisar criteriosamente. Que esse documento sirva de subsídio para uma decisão. A nossa expectativa é que ela possa ser favorável, mas cabe essa análise a eles, porque nós temos uma variável, eles têm outras variáveis que devem entrar nessa análise. Não temos conhecimento oficial disso, por enquanto surge como boato. Cuidado com os que dizem “eu estive com fulano, conversei com João, com a Maria…”. Cuidado com esses que dizem que conhecem muita gente, acabam gerando incertezas. O dia que o governo estabelecer o momento certo, nós vamos jogar. O plano B? “Não vai começar em maio”, paciência. Podemos começar em junho? “Podemos”. “Não podemos em junho”. Paciência. Evidente que a cada tempo que demora as dificuldades aumentam.

AUXÍLIO AOS CLUBES MENORES
– Vamos começar pelo final da pergunta. O auxílio que a federação pode dar (aos clubes menores), ela já está dando. Primeiro, proporcionar que eles não sejam onerados com contratos de três meses, tendo que disputar, no máximo, seis partidas. Estamos fazendo gestão junto ao governo federal para modificação desse prazo mínimo de contrato.

Segundo, gestão junto ao Tribunal Regional do Trabalho para suspensão do pagamento das parcelas do ato trabalhista por esse período ou por um tempo que for julgado pertinente em função da pandemia.

Terceiro, gestão também junto ao Tribunal Regional do Trabalho para que, vamos dizer, os acordos trabalhistas sejam suspensos momentaneamente a exemplo do que pode acontecer com a suspensão das parcelas do ato trabalhista, por equidade, claro, pelo tempo que durar a inatividade.

Quarto, estamos fazendo gestão junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro da possibilidade da criação de um ato cível a exemplo do ato trabalhista, uma centralização das execuções que venha a facilitar e garantir que todos os credores vão receber, disciplina essa ordem, essa cronologia.

Quinto, problema do clube-formador. Temos uma distorção em relação à certificação de clube-formador, ontem já encaminhamos à CBF um documento postulando ajustes, prorrogando prazo do certificado de clube-formador, porque tem clube que vai acabar daqui a pouco, faltam dois meses inativos, que não está utilizando desse contrato, já que o prazo é só de um ano. Encaminhamos à CBF um pedido para que esse clube tenha, durante os meses de suspensão, pelo mesmo prazo que seja prorrogado por igual período quando do término da pandemia.

Abolimos, por exemplo, a cobrança das taxas de inscrição e registro. A não cobrança das taxas incidentes sobre arrecadação da Ferj para clubes menos favorecidos, que são esses 12 outros, em determinadas ocasiões. Todo o material de testagem e pessoal envolvido nisso foi providenciado pela federação. O tipo de auxílio é nessa forma, a federação não é uma entidade filantrópica, ela não gera recursos, ela recebe recursos e repassa esses recursos em forma de serviço. O auxílio que nós podemos fazer é um auxílio técnico, com ações que contemplem a todo mundo.

Se os clubes menores necessitam de ajuda emergencial, eu até ampliaria a pergunta. Se todos os clubes merecem, independentemente do seu tamanho… Todos necessitam de ajuda. Eles só diferem no tamanho, em valor, mas todos sentem e precisam de ajuda no momento.

CONTATO DA FERJ COM A CBF
– Com a Conmebol não temos contato, até porque ela lida diretamente com seu filiado, que é a CBF. Com a CBF, ainda não chegou-se ao ponto de discutir calendários futuros, porque o presidente da CBF já repetiu que os campeonatos estaduais vão terminar. Todos eles, conforme as decisões das respectivas federações. Não vejo nenhuma dificuldade com isso. Não temos nenhum contato com a Conmebol, mas não vejo problema.

