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Um bate papo com Heleno de Freitas – por Fábio Rocha

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Heleno de Freitas, como botafoguense apaixonado, tenho muito a lhe agradecer!

Se não fosse você, meu pai, hoje com 86 anos, jamais seria botafoguense. Seu amor pela estrela solitária se tornou arrebatador quando escutava suas partidas nos anos 40, através das ondas da Rádio Nacional, lá no interior do nordeste.

E eu não teria continuado esta paixão, hoje desfrutada pelos meus filhos também…

Se não fosse você, eu não compreenderia que um ídolo não precisa (e nunca é) ser perfeito (e convenhamos, a começar pelo seu temperamento, era duro aturar você.), mas tem que ser diferenciado e mostrar orgulho pelo que faz e se identificar com a instituição que defende.

Se não fosse você, um clube glorioso como o nosso jamais teria um craque que dentre outras frases, deixaria duas marcantes para a nossa rica história: “o Botafogo não é lugar para covardes” e “eu não sou jogador de futebol, eu sou jogador do Botafogo” (esta última sempre me emociona). Eu ousaria dizer que estas frases merecem estar pintadas num mural dentro do nosso clube, para que garotos da divisão de base entendam o que é envergar o manto da estrela solitária e depois sejam informados de quem foi Heleno e concluam que a maioria jamais chegará perto do jogador que você foi.

heleno-de-freitas

Heleno: a História foi um pouco cruel. Justamente no intervalo entre o término da Segunda Guerra Mundial e a Copa de 50, faltaram dois mundiais (1942 e 1946) onde você tinha tudo para brilhar intensamente. Era o seu auge!

E em 50? Que ideia foi aquela de jogar na Colômbia, uma liga não reconhecida pela FIFA na época e que não poderia inscrever nenhum jogador para o Mundial? Tudo bem que o técnico da seleção brasileira era o Flávio Costa, um dos seus declarados desafetos. Mas eu às vezes penso que se pegássemos uma máquina do tempo e mudássemos um pouco o rumo das coisas antes de 1948, nós hoje seríamos 6 vezes campeões mundiais, com o Heleno sendo o maior jogador da Copa de 50.

Tudo bem que havia um certo desgaste no clube, um cansaço com o Heleno em 1948 e que sua venda para o Boca Juniors, rendeu muito dinheiro ao Botafogo (a maior transação do futebol brasileiro até então).

Mas fiquemos com a realidade: a sua passagem pelo Junior de Barranquila logo após, mereceu uma estátua que existe até hoje no estádio e Gabriel García Marquez desfilou o seu talento com as letras tendo você como personagem de inúmeras crônicas.

estatua

Cá entre nós, sua vida boêmia foi prá lá de exagerada. Os excessos com mulheres, éter e lança perfume, cobraram a conta e você nos deixou em 1959 com apenas 39 anos.

Mas quem sou eu para julgá-lo? Se você foi feliz, eu e a nação botafoguense também fomos, seremos e nunca vamos esquecê-lo.

Os rivais que não podiam falar do seu futebol invejosamente lhe apelidaram de “Gilda”… seria pela sua elegância, seu inquestionável sucesso com as mulheres, sua formação pelo Colégio São Bento, seu bacharelado na Faculdade de Direito do RJ (hoje UFRJ), seu gosto pelo jazz ou pela literatura russa? Acho que um pouco de cada coisa… deixa prá lá…

Obrigado Heleno, por cada uma das 235 partidas e cada um dos 209 gols pelo nosso Botafogo.

Mas em especial, adoramos aqueles 2 gols no Flamengo, naquele 5 X 2 de 10 de setembro de 1944. Como você se sentiu aos 30 minutos do segundo tempo, quando os adversários sentaram em campo e se negaram a continuar jogando? Saiba que até hoje chamamos este fato histórico de “jogo do senta”.

senta

E eu, particularmente, acho que foi um exagero fazer 5 gols, naquele 6 X 1 impostos Bangu em 19 de agosto de 1945…

Adorei nossa conversa Heleno. Posso escrever sobre este bate papo? Gostaria que os outros alvinegros pudessem saber…

Posso? Obrigado! Valeu!

Saudações sempre alvinegras!

Colaborou Fábio Rocha


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