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Sindicatos prometem contraproposta na segunda-feira para clubes: “Diálogo está aberto”

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Presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol lembra complexidade para solução, mas diz que jogadores vão decidir: “Arcarão com vantagens e consequências”

A proposta feita pela Comissão Nacional de Clubes para ser levada a sindicatos de atletas de todo o Brasil levou dúvidas e receio a jogadores. Viram em manchete a possibilidade de perderem 50% de salário na carteira de trabalho e em direitos de imagem caso o futebol não retorne tão cedo.

É uma das propostas encaminhadas, após reunião nesta sexta-feira, de clubes de todas as séries do futebol nacional. Advogados receberam ligações e mensagens de atletas. Prontamente ouviram que não aceitam a redução salarial pela metade, pois não está previsto na lei trabalhista – a CLT trata, em caso de força maior de, no máximo, 25% de desconto, o que já embasa resposta de muitos sindicatos.

O presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, Felipe Augusto, que é ex-jogador e advogado – hoje, como dirigente de classe, não representa mais atletas -, disse que o momento é de diálogo. Contou que conversou ainda neste sábado com o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt. Prometeu, junto a sindicatos estaduais e municipais, enviar contraproposta aos clubes até segunda-feira à tarde.

Confira a entrevista com um dos representantes de atletas:

GloboEsporte.com: Advogados de atletas e jogadores já avisam que não vão aceitar a redução de salário de 50%, uma das propostas dos clubes. Como a FENAPAF vê isso?

Felipe Augusto (FENAPAF): Os atletas estão sendo convocados para discutir o assunto, estão falando comigo e com outros sindicatos. Inicialmente muitos achavam que isso ia ser imposto. E é bom ficar claro: não é uma imposição. Estamos ouvindo todos os atletas. Falei para o Mario (presidente do Fluminense) para rebater isso de que é imposição. O diálogo está aberto para até segunda à tarde a gente dar contraproposta. Fora isso qualquer coisa que se fale agora é fogo de palha. Já advoguei para atletas, antes de assumir a FENAPAF, respeito a posição dos advogados, mas a gente tem que aguardar a posição coletiva dos atletas. O que acharem melhorar, o que querem fazer, o que não aceitam.

Qual a principal dúvida dos jogadores?

– Os atletas, quando se fala em legislação trabalhista, são ignorantes sobre o tema e a primeira notícia que chega é sobre corte. Chega errada (a informação). Não se fala sobre a excepcionalidade do caso, da urgência. Vamos receber todas as considerações dos sindicatos e vamos dar resposta. Urge rapidez para esse trato, mas tem muita coisa. É complexo e os atletas não entendem muito. Recebem do procurador e do advogado que é tudo uma catástrofe, mas a negociação está aberta. Vamos fazer contraproposta e colocar para o outro lado se manifestar. Tem que ter paciência. Os clubes puxam para o lado dos clubes, a gente (atletas) para o nosso lado. No final, a gente vai encontrar saída. Nunca houve conversa tão aberta nesse sentido. Nunca houve tanta transparência e nunca fomos ouvidos com tanto respeito e atenção.

Alguma coisa já ficou definida do que foi proposto, do que pretendem responder?

– Posso afirmar que nada foi decidido. A decisão vai ser dos atletas. Não há terrorismo. Teve clube que disse que vai fazer (o corte de 50%). Aí o diretor que acha que manda diz, o auxiliar de serviço pessoal diz que “vai acontecer isso”. E eles (atletas) não leem, não prestam atenção e acham que vai ser isso. É bom todos se acalmarem, todos estão nervosos, tensos. Todo mundo está com medo de perder emprego. Eu peço tranquilidade, porque as conversas estão sendo feitas.

A questão da redução salarial, a ideia é não sair de 50% de perda, mas no máximo 25%?

– Não é hora de discutir ponto a ponto. O que a gente quer evitar é uma medida violenta dos clubes levarem para a Justiça. Verdadeiramente é isso que queremos evitar. Meu medo é chegar “ah, ninguém aceitou. Então, (o clube diz,) está bem, vamos rescindir e suspender contratos. Não tem Justiça agora para dirimir esse conflito mesmo”. E aí, vai reclamar para quem? Quando se demite tem 10 dias para pagar empregado. Aí não paga nesse período. E aí se ficar quatro meses parado, sem indenização, sem emprego? Aí depois desse tempo entra com ação, vai para uma fila enorme depois que a Justiça voltar… O clube pode dizer que a demissão é justa causa. Ele (clube) está impedido de treinar por governos… E se depois desse tempo todo o jogador perde a causa? Não é um problema mais grave? Institucionalmente, tentamos evitar isso. Temos que ter lado bom e ruim. Está se buscando perder menos. Perder alguma coisa todos vão perder. Eles (atletas) arcarão com as vantagens e as consequências.

Fonte: Globoesporte.com

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