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Túlio coloca Copa do Brasil como prioridade e se diz “irradiante de felicidade” em volta ao Botafogo

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Em entrevista exclusiva ao GE, gerente de futebol fala sobre o desafio na volta ao clube de General Severiano e o momento que o Bota vive, além de comentar polêmicas do passado

Após mais de 160 jogos, Túlio Lustosa está de volta ao Botafogo, mas não como jogador. Depois de passagens por clubes de menor expressão como gestor, o ex-volante agora é o novo gerente de futebol alvinegro. O profissional tem no clube da Estrela Solitária a principal chance em um grande brasileiro na nova função fora dos gramados.

– Estou irradiante de felicidade por estar de volta. Foi surpreendente para mim, porque fazia pouco tempo que eu tinha saído do Goiás e estava em Brasília, quando o Renha (Manoel Renha, membro do comitê executivo de futebol) me ligou fazendo o convite. Na mesma hora, peguei o carro, fui para Goiânia fazer a mala e, no mesmo dia, estava aqui. Foi uma felicidade só, a família também ficou feliz.

– Mas agora, muito trabalho desde o primeiro dia em que cheguei. Sei o peso da responsabilidade, o tamanho do desafio, mas o tamanho da minha vontade é maior do que isso. Vou superar tudo e trabalhar incansavelmente para que tudo dê certo – disse Túlio ao GE.

Túlio chega ao Botafogo com uma meta já traçada. Após o time deixar a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro com a vitória sobre o Sport, o dirigente sabe que o maior objetivo na temporada é a Copa do Brasil, o que já foi conversado com os jogadores.

– Temos metas internas que eu prefiro não ficar falando, mas a grande meta, o principal objetivo da temporada para o Botafogo, que fiz questão de frisar, é a Copa do Brasil. Essa é nossa principal ambição. Temos agora, nas oitavas de final, um adversário que está numa fase esplêndida na série B, tem um elenco que eu conheço bem, porque fizeram a preparação durante a pandemia em Goiás. É um adversário que tem que ser muito respeitado.

Em papo exclusivo com o GE, Túlio falou sobre o desafio na volta ao clube de General Severiano e o momento que o Botafogo vive, além de comentar polêmicas do passado.

Primeiro contato com os jogadores

– Muito rápida a apresentação, mas me apresentando para eles, dizendo que conheço todos que estão no elenco, dizendo que traçamos metas para que eles sigam e busquem atingir o que pré-determinamos para eles. A maneira que eu costumo trabalhar também, o mesmo comportamento que vou ter com eles, eu vou exigir de volta, ou seja, compromisso 24 horas. Na mesma medida que eu der, eu vou cobrar.

Peso da camisa

– Acho que todos os atletas que estão aqui vieram pra cá por ser o Botafogo, sabe que estão numa grande equipe e eu sou um profissional que acredito muito no trabalho independente do valor da folha salarial da equipe. Já enfrentei desafios grandes na minha carreira com equipes com orçamentos bem menores que as outras, já fui atleta de times tanto com folhas maiores quanto com folhas menores e isso não significa resultado. Acredito num time que tem compromisso, mira um objetivo e pode chegar muito longe independente de tudo.

– Quando eu resolvi exercer essa função após a carreira de atleta, eu sabia que as coisas não viriam para mim já em clubes grandes. Comecei em clubes pequenos e sempre fiz questão de estudar cases de sucesso de clubes menores. Vivo hoje num clube que não tem os valores financeiros lá em cima, que tem muitas dificuldades, mas que, se o trabalho for bem feito aqui, a gente pode sonhar alto e conquistar grandes coisas.

Ambiente do Botafogo

– Eu fui atleta do clube durante cinco anos e eu sei qual é o nível de cobrança aqui dentro. Não posso ter desculpas prontas para o torcedor se os resultados não vierem. O torcedor quer resultado, a diretoria também e eu vim sabendo desse compromisso. Deixaram claro todas as dificuldades que o clube enfrenta, mas também todos os esforços para dar condição de trabalho para os profissionais. Me deparei com uma equipe de trabalho muito melhor do que na minha época.

– Hoje, o Botafogo tem excelentes profissionais, que dão condição para os atletas atuarem no mais alto nível possível. As outras dificuldades já foram conversadas, todo mundo que vem para o Botafogo sabe que pode enfrentar algum tipo de dificuldade uma hora ou outra e isso jamais vai poder servir de muleta para o atleta ter baixo rendimento. O material humano é muito mais importante que qualquer folha salarial. Temos profissionais aqui dentro do mais alto gabarito, compatível com qualquer outra equipe grande do futebol brasileiro.