PROTOCOLO MÉDICO PREVÊ QUANTOS TRABALHANDO NOS ESTÁDIOS?
– Primeiro, não se fez nenhum protocolo para quando as partidas forem reiniciadas. O que se fez, reafirmo, foi um protocolo destinado a ser observado por ocasião do retorno às atividades de treinamento. A partir daí, vamos, quando nos for dito, trabalhar na formação de protocolo de segurança para as partidas que venham a ser realizadas. Não se sabe quando vai ser, como vai estar o cenário da pandemia, não se sabe onde os jogos que serão realizados. O momento ainda é precoce para isso. “Os protocolos médicos apresentados”… Não foram protocolos apresentados, foi um protocolo elaborado e divulgado com a finalidade de disciplinar as ações dos treinamentos quando do retorno.

– Quando o campeonato recomeçar, todos deverão estar protegidos por medidas e orientações que lhes tragam uma maior segurança, que lhes reduzam o risco. Independentemente de ser atleta, dirigente, comissão técnica… Todos.

CANCELAMENTO DE CAMPEONATOS DA BASE
– Foi muito ruim. São 500 partidas, aproximadamente. Multiplica isso pela quantidade de atletas que participam dessas partidas, pela quantidade de profissionais que trabalham nessas partidas. Pelos empregos diretos e indiretos em decorrência disso. Pela economia formal e informal que acontece em função dessas partidas. Isso, é claro, não foi bom, mas foi necessário. Infelizmente, foi necessário.

ALGUM CAMPEONATO AINDA NÃO INICIADO, COMO O FEMININO, TEM ALGUMA CHANCE DE SER CANCELADO EM 2020?
– Eu não tenho certeza se o Campeonato Feminino foi suspenso ou cancelado. Acho que foi cancelado. E, se não foi, apenas suspenso o seu início, acho muito pouco provável que venha a acontecer por um motivo extremamente simples: econômico, financeiro. Os recursos minguaram, tornaram-se escassos. Há uma grande dificuldade para honrar os compromissos que já foram assumidos com os atletas até então. Essa nova despesa que possa ser em função de uma competição feminina, acho que é motivo mais do que suficiente para que não se realize esse campeonato.

SEM FÉRIAS DEPOIS DO BRASILEIRÃO, JÁ QUE O PERÍODO FOI CONCEDIDO AGORA, COMO IMAGINA QUE SERÁ O ESTADUAL DE 2021 EM TERMOS TÉCNICOS?
– O campeonato vai acontecer em 2021? Vai. Com ou sem qualquer outra competição que venha a existir, o campeonato estadual vai acontecer. Simultaneamente. Joga-se sábado uma competição, domingo tem jogo por outra, mas são assuntos debatidos e discutidos adiante, de acordo com o andar da carruagem.

FÉRIAS DOS ATLETAS
– A questão de férias dos atletas deve ser discutida com eles, com o próprio sindicato. Eu entendo que talvez haja a necessidade de uma paralisação também ao final do ano ou início de janeiro para adequar… Isso é um assunto que vai gerar alguns debates, algumas discussões em busca de uma convergência, porque não sei se começa direto agora. Os atletas voltam de férias para um campeonato estadual agora no dia 1º de maio. E se em junho não tiver sido permitido o início do Campeonato Brasileiro? O que esses atletas fazem, voltam de férias? Se isso for começar só em agosto? Esse assunto ainda está um pouco obscuro, não se pode definir.

GARANTIA DE ACONTECER 2021?
– Garantia, sim. Expliquei essa história toda. Em 2020 acaba no campo, 2021 vai acontecer… Se o Brasileiro vai invadir janeiro, paciência, joga-se os dois. O clube que pode entrar com equipe mista, que entre. O clube que fizer opção de qual equipe de uma equipe é natural, é o que mais acontece. Tem uns que poupam o time inteiro, outros metade, outros não poupam e ganham daqueles que pouparam… Essa história da escolha, de qual elenco ele vai colocar em campo, é um problema do clube, do treinador.

