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Técnico na mira do Botafogo foi acusado de esquema com empresários e extorsão

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O Botafogo surpreendeu no mercado da bola e se acertou com o venezuelano César Farías, da seleção da Bolívia, para assumir o cargo vago de treinador da equipe. Desconhecido do público no Brasil, o técnico é considerado o “mestre” de Dudamel e se envolveu em algumas polêmicas na carreira.

A principal ocorreu quando o diário “Olé”, da Argentina revelou que o treinador foi denunciado pela FIFPRO, sindicato mundial de jogadores, sob acusação de participar de um esquema onde apenas convocava jogadores vinculados a uma agência de empresários.

“Solicitamos a investigação de César Farías a respeito de sua relação com a empresa de jogadores Agencia 360 Invictus [por meio de seu operador Fabián Mendoza] e o uso de seu cargo de técnico para pressionar os jogadores a assinarem um contrato com a referida agência em troca de uma vaga na seleção nacional”, dizia o documento revelado pelo jornal hermano.

O texto continha, inclusive, um depoimento do ex-jogador Milton Melgar que confirmou que alguns atletas foram ameaçados a fecharem com um empresário específico para aí, então, serem convocados para a seleção.

A investigação ainda está em andamento. Caso seja condenado, ele pode ser afastado de toda e qualquer atividade ligada ao futebol.

César Farías foi acusado ainda de não convocar atletas que fossem filiados à Federação de Jogadores Profissionais de Futebol da Bolívia (Fabol). Os mesmos solicitaram que a Federação local julgasse um caso de extorsão.

Segundo a Fabol, César vinha violando “os direitos de nossos associados, causando-lhes danos esportivos e econômicos irreparáveis”. A Federação local, FBF, não andou com o caso, informando que faltavam provas.

Passagem pela Venezuela

Comandante da seleção da Venezuela entre 2007 e 2013, Farías esteve também à frente da sub-20 da “Vinotinto” que fez história no futebol, sendo o primeiro selecionado do país a se classificar para um Mundial. O técnico ainda passou perto de levar os venezuelanos para sua primeira Copa do Mundo, em 2010, ficando dois pontos atrás do 5º colocado Uruguai nas Eliminatórias.

Em 2011, ainda alcançou as semifinais da Copa América, no melhor resultado da história do país nesta competição. Por isso, foi considerado pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) como o oitavo melhor treinador de futebol do mundo.

Após um trabalho de valorização da base e continuidade, inflamado pelos “petrodólares” na boa fase de Hugo Chávez como presidente do país, Farías passou o bastão para Rafael Dudamel, histórico ex-goleiro e hoje considerado o grande técnico venezuelano da atualidade. Já sob o comando do ídolo nacional, a “Vinotinto” foi vice-campeã mundial sub-20 em 2017 e aumentou muito o nível do seu futebol, que antes era considerado o mais fraco de toda a América do Sul.

Mas não é só como “mestre” de Dudamel que César Farías apareceu como notícia. Assim que saiu da seleção, o treinador foi trabalhar no México e levou o Tijuana às semifinais da “Concachampions”, maior torneio de clubes das Américas Central e do Norte e deixou o comando da equipe do deserto mexicano para morar nos Estados Unidos, onde passou a estudar o hóquei, o futebol americano e o basquete, tentando aplicar conceitos técnicos e táticos dos esportes que fazem sucesso entre os americanos para o futebol.

Após uma passagem pela Índia, Farías teve seus maiores desafios na América do Sul: treinou o Cerro Porteño, do Paraguai, sem deixar saudades e acabou na Bolívia, onde se sagrou campeão nacional pelo The Strongest. O trabalho em um dos maiores clubes do país o credenciou a assumir a seleção.

Linha-dura e ofensivo

Considerado o homem que revolucionou o futebol venezuelano, Farías também é conhecido pelo estilo “linha-dura”. O técnico cobra muita entrega dos seus jogadores e costuma dar treinos que parecem jogos.

Taticamente, gosta de jogar com a posse da bola e de muitas trocas de passe, como Dudamel apresentou no Atlético-MG, mas é mais agressivo e, geralmente, suas equipes são bastante ofensivas, usando a saída de bola curta para atrair o adversário e abrir espaço para lançamentos longos pelas pontas. César Farías gosta de jogar com pontas velozes, o que de antemão já se apresenta como um problema dadas as poucas opções no elenco alvinegro.

Outras polêmicas

E foi na Bolívia que César Farías se envolveu em polêmicas. Primeiro, foi suspenso após se envolver em uma briga em campo. O treinador agrediu um dirigente do Oriente Petrolero, em outubro de 2016. O TJD boliviano o puniu com uma multa de mil dólares pelo ocorrido.

O título boliviano classificou o The Strongest para a Libertadores de 2017 — a equipe caiu nas oitavas para o vice-campeão Lanús — mas, curiosamente, a polêmica foi por Farías dirigir uma equipe e ser cartola de outra. No mesmo ano, o técnico se tornou presidente do Zulia, da Venezuela. As equipes acabaram não se enfrentando e não houve maiores problemas.

Ligação com o Rio de Janeiro

O primeiro trabalho de César Farías como treinador foi aos 20 anos, no minúsculo Nueva Cádiz, em 1993. Nos anos 1990, tentando se especializar no futebol brasileiro, fez estágios em clubes pequenos como Bangu, Entrerriense e Barreira (hoje Boavista), além de um breve período no Fluminense (acompanhando Maldonado, “craque” da seleção venezuelana que atuou no tricolor).

Nesse ano, inclusive, deu um jeito de se fazer presente em terras cariocas. Durante o carnaval, Farías esteve no Maracanã “a convite” do clube de Saquarema para acompanhar Flamengo x Boavista pela final da Taça Guanabara. Gostou do que viu. No mês passado, ele comandou a Bolívia na derrota por 5 a 0 para o Brasil na Neo Química Arena, estádio do Corinthians.

Fonte: UOL / Foto de Capa: Reprodução


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