Avaliação do elenco

– Nosso elenco, o torcedor sabe que é um elenco forte. Temos jogado, talvez, os últimos dez jogos, com exceção do jogo do Bahia, todos foram em pé de igualdade com os adversários, que têm elencos mais “qualificados”, folhas três, quatro vezes maiores que a nossa e nós conseguimos jogar de igual pra igual. Isso acho que mostra que, talvez, pelo excesso de empates que tivemos, a autoestima dos nossos atletas deu uma abaixada e aí, vem dificuldade pra ter um nível melhor de atuação.

– Claro que temos que trazer um ou outro jogador, temos aí um problema que é da inscrição, estamos aguardando a CBF se pronunciar se vai acatar os pedidos dos clubes de aumentar o número de inscritos no campeonato até devido a pandemia. Eu acho que vai ser acatado, porque é o melhor para o futebol. A gente aumentou o número de substituições, o número de lesões nos clubes aumentou pelo tempo parado, então, acho que é o mais prudente acatar isso.

Bruno Lazaroni

– Eu não conhecia o Bruno pessoalmente, mas acompanhava os trabalhos. Ele tem muitos anos de Botafogo e conhece muito bem isso aqui. Acho que ele está pronto sim. Essa experiência que falta a ele na série A comandando o time efetivamente que ele possa compensar com muita disposição, vontade e trabalho. Tenho visto isso no dia a dia, o comando do Bruno é um item fundamental para um treinador, o respeito que os atletas demonstram e isso aqui é enorme, eles respeitam e admiram a forma que o Bruno tem de comandá-los e cobrá-los.

– O Bruno tem muitos requisitos para iniciar uma carreira de sucesso. Não julgo ninguém pela pouca experiência, até porque sou julgado por isso. O sucesso dele é o meu sucesso e o sucesso do Botafogo. Que de mãos dadas a gente deixe alguma coisa marcada na história do Botafogo.

Honda e Kalou

– São dois atletas de referência mundial. Eu joguei por dois anos no Japão e tive a oportunidade de jogar contra o Honda quando ele estava iniciando a carreira e já via que era um jogador muito diferente. O japonês pensa duas vezes em aceitar um convite de um clube do exterior, o Honda não pensou quando teve uma proposta e saiu para um centro maior, porque era um jogador ambicioso. O Kalou é essa referência técnica também que temos no dia a dia, exemplo de humildade. Quando fica no banco de reservas passa força pra todo mundo, esse é o tipo de profissional que a gente quer.

– Dois profissionais completamente comprometidos, com objetivos na carreira ainda apesar de já terem conquistado várias coisas. É fundamental termos referências como essas, espero que os atletas mais jovens aproveitem essa oportunidade.

Experiência como gestor

– Depois que eu parei de jogar, eu tive várias experiências como gestor de futebol de clubes pequenos, clubes médios, o Goiás, para mim, foi uma experiência muito enriquecedora. Fiquei três anos no Goiás e fui com a desconfiança de todos por ser jovem, só tinha passado por times menores, mas esses times me ensinaram mais e hoje eu tenho conhecimento para debater com todos os departamentos dos clubes. Isso me ajudou a crescer e a discutir de igual pra igual com outros departamentos, sei até onde posso cobrar. Vou tentar corresponder toda essa expectativa e confiança. Chego sob desconfiança, claro, tenho poucos trabalhos ainda, mas quero que esse trabalho seja bem executado.

Eleições podem influenciar o trabalho?

– Eu vim sabendo que tem uma eleição no clube no final do ano, meu contrato não é por tempo determinado e, enquanto eu estiver exercendo essa função, a torcida e a diretoria podem esperar muito empenho e comprometimento total. O que vai acontecer no futuro, eu não sei dizer, mas sei que tem pessoas muito sérias, competentes e apaixonadas pelo Botafogo lutando para que a S/A seja implementada. Não tenho que me envolver nisso, já tenho meus problemas aqui no departamento de futebol e eu fui contratado para gerir esse departamento.

Problemas com o clube na Justiça no passado

– O atleta quando sai e aciona o clube na Justiça, às vezes, é marginalizado por parte da torcida. Não é bem assim, por isso, como gestor de futebol, faço questão de reintegrar qualquer atleta afastado sem motivo justamente para que não aconteçam ações contra o clube no futuro. Não foi esse o caso na época, meu advogado tomou essa decisão e é ele quem sabia os meios jurídicos para vencer a causa. No momento em que foram penhorados os bens dos presidentes, eu me preocupei muito, porque foi uma medida inédita na justiça trabalhista e pedi para que o advogado resolvesse da maneira mais amigável e foi feito um acordo logo depois. A questão está resolvida e nunca levei pro lado pessoal.

Fonte: GE / Foto de Capa: Vitor Silva – Botafogo


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