FLA x FLU NA FINAL LOGO?
– Se você perguntar isso àqueles que têm chances de serem finalistas, talvez eles não gostem dessa sugestão ou possibilidade. Se você pergunta aos dois clubes (Flamengo e Fluminense), não te digo que sim, mas é até surreal. Foi muito debatido isso, não tem virada de mesa, não tem jeitinho para que todo mundo ache… “Melhor colocar A e B na final”, “melhor desconsiderar”, “decreta esse campeão”, “esse não cai”… Todo mundo tem hipóteses diversas para motivos especiais, motivos próprios. Os clubes, para acabar com essa história toda, resolveram que vamos até o final da forma que foi planejado inicialmente.

QUANTOS PATROCINADORES DO CARIOCA SUSPENDERAM OS CONTRATOS?
– Não sei, mas não acredito que houve essa suspensão. Não tenho conhecimento dessa suspensão. Os parceiros, quase que mais de 80% dos parceiros do Campeonato Carioca não chegaram em 2020, já estão de 2019 e outras épocas. Eles acreditaram no Carioca, continuam acreditando no campeonato. Eu não acho que suspenderam os contratos. Se alguém quiser fazer algum acordo, é claro que temos que entender o argumento que nos for apresentado. O nosso comercial e nosso departamento de marketing estão diretamente envolvidos nisso. Se não nos trouxe até agora nenhuma dificuldade, é sinal que elas não apareceram.

HÁ CHANCE DE ESTÁDIOS DE PEQUENO PORTE, COMO GÁVEA E LARANJEIRAS, SEREM UTILIZADOS PARA FINALIZAR A COMPETIÇÃO?
– Isso é uma hipótese que não pode ser descartada. Se não haverá público, se serão portões fechados, eu não vejo nenhum inconveniente técnico para as partidas serem realizadas nesses dois estádios citados, como em outros. O que precisa se discutir, colocando essa hipótese como provável, é que tem um ator importante nessa história toda que é a televisão. A televisão que tem os direitos de transmissão precisa opinar se há condições técnicas nesses lugares que estão sendo ventilados. Se existe condição técnica, não existe nenhum outro obstáculo, não vejo motivo para não acontecer.

HÁ POSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DE DATAS?
– É possível a redução de datas para você, talvez, acelerar o processo. O presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais até admitiu uma redução do intervalo mínimo entre as partidas, que hoje está em 66 horas, até para 48 horas. No Campeonato Brasileiro, acho que isso é extremamente difícil de ser realizado, porque você tem viagens para cima e para baixo, nesse intervalo de 48h, acho que não consegue acontecer. No Rio de Janeiro, que ninguém sai daqui, essa possibilidade existe. Talvez, para nós abreviarmos um pouco o término do campeonato, quem sabe isso aconteça. Claro, conversando com o sindicato dos atletas, tem que ter a participação deles nessa história toda, afinal os mais afetados e exigidos serão os atletas. Não vale dizer “eles têm preparo físico para isso”, não importa. É diferente você ir para um futevôlei ou para uma pelada do que jogar uma competição oficial. Essas datas podem ser reduzidas nessas circunstâncias.

NÃO HÁ RISCO MESMO COM PORTÕES FECHADOS?
– Eu seria completamente imprudente se fosse dizer que tudo é isento de risco. Entro no avião, não sei se ele vai chegar. É o transporte mais seguro do mundo, mas não sei se vai chegar. Quando vai fazer uma tomografia computadorizada, eles te apresentam um papel, “assina aqui”, porque você poder ter uma reação alérgica, sofrer um choque anafilático… Vai arrancar um dente, pode ter uma hemorragia. Não existe risco zero. Qualquer um que disser risco zero é um inconsequente. O que existe são os cuidados para que minimize ao máximo que haja esse risco. Até porque o risco de contaminação está no mundo, em todo lugar. Está em receber uma encomenda na sua casa, passar na garagem para abrir seu carro… O risco existe em qualquer lugar. O que estamos trabalhando é na direção de minimizar ao máximo, oferecendo e praticando tudo o que é possível para a biossegurança.

