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Somália e o falso sequestro: há nove anos, ex-jogador se complicou no Botafogo

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Repórter que cobria o clube na época lembra episódio que causou reviravolta na passagem do volante pelo Alvinegro: “Depois disso, não foi a mesma pessoa”

A década do Botafogo teve um início nada tranquilo no Estádio Nilton Santos. No dia 5 de janeiro de 2011, a reapresentação do elenco veio junto com uma bomba: o sequestro relâmpago do ex-volante Somália que, na verdade, foi uma falsa comunicação de crime para justificar sua ausência no primeiro treino daquele ano.

Você recorda o que aconteceu? Por que Somália mentiu? Como a polícia suspeitou? De que forma o caso foi apurado e descoberto? Falamos com o jornalista Gustavo Rotstein, setorista do Botafogo no GloboEsporte.com em 2011 e responsável por acompanhar o episódio de perto. Relembre:

Somália hoje vive em São Paulo com a esposa e o casal está à espera do segundo filho. O GloboEsporte.com entrou em contato com o ex-jogador, que preferiu não comentar o assunto.

Mas, no fim de março deste ano, ele aceitou falar com Joel Santana no canal do treinador no YouTube. Ao técnico nos tempos de Botafogo, o volante comentou o assunto:

– Foi uma infantilidade tremenda de escutar outras pessoas. Causou muito mais problemas para mim do que para outras pessoas. Na época eu bebia, estava alcoolizado no dia e era uma reapresentação. Tinha toda questão de não decepcionar as pessoas que investiram em mim na época. Eu tinha contrato de um ano, tinha acabado de renovar depois de ter jogado o Campeonato Brasileiro. Estava jogando bem, me destacando um pouco e tinha toda aquela tensão: “Pô, não posso decepcionar o Papai (Joel), o Anderson Barros e as pessoas que confiavam em mim”. Foi um ato impensado.

Curinga em 2010

Somália foi anunciado pelo Botafogo ainda em dezembro de 2009 como a primeira contratação para a temporada seguinte. O volante, de 25 anos, havia se destacado na Série B do Campeonato Brasileiro pelo América-RN e chegava ao Alvinegro por empréstimo até o fim de 2010.

– Em 2010, o Somália foi um jogador que teve destaque. Ele não veio para ser titular, mas Joel Santana deu muito espaço pra ele durante o Carioca. Ele era volante de origem, jogou improvisado algumas vezes na lateral direita, mas o Joel surpreendeu na reta final do estadual colocando ele de lateral-esquerdo. Contra o Fluminense, que tinha o Mariano e contra o Flamengo, que tinha o Léo Moura, ele conseguiu parar os laterais. O Botafogo foi campeão carioca. Durante o Brasileiro, o Joel fazia muito isso, ele era meio que o curinga dele e chegou a jogar até de camisa 10 – recorda o jornalista Gustavo Rotstein.

“O Somália sempre foi um jogador muito carismático, engraçado, contava história e a torcida gostava muito dele”.

Ao todo, Somália participou de 66 jogos pelo Alvinegro e marcou três gols, todos em 2010. Esteve presente também na campanha do Campeonato Carioca daquele ano, em que o Botafogo conquistou o Estadual com a clássica cavadinha de Loco Abreu.

“Outra pessoa” em 2011

– Lembro que no primeiro dia da reapresentação em 2011, no Nilton Santos, a gente viu que o Somália não estava em campo e perguntamos à assessoria, porque tem sempre aquele jogador que pede mais uns dias, tem problemas a resolver…, mas ninguém soube responder no momento, nem o Anderson Barros, que era o gerente de futebol, um cara muito organizado, disciplinador, que resolvia todos os problemas do Botafogo.

– A gente saiu do treino sem saber e, mais tarde, o Botafogo divulgou que foi informado pelo jogador que ele havia sofrido um sequestro relâmpago a caminho do estádio e o clube já tinha mandado um advogado para a delegacia para prestar assistência a ele. No dia seguinte, as páginas policiais dos jornais é que vieram com essa informação de que a polícia investigava uma suposta comunicação falsa de crime. Foi o próprio Botafogo que o instruiu a fazer esse depoimento, mas ele começou a se contradizer.

– Depois, na minha apuração, descobri que o Somália tinha feito alguma coisa no dia anterior, chegou de manhã em casa, viu que não conseguiria se apresentar e que, se não tivesse uma justificativa plausível, ele seria multado em 40% do salário, que era o que o Botafogo determinava para jogador ausente. Ele se apavorou e decidiu comunicar o crime, imaginando que aquilo não iria pra frente e que o Botafogo ia entender e ia seguir. Mesmo acreditando, o clube o incentivou a denunciar e aquilo acabou sendo um problema.

“Teve que fazer um pronunciamento na sala de imprensa, chorou, estava bem abalado mesmo. Me lembro que, depois disso, o Somália não foi a mesma pessoa, mudou dentro e fora de campo”.

– Passou a ser um cara muito introvertido, perdeu a confiança da torcida e isso se refletiu dentro de campo. Ele nunca foi um grande jogador, mas era um cara eficiente, muito bem fisicamente, aguentava o jogo todo, voluntarioso. Ele passou a ser deixado de lado depois também que o Caio Junior substituiu o Joel.

Divórcio em 2012

– Em 2012, já com o Oswaldo, ele foi deixado totalmente de lado e saiu dos planos do Botafogo. 2010 foi um ano importante pra ele, tanto que tinha empréstimo até o fim do ano e o Botafogo podia exercer a preferência de compra no meio da temporada. O Fluminense acabou entrando na parada, tentou a contratação, mas o Bota se antecipou e assinou um contrato de três anos com ele. Para se ter uma noção de como ele tinha ganhado espaço.

Fonte: Globoesporte.com

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