– O “encerrar”. Se a ideia é acabar, extinguir os estaduais, vai ser motivo de muita confusão e resistência, o que não acredito que seja a ideia da CBF. Se o objetivo da CBF for de concluir na forma como foi planejado, isso é o que é a realidade, até porque a própria CBF, o presidente, o secretário-geral cansa de dizer que a CBF afirma que os campeonatos estaduais serão os primeiros a serem realizados tão logo retornem as atividades e não pode ser diferente. Vai retornar com o Brasileiro, competição nacional ou internacional? Claro que isso não existe. Acho que não quer encerrar, afirma que eles serão jogados. Não tem argumento. Começa por quem? Qual o mais fácil de começar? A Libertadores, com dez fronteiras fechadas, no país com as viagens?

FERJ PODE ACELERAR RETORNO POR PRESSÃO DE CLUBES?
– Eu fico preocupado em admitir o fato de não ser atividade essencial. Fico preocupado. Atividade essencial é relativa. O que não é essencial para um pode não deixar de ser para outro. Pergunte aos atletas dos clubes, principalmente aos que recebem, em média, abaixo de três salários, dos clubes menores… Pergunta se o futebol não é atividade essencial para eles. Pergunta de que eles sobrevivem, de onde vem os recursos para colocar alimento na mesa deles… Como eles pagam as escolas dos filhos, o transporte, as contas de água, luz, condomínio. É do trabalho. O trabalho é uma atividade essencial. Você dizer que não é essencial é extremamente complicado, muito forte, muito abrangente para considerarmos dessa forma. Para muitos, o futebol é uma atividade essencial. Motorista, então, não é uma atividade essencial. Motorista de ônibus, caixa de supermercado… Não existe atividade que não seja essencial. Se você quiser falar, “essencial é aquilo que abrange todo mundo e não apenas um segmento ou pequena parte da população”, está bem. Serviço de saúde e por aí afora, mas como fonte geradora de recurso, de emprego e consequentemente de salário, é uma atividade econômica essencial. Os profissionais envolvidos estão preocupados com isso. A maioria está, porque a maioria é hipossuficiente, não tem conta, poupança polpuda que possa resistir muito tempo sem receber os salários. A maioria depende do que vai ganhar no fim do mês para honrar seus compromissos. Se isso não vier, causa transtornos muito grandes. Por isso estamos diretamente envolvidos para reiniciar as atividades o mais rápido que seja permitido.

– Mas não tem pressão nenhuma. Não existe pressão para voltar, mas existe o anseio, o consenso da necessidade de retornar. Pressão, pelo menos aqui na federação do Rio, eu não vi nenhum clube com esse sentimento, com essa atitude, tentando qualquer mecanismo nesse sentido.

SOBRE ISOLAMENTO SOCIAL, A POLÍTICA TEM INTERFERIDO DIRETAMENTE? FERJ VAI CAMINHAR AO LADO DO GOVERNO FEDERAL OU ESTADUAL?
– Essa pergunta não tem nenhum interesse em esclarecer um fato, tem interesse unicamente em gerar uma polêmica. Acho essa pergunta infeliz, inoportuna, mas vou responder, porque não posso ser descortês com quem a fez. Nós trabalhamos com elementos técnicos, com subsídios científicos, com a segurança daqueles que vão participar da atividade. Vamos obedecer a ordem de quem tem competência para dar essa ordem. Independentemente de quem seja. Se quem for o órgão responsável competente para permitir o retorno da atividade seja o órgão municipal, obedecemos ao órgão municipal. Se é o estadual, vamos obedecer ao órgão estadual. E se for o federal, a mesma coisa. Para nós é indiferente quem vai dar a ordem, quem vai permitir. É importante que se reafirme que vamos obedecer rigorosamente as decisões dos órgãos que têm poder para toma-las.

KIT DE TESTE PARA JOGADORES
– Esses kits são de testes aprovados pela Anvisa, pelas autoridades de saúde. Serão recebidos na federação, haverá um cronograma para realização dos testes por profissionais treinados. O teste é muito simples, de amostra capilar, aquela espetadinha que se dá na ponta do dedo, todo diabético sabe isso. O importante é quem esteja treinado para fazer a leitura desse resultado, técnicos de laboratório ou de enfermagem.

– Os testes, claro que sim (estarão seguros), porque se tem a garantia que eles são válidos. Quem vai fazer, já falamos. Em boas condições, se aquele vai aplicar o teste, claro que ele foi testado anteriormente e está limpo. Todos os clubes participantes, esses testes são para separar quem pode e quem não pode participar do grupo de treinamento.

QUAIS DEVEM SER OS PROCEDIMENTOS PARA SÉRIE B 1 E DIVISÕES DE BASE?
– Essa semana houve uma reunião virtual, claro, com todos os clubes da Série B 1. Já foi, inclusive, estabelecido data para o início da atividade, 15 de agosto, mas como se estabelece a data? Simples, se já tem alguém estabelecendo data para começar em julho, se existe a possibilidade disso, o B1, que é muito distante, em agosto, não há nenhuma imprudência, precipitação para a data. Os clubes devem começar a tomar as providências. Para B1, começa 15 de agosto o profissional. Para as categorias de base não foi nada definido, ficou para uma próxima oportunidade, porque fizeram ponderações de mudar a forma da competição, mais curta, mais enxuta, que permita menor despesa. É possível e vai ser debatido com todos.

PUNIÇÕES PARA COMEMORAÇÕES
– Ninguém vai aplicar multa em ninguém. Essa história de pegar alguém fantasiado com talão na mão e sair multando, não. O protocolo é de conscientização da necessidade de mudança de hábitos. Não tem punição nenhuma. Até porque existe ato involuntário e eu desafio, qual de nós durante o dia não comete vários atos de imprudência em relação aos cuidados que temos que ter? Em casa, qual de nós? São coisas involuntárias. Não coçar o olho… De repente, tem alguém coçando. Essa comemoração é um ato involuntário que é imprevisível e impossível de não acontecer. Tem multa para ninguém. O que vai existir é uma orientação exagerada na tentativa de que, no subconsciente, você doutrinar o seu comportamento.

– Quanto ao contato físico, não há hipótese. Vou dar uma situação real: final de jogo, escanteio. O gol dá a vitória ao ataque. Vocês acham que não vai ter contato físico dentro da área? Alguém acha isso? Imagina que isso é possível? Nunca! Nunca. O contato físico existe, vai continuar acontecendo. O que se pretende é orientar que, nas condições que possam ser evitadas, isso aconteça.

OUTRAS COMPETIÇÕES
– A Taça Independência foi suspensa, era uma competição extra, com uma finalidade. Teria que haver outras partidas, foram suprimidas, porque a finalidade é o campeonato estadual. Quanto ao regulamento, já falei, as normas todas vão ser aplicadas, o descenso está escrito, a forma como vai ser encerrado o campeonato, já foi discutido e debatido. A parte jurídica foi falada, dependemos dessa medida provisória. A dependência da medida provisória, de reduzir esse prazo necessário para concluir as partidas que faltam, isso é uma precaução de demandas judiciais trabalhistas futuras. Desportivamente, para acabar um campeonato, se for necessário, entre os clubes, em consenso, se estabelece uma regra que desportivamente ninguém vai recorrer ao tribunal, se submete essa regra à apreciação do TJD, do STJD. Se for homologada, vamos adiante. Isso independe, em princípio, da medida provisória. Estou falando do Rio de Janeiro. A medida provisória ela é abrangente, tem abrangência nacional e a finalidade principal é garantir a inexistência de demandas judiciais trabalhistas futuras.

Fonte: Globoesporte.com


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